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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Programa Conexão Futura: Castanha do Pará



Caros leitores e amigos, ontem foi ao ar o Conexão Futura (exibido no Canal Futura da Fundação Roberto Marinho) que teve como tema a castanha-do-pará (ou castanha do Brasil) e a apresentação do meu livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação" publicado pela Paco Editorial. O programa apresentado por Eli Benício (na foto acima, à direita), teve este que vos escreve como convidado, a especialista da Embrapa Lucia Wadt (na foto, à esquerda) e a nutricionista Bruna Lyrio (em um link especial). 


Na entrevista foram abordados aspectos relacionados à história do produto (na foto acima, a castanha sem casca e com casca); o início da sua comercialização; a difícil e arriscada coleta da castanha na floresta amazônica; o êxito do produto no exterior (com o nome de Brazil nut); as qualidades nutrientes da amêndoa; o processo de domesticação da castanheira (um trabalho de décadas dos engenheiros agrônomos da Embrapa) e, infelizmente, a informação trazida por Lucia Wadt de que hoje o Brasil caiu para o 3º lugar como produtor da castanha amazônica, atrás da Bolívia e do Peru. Trata-se de algo lamentável, tendo em vista principalmente o fato do Brasil ter a maior porção territorial da Amazônia sul-americana. O país demorou para ampliar o processo de beneficiamento da amêndoa, mantendo a exportação com casca, o que aumenta a chance de contaminação por aflatoxina (uma toxina cancerígena quando absorvida em grande quantidade e que pode estar presente também no amendoim). O mercado europeu impôs nas ultimas décadas várias restrições ao consumo da castanha com casca, situação que foi bem aproveitada pelos competidores bolivianos que ampliaram as usinas de beneficiamento. 


No Conexão Futura tivemos também a oportunidade de mostrar imagens inéditas sobre a castanha, a exploração do produto e material de propaganda divulgado no exterior (livros de receitas, anúncios em jornais e revistas) que ajudaram o telespectador a conhecer um pouco mais a respeito desse produto. Por exemplo, a foto acima, do cineasta Silvino Santos (que filmou o documentário "No País das Amazonas" de 1922) castanheiros abraçam o tronco da castanheira. 


Nesta outra foto (acima) a castanha-do-pará com casca armazenada no porto de Nova Iorque em 1951. Destacamos que o produto garante o sustento de inúmeras populações tradicionais da Amazônia e contribui muito para a geração de renda na região. O futuro da floresta amazônica depende do bom uso de seus recursos naturais por meio da biotecnologia e também do setor de fármacos (pesquisa de plantas e animais para a produção de remédios). 


Ao final da gravação, tivemos a oportunidade de experimentar algumas amêndoas enviadas pela produção do programa para ilustrar a entrevista (na foto acima, a apresentadora Eli Benício saboreia a castanha-do-pará).
O link para que quiser assistir ao programa no Canal Futura  (Futura Play) é:

http://www.futuraplay.org/video/conexao-castanha-do-para-saiba-mais-sobre-essa-semente-brasileira/360443/


segunda-feira, 15 de maio de 2017

A Castanha do Pará no Canal Futura




Nesta terça-feira, dia 16.5, às 19:30 horas vai ao ar a entrevista que gravamos para o programa Conexão Futura, exibido no Canal Futura da Fundação Roberto Marinho. O tema será a castanha-do-pará com destaque para o lançamento do meu livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação" da Paco Editorial. Este que vos escreve estará acompanhado de uma técnica da Embrapa de Rondônia e de uma nutricionista (em um link externo) para esclarecer vários questões relativas à castanha da Amazônia, conhecida no exterior como Brazil nut. No programa iremos expor aspectos relativos à história do produto, como é feita a sua coleta na floresta amazônica, as suas qualidades nutrientes e a aplicação industrial da amêndoa. No meu caso específico, também enfatizo a importância da castanha para as populações tradicionais da Amazônia e para a manutenção da floresta em pé. 
O Canal Futura pode ser acessado por meio da Net no número 87. Posteriormente o programa será reapresentado em vários outros horários (consulte a grade de programação) e ficará disponível no Futura Play no site da emissora. Não deixem de ver...

domingo, 14 de maio de 2017

Biblioteca Digital Hispânica



Desde que foi criado no final de 2011, o blog História Mundi se propõe a ser um facilitador do conhecimento, da leitura e da pesquisa. Nesse sentido estamos entregando ao leitor mais uma ferramenta para que o mesmo possa mergulhar nos livros, revistas, jornais, imagens, mapas e obras artísticas, disponíveis a partir de um simples teclado de computador ou do próprio celular. O indivíduo pode ter acesso a informações relativas a praticamente todo o campo do conhecimento, em especial às ciências humanas e explorar imagens (como a fantástica gravura de Rembrandt feita em 1637 e intitulada "Busto de homem com barba e toca com broche"). 
No caso em questão estamos nos referindo à Biblioteca Digital Hispânica (BDH). A mesma contempla obras digitalizadas que compõem a Biblioteca Nacional de España com sede em Madrid, proporcionando acesso gratuito e livre a milhares de documentos, entre os quais livros que foram impressos entre os séculos XV e XIX, manuscritos, gravuras, desenhos, cartazes, folhetos, fotografias, mapas, partituras musicais e até mesmo gravações sonoras. 


A BDH foi criada em 2008 com o objetivo de difundir o patrimônio cultural espanhol e também de cumprir um compromisso estabelecido com a União Européia de contribuir com a Biblioteca Digital Européia, também conhecida como "Europeana", a qual já se encontra disponível em nossos "links interessantes" como Europeana Collections. A proposta é que esta ultima forneça um acesso único por meio da internet para as várias instituições culturais europeias (na imagem acima, mais uma obra de Rembrandt disponível no acervo de gravuras do artista holandês, "Ancião com gorro de pele e capa de veludo" de 1632).  
O caro leitor poderá imaginar que a BDH dispõe de um acervo restrito ao seu país de origem, a Espanha. Não! Claro que se a mesma tivesse a Espanha como referência exclusiva já justificaria plenamente a sua inclusão na nossa lista de links. Mas, como é importante lembrar, grande parte da América do Sul e Central foram colonizadas pelos espanhóis e todo aquele pesquisador interessado em conhecer a cultura latino-americana poderá recorrer a esse precioso acervo. 


Da mesma forma, engana-se aquele que imagina não existir na BDH nenhuma obra ou documento sobre o Brasil. Uma pesquisa simples será o suficiente para termos ideia do enorme material de pesquisa disponível sobre a história brasileira, como por exemplo, documentos do período colonial, livros de viajantes e também a coleção cartográfica (na imagem acima, uma planta do Rio de Janeiro feita por William Stevens em 1763, na mesma época em que a cidade se tornava sede do Governo Geral brasileiro). 


Para que o leitor tenha ideia da importância do acervo disponível são mais de 70 mil monografias, 13 mil manuscritos, 35 mil desenhos, gravuras e fotos, 30 mil partituras e quase 7 mil mapas disponíveis para consultas. Nem todo esse material está disponível online, cabendo ao pesquisador verificar se na catalogação se encontra ou não o ícone com o "cadeado". De qualquer forma, é mais um recurso disponível para todos os interessados em ampliar as suas informações e conhecimentos (no mapa acima, impresso na França em 1719, temos uma ideia da dimensão das capitanias brasileiras no início do século XVIII). 


E claro, a Espanha está presente no acervo da BDH, como por exemplo, através da fabulosa coleção de gravuras do artista espanhol Goya (na imagem acima, São Francisco de Paula, sem data).
A Biblioteca Digital Hispânica passa a fazer parte dos nossos Links Interessantes...

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Entrevista sobre a Castanha do Pará no Programa Santa Receita da TV Aparecida




Nesta semana tivemos a honra de participar do programa "Santa Receita" comandado pela simpática apresentadora Claudete Troiano e de poder falar ao seu grande público sobre a história da castanha-do-pará e do lançamento do livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação". Como é de conhecimento geral, Claudete Troiano (imagem acima) tem uma trajetória de sucesso na televisão brasileira inciando a sua carreira como apresentadora de programas infantis, foi atriz de telenovela, pioneira na participação das mulheres no jornalismo esportivo ao cobrir partidas de futebol na extinta Rádio Mulher (isso na década de 1970!!!!) e atuou durante praticamente duas décadas no conhecido programa "Mulheres" da TV Gazeta ao lado da também apresentadora Ione Borges. Desde 2014 comanda o programa diário "Santa Receita" na TV Aparecida que atinge com grande sucesso todo o território nacional. 


A experiência e o conhecimento da apresentadora contribuíram em muito para o bom andamento da entrevista. Na mesma pudemos expor algumas curiosidades sobre a castanha-do-pará, também conhecida como castanha do Brasil, o início da sua exploração econômica ainda no período colonial, o sucesso do produto no mercado externo, as várias possibilidades de aproveitamento da amêndoa e os problemas referentes ao desmatamento, que contribuíram para que o Brasil perdesse a condição de maior produtor para a Bolívia. Na entrevista estive acompanhado pela nutricionista Patrícia Palandi que informou a respeito das qualidades nutritivas da castanha-do-pará e das propriedades da mesma no combate ao envelhecimento. 
Um dos aspectos que despertou a curiosidade da apresentadora e da própria nutricionista foi o azeite obtido a partir da amêndoa da castanha. Felizmente pude levar uma garrafa do mesmo que ganhei ao visitar uma cooperativa de produtores de castanha na cidade de Laranjal do Jari, no sul do estado do Amapá. A dificuldade em encontrar esse azeite deve-se ao fato de sua pequena produção, uma vez que o mesmo é obtido a partir das castanhas que são rejeitadas no processo de beneficiamento por estarem quebradas. 


Além do destaque que a apresentadora deu ao lançamento do livro (imagem acima) também pudemos convidar os telespectadores para uma visita ao blog História Mundi. Ou seja, fui ao programa para divulgar o livro e acabei divulgando o blog também!
Aos que não tiveram a oportunidade de assistir a entrevista, não se preocupem! Abaixo deixo os links do próprio programa na TV Aparecida e também no Youtube onde o mesmo ficará disponível. 
No próprio site da TV Aparecida:
http://www.a12.com/tv-aparecida/multimidia/detalhes/santa-receita-livro-revela-como-a-castanha-do-brasil-ganhou-o-mundo
No Youtube: 
https://www.youtube.com/watch?v=K6zx7A9OypE&feature=share

Crédito das imagens: equipe de produção do programa Santa Receita da TV Aparecida.


Santa Receita | Livro revela como a Castanha-do-Brasil ganhou o mundo!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

A Castanha do Pará na TV Aparecida



No próxima semana estaremos na TV Aparecida no programa "Santa Receita" apresentado por Claudete Troiano, para gravar uma entrevista a respeito do lançamento do meu livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação". A mesma também contará com a participação da nutricionista Patrícia Palandi que irá falar sobre a castanha-do-pará na alimentação. 
Atenção, a entrevista irá ao ar no dia 4 de maio próximo (quinta-feira) às 15 horas. A TV Aparecida é sintonizada em todo o Brasil por antena parabólica e também através dos seguintes canais por assinatura: Net 195, Sky 178 e 374, entre outros. Em São Paulo e na Grande São Paulo pelo canal digital 41.1. 
Convido a todos a verem a entrevista e a prestigiarem o programa, que traz dicas e informações sobre saúde, culinária, artesanato e assuntos do cotidiano, com a apresentadora Claudete Troiano, conhecida por gerações de telespectadores e que dispensa apresentações.
Aguardo todos vocês...

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Anúncio Antigo 45: Curativos Band-Aid



Caro leitor, eis mais um produto que as guerras ajudaram a aperfeiçoar para o uso em nosso cotidiano. Mas, neste caso específico, o mesmo já era comercializado antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). De acordo com o escritor Marcelo Duarte em seu "O Livro das Invenções" (Cia. das Letras, 1997) tudo começou com uma jovem "dona de casa" (termo um tanto quanto fora de moda, mas enfim) Josephine Dickson, que dava os seus primeiros passos como "rainha do lar" (outro termo que hoje não é muito apropriado) e que vivia machucando as mãos com cortes ou queimaduras. Coincidentemente, o seu marido Earle Dickson trabalhava na maior fabricante de curativos cirúrgicos dos Estados Unidos, a conhecida multinacional Johnson & Johnson. 
O esposo de Josephine sabia mais do que ninguém como fazer curativos. O problema era quando ele não se encontrasse em casa para socorre-la, caso se machucasse. Foi então que Dickson teve a ideia de deixar curativos prontos para Josephine utiliza-los. Para isso, o prestativo esposo fez várias combinações tentando juntar a gaze com o esparadrapo, a fim de que sua esposa pudesse colocar o curativo com apenas uma das mãos. Primeiro ele esticou um pedaço de esparadrapo sobre a superfície da mesa deixando o lado adesivo para cima, dobrando em seguida um pequeno pedaço da gaze e colocando-o bem no meio do esparadrapo. O problema era deixar o esparadrapo aberto por muito tempo, pois a superfície adesiva poderia secar. Dickson testou vários tecidos para recobrir a fita adesiva e acabou encontrando a crinolina, parecido com o cetim e que se adaptou muito bem. Para utilizar o curativo bastava Josephine remover a crinolina e cobrir o corte. 


Earle Dickson (foto acima) apresentou a ideia aos executivos da companhia e estava lançado o curativo de primeiros socorros Band-Aid. Até 1920 o produto era comercializado sem esse nome. W. Jonhson Kenyon, superintendente da já citada indústria, sugeriu o nome bandaid, da junção de band (faixa) e aid (socorro ou ajuda). Aliás, Dickson progrediu na empresa e chegou a vice-presidente, cargo que ocupava quando se aposentou em 1957. Em 1933, a Johnson & Johnson veio para o Brasil trazendo o curativo Band-Aid e o Band-Aid líquido, vendidos inicialmente para hospitais. Em 1947, portanto logo após à Segunda Guerra onde foi utilizado em larga escala, o produto foi lançado para vendas diretas ao consumidor.  O nome band-aid passou a ser referência para qualquer tipo de curativo, da mesma forma que aconteceu com outras marcas como Gillette, Xerox e Jeep. Em outros lugares, esse mesmo tipo de curativo é conhecido como emplastro. 
A Anuncio Antigo de hoje foi publicado na revista "O Cruzeiro" de 11 de outubro de 1958, página 10. Ah, por razões técnicas tive de fazer um corte no chuveiro que estava na parte superior do anúncio. Isso porque o Band-Aid, entre outras qualidades "não solta n'água"...
Foto de Earl Dickson:
https://www.kilmerhouse.com/2008/09/how-to-use-a-band-aid-brand-adhesive-bandage





segunda-feira, 17 de abril de 2017

Mapa-Múndi Medieval




O mapa acima foi confeccionado no ano de 1220 por um padre espanhol, mas o detalhe interessante vai além disso. Trata-se de uma cópia de outro mapa mais antigo, do século VIII da nossa era, ou seja, da Alta Idade Média dos tempos do Império Carolíngio (fundado por Carlos Magno). A observação do mesmo não deve se ater aos aspectos relativos ao grau de precisão, embora isso também possa ser discutido e analisado, mas sim para a simbologia que transparece no mesmo, reveladora da mentalidade profundamente influenciada pelo pensamento cristão da época. 
Na imagem do mapa (acima) aparecem vários números (sobrepostos nos tempos atuais, claro), que indicam os locais de referência fundamentais do cristianismo para aqueles que se dispusessem (ou tivessem a rara oportunidade) de ver de perto o mapa naqueles tempos. Se o caro leitor clicar sobre a imagem poderá observar esses números com maior nitidez. Também a indicação do ponto Norte aparece em uma sobreposição moderna (na parte superior esquerda do mapa). Vamos lá?

1. Localização do Jardim do Éden. Conforme descrições da Bíblia o ambiente natural onde teriam vivido Adão e Eva (os quais, aliás, aparecem no desenho) estaria localizado nas proximidades da antiga Mesopotâmia (Iraque atual) e o mapa parece coerente com tal concepção.
2. A cidade de Jerusalém. Era muito comum nos mapas medievais Jerusalém estar representada no centro do mundo. Por razões óbvias é a referência maior da cristandade em termos geográficos, lugar onde Jesus Cristo foi crucificado, mas também cidade sagrada para os judeus e muçulmanos. 
3. O mar Mediterrâneo. Aqui ele está representado como se fosse um canal. Como sabemos, o mesmo é o berço das grandes civilizações ocidentais e não poderia deixar de ser mostrado.
4. O rio Nilo. Se o leitor olhar com atenção, o delta (foz) do rio também está representado. Um detalhe, as nascentes do mesmo, motivo de controvérsia até a era do imperialismo europeu na segunda metade do século XIX, são representadas (erroneamente) como sendo localizadas na atual Etiópia. 
5. A antiga península do Hindustão ou atual Índia, em uma proporção muito menor do que de fato é.
6. O continente africano. 
7. Constantinopla. Como se sabe, essa cidade era, na época em que o mapa foi concebido (e também copiado) capital do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino. Fundada pelo imperador Constantino (que foi o primeiro governante romano a se converter ao cristianismo), atualmente é a cidade mais importante da Turquia (com o nome de Istambul).
8. E claro, Roma. Apesar do desaparecimento definitivo do Império Romano do Ocidente no século V e da cidade ter sofrido um forte decréscimo populacional no milênio medieval, Roma abrigava a autoridade do bispo superior da cristandade: o papa. Tornou-se também a sede dos territórios da Itália central que estavam sob sua jurisdição: os Estados Papais. 

Bem, existem outros pontos importantes que estão localizados no mapa, como por exemplo, a Babilônia, a Judeia (atual Israel e territórios palestinos), a península da Anatólia (atual Turquia), a Gália (atual França) e a península Ibérica (onde hoje estão Portugal e Espanha) na parte inferior do mapa. O mundo era concebido como uma massa plana e cercada de água. Evidentemente, a América, boa parte da Ásia, a Oceania e a Antártida não estão registrados. A cartografia não está imune a fatores religiosos, ideológicos e políticos. Não é técnica pura, como podemos observar neste exemplo. 
Crédito da imagem: The Life Millennium: The 100 most important events & people of the past 1,000 years. Life Books: New York, 1998, p. 9. 

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Entrevista sobre a Castanha-do-Pará na Rádio Unesp FM


Aos que acompanham a página do blog História Mundi é com grande satisfação que envio-lhes o áudio da minha entrevista para o programa Perfil da Rádio Unesp FM onde falo sobre o livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação". 
O link para o mesmo é: 
http://podcast.unesp.br/perfil-13042017-jose-jonas-almeida-entrevista-2741

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Imagens Históricas 22: Rua Libero Badaró






"Morre um liberal, mas não morre a liberdade!" Costuma-se afirmar que o médico e jornalista Libero Badaró teria dito essa frase momentos antes de morrer, vítima de um tiro disparado à queima-roupa na antiga rua de São José, que se tornou depois rua Libero Badaró, no centro da cidade de São Paulo. Nessa mesma rua (acima, a rua durante o dia e à noite, em fotos tiradas por autor desconhecido em 1931) o jornalista, de origem italiana, fixou residência após vir morar no país. O crime é considerado como o primeiro atentado contra a liberdade de imprensa na história do Brasil. Para variar, os seus autores não foram punidos! Algo normal em se tratando da sociedade brasileira tradicional, ainda mais quando o principal acusado pelo crime era o desembargador-ouvidor Candido Ladislau Japi-Assú. O tempo de 24 horas transcorridos da emboscada armada contra o jornalista até a sua morte foram suficientes para que Libero Badaró denunciasse o autor do disparo, o imigrante alemão Henrique Stock e o mandante do crime, o citado desembargador. 



O crime teve repercussões políticas que respingaram na figura do então governante do Brasil, o imperador D. Pedro I (na imagem acima, em uma gravura de 1830 por Henri Grevedon), uma vez que Badaró havia feito apologias em seu jornal a respeito da queda do rei francês Carlos X, exaltando os paulistanos a comemorarem o evento. Como se sabe, o rei francês tentou restaurar o velho absolutismo, o que provocou uma violenta reação da população parisiense na Revolução Liberal de 1830, levando à deposição do mesmo. Inevitável a associação que os liberais aqui no Brasil faziam do rei francês com o nosso então imperador. O próprio cortejo fúnebre de Libero Badaró já era uma demonstração da repercussão política do fato, tomando ao todo a distância de 1,2 quilômetros que separava a residência do jornalista e a Capela da Ordem Terceira do Carmo, no antigo centro da cidade de São Paulo, que tinha algo em torno de 10 mil habitantes. 
Giovanni Battista Libero Badaró nasceu em 1798, em uma vila próxima à cidade de Gênova no que atualmente constitui a Itália (na época o país ainda não era unificado). O pai também era médico e tinha uma imensa biblioteca. Badaró estudou em Gênova e Bolonha, formando-se em medicina no ano de 1825 pela Universidade de Turim. Logo em seguida viajou e em 1826 desembarcou no Brasil. Embora fosse jovem, aparentava ser mais velho com as suas longas suíças (costeletas) e óculos arredondado. O médico foi atraído a este país, que há pouco se tornara independente de Portugal sendo governado por um imperador tido como liberal, mas que governava com uma Constituição imposta por ele mesmo. 
No Rio de Janeiro, Libero Badaró fez amizade com outro jornalista, o liberal Evaristo da Veiga, que fazia oposição ao avanço das forças conservadoras que começaram a se aglutinar em torno de D. Pedro I, como por exemplo, o chamado "partido português", que como o nome indicava, era representado pela colônia lusitana, que ainda era influente politicamente. À medida em que se isolava dos políticos brasileiros, D. Pedro assumia uma postura cava vez mais autoritária, na visão da oposição.



Em 1828, Libero Badaró chegou a São Paulo, onde a onda conservadora se tornava cada vez mais forte e truculenta (no documento acima, na parte inferior direita, a assinatura de Badaró). O governador era o bispo Dom Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade, que ocupava o cargo de forma interina. O comandante de armas era o Coronel Carlos Maria de Oliva e o chede do judiciário era o desembargador e ouvidor Candido Ladislau Japi-Assú, que logo tornou-se inimigo de Badaró. Por outro lado, a cidade, ainda provinciana, começava a reunir um núcleo de tendências mais liberais formados pela pequena burguesia, por estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco e pelos integrantes da Câmara Municipal. 
Em 23 de outubro de 1829, Badaró lançou o pequeno jornal "Observador Constitucional", um bissemanário de quatro páginas e que era impresso nas oficinas de outro jornal, "O Farol Paulistano", de José da Costa Carvalho, futuro regente do Império. O tabloide de Libero Badaró tornou-se uma espécie de canal de comunicação da oposição ao grupo conservador, que estava abrigado no poder. Em função disso, o jornalista italiano era mal visto junto a esse grupo, tanto que os seus amigos mais próximos recomendavam que ele não andasse sozinho pelas ruas da cidade, sobretudo durante a noite. 



No dia 20 de novembro de 1830, exatamente à noite, Libero Badaró voltava para a sua casa na rua São José, número 17, sozinho... (na plano urbano acima, do século XIX, o número 17 aponta o local onde morava Badaró). Aproximadamente entre as 10 e meia e 11 horas da noite, o jornalista notou dois homens sentados perto de sua casa. Os homens se levantaram, se aproximaram de Badaró e perguntaram:
- O senhor é o doutor João Baptista Badaró? O jornalista respondeu:
- Sim! 
Em seguida os dois indivíduos disseram:
- Estamos aqui da parte do ouvidor... 
Logo na sequência, antes que Badaró começasse a retrucar, o mesmo sentiu em sua barriga o impacto de um tiro. Os ferimentos internos foram gravíssimos e o jornalista passou 24 horas em terrível agonia, mas que foi o tempo suficiente para que um juiz o interrogasse. Badaró relatou que o indivíduo que atirou tinha sotaque alemão e de que o mandante teria sido o desembargador-ouvidor Candido Ladislau Japi-Assú. Uma testemunha, nada mais nada menos do que o escrivão da ouvidoria, relatou que ouviu o próprio desembargador jurar matar o jornalista. Na verdade, como se soube depois, o crime foi cuidadosamente planejado, sendo contratados o tenente Carlos José da Costa e o alemão Henrique Stock, vindos do Rio de Janeiro, especialmente para serem os executores do jornalista. 



Na manhã do dia 21 de novembro de 1830, Libero Badaró faleceu (na imagem acima, o jornalista em seu leito de morte, em uma gravura de Hercole Florence). A morte do jornalista teve repercussão rápida na pequena São Paulo de 1830 e logo os autores do crime foram detidos. O ouvidor-desembargador Japi-Assú teve que se refugiar na casa do comandante militar até ter a sua saída negociada com as lideranças da província de São Paulo, entre elas o futuro regente e padre Diogo Antônio Feijó. A pretexto de que a sua integridade física estava ameaçada e de que teria foro privilegiado, Japi-Assú foi levado para a Corte do Rio de Janeiro, onde permaneceu sob escolta até o julgamento. 
Aquele que foi acusado de ser o autor material do crime, o alemão Henrique Stock foi julgado em São Paulo e condenado. Contudo, diante da absolvição de Candido Ladislau Japi-Assú pelos seus pares no Rio de Janeiro, o alemão obteve uma apelação e também foi absolvido em 1831. Ou seja, o crime ficou impune. 


Como afirmamos anteriormente, Libero Badaró é tido como o primeiro jornalista assassinado em nosso país em virtude de seu ofício. Em 1889 a urna com os seus restos mortais foi transferida da Capela do Carmo para o Cemitério da Consolação, também na capital paulista, onde se encontra atualmente, podendo ser visitada por qualquer cidadão (foto acima).
Bem, após a morte de Libero Badaró a posição política do imperador Dom Pedro I começou a se deteriorar. O monarca perdeu a sustentação interna entre os líderes políticos brasileiros. A rivalidade entre portugueses (pró D. Pedro) e nacionais (contra) chegou a ganhar as ruas, em episódios como "A Noite das Garrafadas" em 1831. Diante da iminência de uma rebelião das tropas, D. Pedro I abdicou (renunciou) ao trono do Brasil em 7 de abril de 1831. Para muitos o verdadeiro dia da nossa independência, uma vez que deixava o país o ultimo governante português. D. Pedro retornou a Portugal para uma luta contra o seu próprio irmão, D. Miguel, pelo trono português. E o curioso, comandando as forças liberais! O ex-imperador do Brasil levou a melhor e se tornou D. Pedro IV, rei de Portugal. D. Pedro teria dito na época: "é melhor ser quarto em Portugal do que primeiro no Brasil". Tal afirmação nunca foi confirmada, mas é preciso destacar que os liberais lançaram muitas criticas a D. Pedro, as quais nunca tiveram confirmação de fato, como a ideia de promover uma nova união com Portugal sob a sua liderança. Deve-se lembrar também que o primeiro governante do Brasil foi um inimigo da escravidão e defendia a sua extinção, algo que, na época, ia contra os interesses dos grandes proprietários. A figura de D. Pedro talvez mereça uma revisão histórica. 
Quase um século depois, em 7 de abril de 1908 foi fundada a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a data passou a ser comemorada como o "Dia do Jornalista". Libero Badaró deve ser lembrado não apenas como um cidadão que fazia oposição a um governo autoritário, mas também como um homem que o fez dentro de suas convicções e sem subterfúgios. Pagou com a própria vida por sua integridade.
Esta pequena postagem utilizou muitas informações de um texto escrito por Carlos Alves Muller da Associação Nacional dos Jornais e doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília (UnB), que foi publicado no jornal Gazeta do Povo em 19.11.2010. O link para o artigo é:
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/ha-180-anos-libero-badaro-era-assassinado-10dsqhyy4db5fgoik4wwj94r2
Crédito das imagens: 
Fotos da rua Libero Badaró de 1931:São Paulo: de vila a metrópole. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2012, pags. 44 e 45. 
Fotos da assinatura de Libero Badaró e do mapa assinalando o antigo local de sua residência: livro Libero Badaró de Augusto Goeta. Disponível em: 
http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/badaro.html
Túmulo de Libero Badaró no cemitério da Consolação:
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/ha-180-anos-libero-badaro-era-assassinado-10dsqhyy4db5fgoik4wwj94r2
Imagens de D. Pedro I e Libero Badaró: D. Pedro I de Isabel Lustosa. Série perfis brasileiros. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. 


sábado, 8 de abril de 2017

O livro "A Castanha do Pará na Amazônia" no site História Hoje



Um comentário sobre o meu livro "A Castanha do Pará na Amazônia" está no site História Hoje da jornalista Márcia Pinna Raspanti e da historiadora Mary Del Priori. Aproveito para deixar a todos os meus seguidores e leitores o convite para o lançamento (imagem acima).
Não deixem de ver o artigo e o próprio site que é excelente. 
O endereço é:
http://historiahoje.com/castanha-do-para-da-amazonia-para-o-mundo/?fb_action_ids=1478737645532747&fb_action_types=news.publishes

terça-feira, 4 de abril de 2017

O Livro "A Castanha do Pará na Amazônia": Destaque na Mídia





O "Jornal da USP" desta semana traz com grande destaque o lançamento do meu livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação". A matéria do jornalista Denis Pacheco ressalta como a castanha-do-pará conquistou o gosto do público inglês e norte-americano desde o final do século XVIII até hoje, sendo conhecida como Brazil nut. As dificuldades para a extração da mesma na floresta amazônica; os vários usos dados ao produto, sobretudo na confecção de doces e na culinária de modo geral; as campanhas publicitárias (imagens acima) promovidas pela Brazil Nut Association, associação criada em 1934 pelos importadores norte-americanos para divulgar a castanha junto ao público e as donas de casa nos Estados Unidos e o desmatamento nas bordas da Amazônia, que prejudicou a produção e tirou do Brasil a condição de maior exportador (que hoje pertence à Bolívia). Repleto de imagens e fotos que foram selecionadas especialmente para a matéria, a reportagem ajuda a divulgar uma das maiores riquezas naturais da Amazônia.
O link para o mesmo é:
http://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/direto-da-amazonia-livro-revela-como-a-castanha-do-para-ganhou-o-mundo/
A matéria também pode ser acessada por meio da página inicial do jornal "O Estado de S. Paulo" de hoje (dia 4 de abril):
http://www.estadao.com.br/


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Lançamento do Livro "A Castanha-do-Pará na Amazônia"



Já está disponível o livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação", de minha autoria e publicado pela Paco Editorial. Trata-se do trabalho originário de nossa tese de doutoramento em História Econômica defendida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) em 2014. 
A extração da castanha-do-pará, conhecida no exterior como Brazil nut, se constituiu numa das atividades mais importantes e tradicionais da Amazônia. A amêndoa (semente da castanheira) é apreciada nos Estados Unidos e na Inglaterra, sobretudo nas festividades de final de ano, como o Halloween e o Natal. Desde a primeira metade do século XIX, os ingleses tentaram controlar a domesticação da planta, a partir do Real Jardim Botânico de Londres. Mas, ao contrário do que ocorreu com a seringueira, a Bertholletia excelsa (designação científica da castanheira) não mostrou boa adaptação fora das condições naturais e ecológicas da floresta amazônica. O êxito no processo de domesticação, a fim de possibilitar o seu cultivo, coube aos cientistas e agrônomos brasileiros. Desde a década de 1970, o desmatamento da floresta amazônica contribuiu para que o Brasil perdesse a condição de maior produtor, cabendo hoje tal posição à Bolívia. 
O livro percorre a história do produto, a sua importância para as populações da Amazônia, o difícil e perigoso trabalho de extração do fruto, o processamento e beneficiamento do mesmo e as possibilidades que a castanha-do-pará ainda oferece, sobretudo na indústria de cosméticos e de alimentos. A exploração da castanha constituiu-se, sobretudo nas décadas de 1920 e 1930, em importante alternativa econômica para a região, sobretudo após o declínio da borracha. A castanha-do-pará chegou a superar a goma elástica como principal produto da Amazônia. 




Durante muito tempo existiu o temor que acontecesse com a castanha-do-pará o mesmo que ocorreu com a seringueira, ou seja, que tivesse as suas sementes contrabandeadas para o exterior e que a planta fosse domesticada em outro lugar. O que não se sabia, e eu revelo isso nesse trabalho, é que as sementes da castanheira-do-pará já haviam sido levadas para fora antes mesmo da seringueira. Várias tentativas foram feitas pelos ingleses a fim de conseguir a domesticação da castanheira, com sementes levadas para a Jamaica, Trinidad e Tobago e, finalmente, para o Real Jardim Botânico de Kew, em Londres, ainda no século XIX. Dos viveiros desse jardim, as sementes foram enviadas para o Ceilão (atual Sri Lanka), para a Malásia e até para a Austrália (na foto acima, o fruto da castanheira que contém as sementes ou castanhas, obtidas em cultivo experimental na Malásia). Contudo, a castanheira da Amazônia não mostrou boas condições de adaptação e produção de frutos fora de seu ambiente natural, ou seja, a própria floresta amazônica. Algo bem diferente do que ocorreu com a seringueira.



Apesar das tentativas iniciais de domesticação da planta não apresentarem bons resultados, algo que foi realizado em definitivo pelos técnicos e engenheiros agrônomos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a amêndoa ou castanha propriamente dita fez sucesso no exterior. Presente no mercado inglês desde o final do século XVIII e no norte-americano no início do seculo seguinte, a castanha-do-pará participa, ao lado das outras amêndoas e nozes, do grupo de produtos associados às festas de final de ano e também como complemento de pratos em geral, como assados, suflês, bolos, doces e chocolates (na foto acima, livreto de receitas utilizando a castanha-do-pará publicado nos Estados Unidos na década de 1940). 



O livro também descreve as várias tentativas de melhorar o beneficiamento e o aproveitamento do produto a nível interno, algo que apenas recentemente tem sido obtido. Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em função do bloqueio do mercado externo, algumas campanhas foram realizadas para tornar a castanha-do-pará mais conhecida dos brasileiros do sul (na foto acima, o presidente Getúlio Vargas observa o ouriço ou fruto da castanheira, durante visita feita ao Pará em 1940). Por décadas o município de Marabá, no sudeste do estado do Pará, foi o grande centro produtor de castanhas.
Em breve o livro estará disponível nas livrarias e o lançamento oficial será comunicado aos amigos leitores. Mas para aqueles já interessados em adquirir a obra, é só entrar no site da Paco Editorial: 
http://editorialpaco.com.br/
Ao entrar clique na Livraria Virtual e acesse o livro pelo título ou autor. 
Crédito das Imagens: 
Extraídas do livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação" de José Jonas Almeida. Paco Editorial, 2016, pags. 185 (livro de receitas), 230 (frutos da castanheira-do-pará obtidos na Malásia) e 286 (Getúlio Vargas segura o ouriço ou fruto da castanheira-do-pará). 


domingo, 22 de janeiro de 2017

O Centenário da Revolução Russa na USP





Caro leitor, no decorrer de 2017 estão sendo lembrados os 100 anos da Revolução Russa. Trata-se de um fato histórico que influenciou profundamente o século XX, a ponto do mundo chegar a estar dividido em governos que seguiam direta ou indiretamente o regime adotado na União Soviética (nome dado aos territórios que, basicamente, compreendiam o Império Russo antes de 1917) e os países de economia capitalista. Foi a época do mundo bipolar, que durou até 1991. 
Para discutir o significado que a Revolução Russa teve e a profunda influência da mesma sobre o mundo, o Departamento de História da FFLCH da USP organizou um ciclo de palestras e debates que deverá ocorrer entre os dias 3 e 6 de outubro próximos, no próprio Departamento de História na Cidade Universitária em São Paulo. O professor Rodrigo Ricupero, um dos organizadores do evento divulgou o cronograma e as apresentações dos expositores já programadas. Da mesma forma, o site para as inscrições já foram divulgados.
Os participantes são professores, pesquisadores e intelectuais familiarizados com o tema, que estão associados a várias linhas de pensamento e pontos de vista sobre o assunto. Ao contrário do que possa parecer, os acontecimentos de 1917 deixaram marcas até o momento presente quando se discute o tipo de Estado capaz de gerir o destino das nações do planeta e da menor ou maior participação do mesmo na economia e na sociedade. A questão que separa Estado e mercado está na "ordem do dia" em termos de importância e por isso discutir a Revolução de 1917 é algo fundamental para que tenhamos subsídios a esse debate. O papel exercido pela Russia atual guarda também um forte legado dos tempos da União Soviética, a começar pela própria origem do seu atual líder, Vladimir Putin. Portanto, é impossível dissociar isso do passado soviético e, com certeza, o encontro ajudará a reunir elementos para a compreensão dessa realidade. 
Segue abaixo o cronograma do evento e o endereço eletrônico para as inscrições (que darão direito a certificados): 

1917-2017 Centenário da Revolução Russa
CEM ANOS QUE ABALARAM O MUNDO
Simpósio Internacional - Departamento de História (FFLCH) da Universidade de São Paulo - Cidade Universitária - 3 a 6 de outubro de 2017

PROGRAMAÇÃO
3ª. Feira / 3 de outubro
9:00 hs. (AH): A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO ENTRE UTOPIA E HISTÓRIA: Osvaldo Coggiola (Universidade de São Paulo) Debatedor: Rodrigo Ricupero
9:00 hs. (ANS): MARX E A RÚSSIA: Danilo Nakamura, Ricardo Martins Rizzo, Paulo Barsotti, Luis Antonio Costa
9:00 hs. (AG): POPULISMO E MARXISMO NA RÚSSIA: Lúcio Flavio de Almeida, Cláudio Maia, André Keysel, Henrique Canary, Ramón Peña Castro
9:00 hs. (CPJ): A REVOLUÇÃO RUSSA E AS EDIÇÕES MARXISTAS: Marisa Midori Deaecto, Lincoln Secco, Flamarion Maués, Dainis Karepovs
9:00 - 13:00 (SV): Comunicações Livres
14:00 hs. (AH): A CONTROVÉRSIA ENTRE ESLAVÓFILOS, OCIDENTALISTAS E EURASIANISTAS: Angelo Segrillo, Giuliana T. de Almeida, Priscila Nascimento Marques, Lucas Simone
14:00 hs. (AG): REVOLUÇÃO SOVIÉTICA, MEIO AMBIENTE E ORGANIZAÇÃO ESPACIAL: Elvio Rodrigues Martins, Ruy Moreira, Carlos Walter Porto Gonçalves, Douglas Santos
14:00 hs. (ANS): A REVOLUÇÃO SOVIÉTICA E A EDUCAÇÃO: Ana Paula Hey, Ítalo de Aquino, Roberto Lehrer, Julio Turra, César Minto
14:00 hs. (CPJ): A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO E A EMANCIPAÇÃO DOS JUDEUS: Arlene Clemesha, Saul Kirschbaum, Samuel Feldberg, Jayme Brener
17:00 hs. (AH): REVOLUÇÃO RUSSA E INTELECTUAIS BRASILEIROS: Luiz Bernardo Pericás, Deni Rubbo, Rafael Bivar Marquese, Angelica Lovatto
17:00 hs. (AG): ROSA LUXEMBURGO, GEORG LUKÁCS, WALTER BENJAMIN E A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO: Isabel Loureiro, Jorge Grespan, Francisco Alambert, Wolfgang Leo Maar
17:00 hs. (ANS): UMA “REVOLUÇÃO CONTRA O CAPITAL”? GRAMSCI E A REVOLUÇÃO RUSSA: Álvaro Bianchi (Unicamp) Debatedor: Cícero Araújo
17:00 hs. (CPJ): A NOVA POLÍTICA ECONÔMICA (NEP) 1921-1929: Joana Salem Vasconcellos, Marcos Cordeiro Pires, Luiz E. Simões de Souza, Alexandre Freitas Barbosa
17:00 hs. (SV): A REVOLUÇÃO E A URSS EM CONTRACULTURAS: Adrián Pablo Fanjul, Andréia Menezes, Larissa Locosselli, José Mauricio Rocha
19:30 hs. (AH): A CULTURA E AS ARTES NA UNIÃO SOVIÉTICA: Clara de Freitas Figueiredo, Thyago Marão Villela, Peterson Pessoa, Gilberto Maringoni, Luiz Renato Martins
19:30 hs. (ANS): CAMPESINATO E QUESTÃO AGRÁRIA NA RÚSSIA: Ariovaldo Umbelino de Oliveira, Manoel Fernandes, Carlos Borba, Valéria De Marcos
19:30 hs. (AG): 1917 EM SÃO PAULO, GREVE GERAL: Cláudio Batalha, Christina Roquette Lopreato, Luigi Biondi, Eujacio Silveira, Bruno Rodrigo
19:30 hs. (CPJ): A REVOLUÇÃO RUSSA E OS EUA: Sean Purdy, Mary Anne Junqueira, Elizabeth Cancelli, Rodrigo Medina Zagni
4ª. Feira / 4 de outubro
9:00 hs. (AH): REVOLUÇÃO RUSSA E REVOLUÇÃO ALEMÃ: Ricardo Musse, Rosa Rosa Gomes, Luiz Enrique Vieira de Souza, Felipe Demier, Fabio Mascaro Querido
9:00 hs. (ANS): A REVOLUÇÃO RUSSA E O CINEMA: Marcos A. Silva, Marcos Napolitano, Mauricio Cardoso, Wagner Pinheiro Pereira, Alessandro Gamo
9:00 hs. (AG): A REVOLUÇÃO SOVIÉTICA E O EXTREMO ORIENTE: Andrea Longobardi, Wladimir Pomar, Luciano Martorano, Shu Sheng, Fernando Leitão
9:00 hs. (CPJ): JOHN REED E OUTRAS ESCRITAS SOBRE A REVOLUÇÃO: Daniel Puglia, Marcos César de Paula Soares, Tercio Redondo, Rosângela Sarteschi
9:00 - 13:00 (SV): Comunicações Livres
14:00 hs. (AH): A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO E OS BÁLCÃS: Savas Michael-Matsas (Centro Christian Rakovsky, Atenas) Debatedor: Tibor Rabockzai
14:00 hs. (ANS): DA COMUNA AOS SOVIETS, DE MARX A MARCUSE: Wolfgang Leo Maar (Universidade Federal de São Carlos) Debatedora: Sara Albieri
14:00 hs. (AG): A DERROTA DO OUTUBRO ALEMÃO: Bernhard Bayerlein (Bochum Universität) Debatedora: Isabel Loureiro
14:00 hs. (CPJ): A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO E O MUNDO ÁRABE E MUÇULMANO: Reginaldo Nasser, Malcon Arriaga, Aldo Sauda, Paulo Farah
14:00 hs. (SV): CAPITAL FINANCEIRO E IMPERIALISMO, GUERRA MUNDIAL E REVOLUÇÃO: Edmilson Costa, Sofia Manzano, Apoena Cosenza, Fátima Previdelli
17:00 hs. (AH): REVOLUÇÃO RUSSA E REVOLUÇÃO MUNDIAL: REVOLUÇÃO PERMANENTE? Daniel Gaido (Universidad de Córdoba) Debatedor: João Machado
17:00 hs. (AG): CONSELHISTAS, ANARQUISTAS E REVOLUÇÃO RUSSA: Margareth Rago, Felipe Correa, Gabriel Zacarias, Ricardo Rugai
17:00 hs. (ANS): REVOLUÇÃO SOVIÉTICA E REVOLUÇÃO ESPANHOLA: Antônio Rago, Ana Lúcia Gomes Muniz, Fernando Camargo, Ivan Rodrigues Martin, Ismara Izepe de Souza
17:00 hs. (CPJ): A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO E O IMPÉRIO OTOMANO: Heitor Carvalho Loureiro, José Farhat, Ramez Philippe Maaluf, Soraya Misleh, Nelson Bacic Olic
19:30 hs. (AH): REVOLUÇÃO RUSSA E INTELECTUALIDADE EUROPEIA: Vladimir Safatle - Paulo Arantes (Universidade de São Paulo)
19:30 hs. (ANS): O BOLCHEVISMO: AVATAR POLÍTICO OU ALTERNATIVA HISTÓRICA? Jorge Altamira (Universidad Obrera, Buenos Aires) Debatedor: Antonio Bertelli
19:30 hs. (AG): A URSS E A REVOLUÇÃO CUBANA: Áquilas Mendes, Ramón Peña Castro, Carlos Alberto Barão, José R. Mao Jr, Stella Grenat (Universidad de Buenos Aires)
19:30 hs. (CPJ): O PCB E A UNIÃO SOVIÉTICA: Milton Pinheiro, Carlos Fernando Quadros, Marcus Dezemone, Augusto Buonicuore, Marly Vianna
5ª. Feira / 5 de outubro
9:00 hs. (AH): REVOLUÇÃO E CIÊNCIA SOVIÉTICA: Pedro Ramos, Gildo Magalhães, João Zanetic, Marcia Regina Barros da Silva, Francisco de Assis Queiroz, Douglas Anfra
9:00 hs. (AG): LITERATURA RUSSA E REVOLUÇÃO: Arlete Cavaliere, Noé Oliveira Policarpo Polli, Fatima Bianchi, Mário Ramos Francisco Jr, Quezia Brandão
9:00 hs. (ANS): OS ESPORTES NA UNIÃO SOVIÉTICA: Flávio de Campos, Luiz Henrique de Toledo, Wagner Xavier Camargo, José Carlos Marques
9:00 hs. (CPJ): OPOSIÇÃO DE ESQUERDA E TROTSKISMO NO BRASIL: Tullo Vigevani, Dainis Karepovs, José Castilho Marques Neto, Felipe Gallindo, Iram Jácome Rodrigues
9:00 - 13:00 (SV): Comunicações Livres
14:00 hs. (AH): AS MULHERES NA REVOLUÇÃO RUSSA: Joana El-Jaick Andrade, Alana Moraes, Daniela Mussi, Diana Assunção, Iole Ilíada
14:00 hs. (AG): LYSSENKO E O DRAMA DA GENÉTICA SOVIÉTICA: Boris Vargaftig (ICB – USP) Debatedor: Carlos Winter
14:00 hs. (ANS): O BOLCHEVISMO, A COMINTERN E A QUESTÃO NEGRA: Emerson Santos, Wilson Honório da Silva, Eduardo Januário, Fernando Frias, Aruã de Lima
14:00 hs. (CPJ): ITÁLIA: CONSELHOS OPERÁRIOS E PARTIDO COMUNISTA: José Luiz del Roio, Francesco Schettino (Università di Napoli), Silvia De Bernardinis, Elisabetta Santoro
14:00 hs. (SV): HUMOR RUSSO E HUMOR SOVIÉTICO: Elias Thomé Saliba (Universidade de São Paulo) Debatedor: Francisco Alambert
17:00 hs. (AH): A UNIÃO SOVIÉTICA E A ÁFRICA: Marina Gusmão de Mendonça, Leila Hernandez, Maria Cristina Wissenbach, Tânia Macedo, José Luiz Cabasso, Carlos Alberto Barão
17:00 hs. (AG): A REVOLUÇÃO RUSSA E PORTUGAL: Raquel Varela (Universidade Nova de Lisboa) Debatedor: Lincoln Secco
17:00 hs. (ANS): FIM DO COMUNISMO OU COLAPSO DA MODERNIZAÇÃO? Carlos de Almeida Toledo, Anselmo Alfredo, Marildo Menegat, Virgínia Fontes
17:00 hs. (CPJ): LENIN E LENINISMO: O QUE FAZER? Anderson Deo, Antonio Carlos Mazzeo, Valério Arcary, André Ferrari
17:00 hs. (SV): HISTORIOGRAFIA SOVIÉTICA E HISTORIOGRAFIA FRANCO-BRITÂNICA: Mauricio Parisi (USP) - Priscila Gomes Correa (Universidade do Estado da Bahia)
19:30 hs. (AH): A INTERNACIONAL COMUNISTA, DA COMINTERN AO KOMINFORM: Alexander Zhebit, Lincoln Secco, Antonio Bertelli, Antonio C. Mazzeo, Sean Purdy
19:30 hs. (AG): 1989-1991: FIM DO MARXISMO? Mariano Schlez (Universidad del Sur, Argentina) Debatedora: Paula Marcelino
19:30 hs. (ANS): PERESTROÏKA: PORQUE NÃO DEU CERTO? Lenina Pomeranz (Universidade de São Paulo) - José Arbex (PUC) Debatedor: Angelo Segrillo
19:30 hs. (CPJ): FIDEL CASTRO E CHE GUEVARA ENTRE LENDA E REALIDADE: Luiz Bernardo Pericás (Universidade de São Paulo) Debatedores: Daniel Gaido e Áquilas Mendes
19:30 hs. (SV): O COMUM E O COMUNISMO, ONTEM E HOJE: Jean Tible, Henrique Parra, Ricardo Teixeira, Tatiana Roque
6ª. Feira / 6 de outubro
9:00 hs. (AH): A REVOLUÇÃO RUSSA E O BRASIL: Frederico Duarte Bartz, Felipe Castilho de Lacerda, Lidiane Rodrigues, Christiano B. Monteiro dos Santos, Rosana de Moraes
9:00 hs. (AG): REVOLUÇÃO SOVIÉTICA E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO (LENIN E TAYLOR): Afrânio Catani (Universidade de São Paulo) Debatedora: Angela Lazagna
9:00 hs. (ANS): REVOLUÇÃO RUSSA E PENSAMENTO LATINO-AMERICANO: Igor Fuser, Gabriela Pellegrino, Vinicius Moraes, Flavio Benedito
9:00 hs. (CPJ): A REVOLUÇÃO RUSSA NAS LITERATURAS HISPÂNICAS: Margareth Santos, Pablo Gasparini, Gabriel Lima, Graciela Foglia
9:00 - 13:00 (SV): Comunicações Livres
14:00 hs. (AH): PCB, PC do B, TROTSKISTAS, PT: AS METAMORFOSES DO COMUNISMO BRASILEIRO: João Quartim de Moraes, Murilo Leal, Pedro Pomar, Frederico Falcão
14:00 hs. (ANS): GEOPOLÍTICA E GEO-HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO SOVIÉTICA: André Martin, Erivaldo C. de Oliveira, Rafael Duarte Villa, Valter Pomar, Wanderley Messias da Costa
14:00 HS. (AG): A REVOLUÇÃO RUSSA E A AMÉRICA LATINA: Fernando Sarti Ferreira, Everaldo Andrade, Liz Nátali Soria, Felipe Deveza
14:00 hs. (CPJ): GUERRA FRIA E HEGEMONIA DO DÓLAR: Maria Lucia Fattorelli (Auditoria Cidadã da Dívida) Debatedores: José Menezes Gomes e Leda Paulani
14:00 hs. (SV): CHILE 1970-1973: FIM DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA? Enio Bucchioni, Horácio Gutiérrez, Paulo Fernando L. Pereira de Araujo, Plínio de Arruda Sampaio Jr
17:00 hs. (AH): O FIM DA URSS: ANÁLISE DAS CAUSAS: Angelo Segrillo (Universidade de São Paulo) – Gilson Dantas (UnB) Debatedora: Lívia Cotrim
17:00 hs. (AG): O STALINISMO: SOCIALISMO OU ANOMALIA HISTÓRICA? Breno Altman, Waldo Melmerstein, Rodrigo Ricupero, Zilda Iokoi
17:00 hs. (ANS): A ESQUERDA NO BRASIL HOJE: João Batista de Araújo (Babá), Valério Arcary, André Singer, Mauro Iasi, Guilherme Boulos
17:00 hs. (CPJ): O PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS E A “REVOLUÇÃO DOS CRAVOS”: Francisco Palomanes Martinho (Universidade de São Paulo) Debatedora: Raquel Varela
17:00 hs. (SV): MÚSICA E REVOLUÇÃO SOVIÉTICA: José Geraldo Vinci de Moraes (USP) Debatedor: Antonio C. Mazzeo
19:30 hs. (AH): A REVOLUÇÃO DE OUTUBRO E O SÉCULO XXI: Jorge Altamira, Savas Michael-Matsas, Plinio de Arruda Sampaio Jr, Valter Pomar, Osvaldo Coggiola
19:30 hs. (AG): A URSS, BALANÇO ECONÔMICO: José Menezes Gomes, Xabier Arrizabalo (Universidad Complutense de Madrid), Leda Paulani, Vitor Schincariol
19:30 hs. (ANS): CLASSE OPERÁRIA E REVOLUÇÃO: O PROLETARIADO AINDA É AQUELE? Ricardo Antunes (Unicamp) - Iram Jácome Rodrigues (USP) - Ruy Braga (USP)
19:30 hs. (CPJ): IMPERIALISMO E REVOLUÇÃO, ONTEM E HOJE: Virgínia Fontes (UFF) - Lúcio Flavio de Almeida (PUC) - Antônio Roberto Espinosa (Unifesp) Debatedora: Regina Gadelha
21:30 hs. (Vão da História-Geografia): AS MÚSICAS E CANÇÕES DA REVOLUÇÃO: SHOW COM O SATÂNICO DR. MAO
AH: Anfiteatro de História - AG: Anfiteatro de Geografia - ANS: Anfiteatro Nicolau Sevcenko - CPJ: Sala Caio Prado Júnior - SV: Sala de Vídeo
Comissão Organizadora: Osvaldo Coggiola, Jorge Grespan, Sean Purdy, Everaldo de Andrade, Milton Pinheiro, Francisco Alambert, Angelo Segrillo, Lincoln Secco, Rodrigo Ricupero, Luiz B. Pericás, Adrián Fanjul
Apoio: Laboratório de Estudos da Ásia (LEA), Cátedra Jaime Cortesão, GMarx, Boitempo Editorial, Programa de Pós-Graduação em História Econômica, NEPH (Núcleo de Economia Política e História Econômica), Centro de Estudos Africanos, LUDENS (Núcleo de Pesquisa sobre Futebol e Modalidades Lúdicas), CEDHAL (Centro de Demografia Histórica da América Latina), CAHIS
Inscrições: http://cemanosrevolucaorussa.fflch.usp.br/ SERÃO FORNECIDOS CERTIFICADOS DE FREQUÊNCIA

Crédito da imagem: detalhe invertido do quadro "Revolução" de Ludwig Meidner, pintado em 1913. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Silvio Santos no Museu da Imagem e do Som (MIS)




A intenção de seu pai era que o filho se chamasse Dom Isaac Abravanel, a fim de lembrar um ancestral israelita da família, que na segunda metade do século XVI teve grande importância na corte dos reis de Portugal como financista, tesoureiro e também autoridade nos assuntos relacionados à religião hebraica. Contudo, o cartório não identificava esse nome como sendo conhecido aqui no Brasil e sugeriram algo semelhante a "senhor". Além disso, lembraria o nome do avô paterno, Señor Abraham Abravanel. Então ficou resolvido! O recém-nascido foi registrado como Senor Abravanel. Isso tudo aconteceu no distante 12 de dezembro de 1930, na cidade do Rio de Janeiro, no velho bairro da Lapa. Mas é com o nome artístico de Silvio Santos que ele ficou conhecido pelos milhões de telespectadores que o acompanham a mais de cinco décadas (na foto acima, sem data, o apresentador). 
A mostra do Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo nos proporciona um belo passeio pela trajetória daquele que talvez seja o mais conhecido personagem da televisão brasileira ou, como ele mesmo gosta de ser chamado, animador de programas de auditório! Arrisco a afirmar que se trata de um personagem único em termos televisivos no mundo. De locutor, passando a apresentador de shows, construindo paralelamente uma atividade como empresário e finalmente proprietário de uma emissora de televisão. Silvio Santos pode perfeitamente ser enquadrado como exemplo daquilo que hoje, apesar das muitas ressalvas a esse conceito, tem sido chamado de empreendedorismo. 
Mas, se isso por si só já não justificasse a visita a essa exposição do MIS, podemos ainda fazer um passeio pela fascinante história da televisão brasileira desde os seus primórdios e notar a forte influência que o rádio teve na formação da mesma. As varias modalidades de programas televisivos que conhecemos hoje tem no rádio a sua origem: novelas, humorísticos, shows de música popular, espetáculos de auditório, programas de perguntas e respostas e os tão conhecidos shows de calouros. 


A formação educacional de nosso personagem não foi diferente da de muitos brasileiros de classe média baixa daquela época, final da década de 1930, que coincidia com a liderança de Getúlio Vargas na República brasileira. Silvio Santos fez o primário elementar e depois frequentou um curso técnico no qual obteve o diploma de contabilidade (na foto acima, Silvio com aproximadamente 10 anos de idade).



Nessa época, o pai de Silvio, Alberto Abravanel, imigrante grego de origem judaica, havia perdido uma loja de produtos para turistas em função das dívidas contraídas em jogos (na foto acima, a travessa Bem-te-vi na Lapa, Rio de Janeiro, onde Silvio e família moraram na década de 1930). Silvio Santos que estava no segundo ano do curso de contabilidade, ainda menor de idade, começou a ganhar dinheiro fazendo apostas em jogadores de sinuca nos bares do bairro boêmio da Lapa. 


Após a queda de Getúlio Vargas (e da ditadura do Estado Novo) no final de 1945, o país conheceu a fase de redemocratização e aumentou a expedição de títulos eleitorais. Foi aí que Silvio Santos  (na foto acima de 1972, Silvio com os seus pais Rebeca e Alberto Abravanel) encontrou a sua primeira boa oportunidade de ganhar dinheiro, vendendo capas para esses documentos e trabalhando como camelô (vendedor ambulante) nas ruas do Rio de Janeiro. Silvio chegou a comprar as capas de outros camelôs e as revendia em vários pontos da cidade. Em 1948, Silvio Santos foi convocado para o serviço militar na Escola de Paraquedistas do Exército. Sim caro leitor, Silvio realizou saltos que foram bem avaliados por seus superiores! 
Ainda atuando como camelô, ao lado de seu irmão caçula Leon Abravanel, mais conhecido como Léo, Silvio Santos tinha problemas para escapar dos "rapas" (fiscalização). Trabalhava no horário de almoço dos fiscais e, mesmo assim, ganhava o equivalente a cinco salários mínimos por dia. Contudo acabou sendo pego e levado ao chefe dos fiscais, que teria ficado admirado com a inteligência do rapaz e com a sua voz, indicando-lhe um concurso para locutor na Rádio Guanabara. Silvio Santos venceu concorrendo com mais de 300 candidatos. Um detalhe curioso: o segundo colocado foi Chico Anysio! Mas o que ganhava como radialista era bem menos do que auferia como camelô e ele voltou às ruas. 
Contudo, o namoro de Silvio Santos com o rádio continuou, participando de concursos para locutor. O futuro apresentador inspirou-se nos grandes nomes do rádio da década de 1940, como Cesar de Alencar, Carlos Frias, Manoel Barcelos, Paulo Gracindo (que mais tarde se destacou como ator), o Trio de Osso (Heber de Bôscoli, Yara Salles e o conhecido compositor Lamartine Babo) e Jorge Curi. Foi no programa deste último que surgiu o seu nome artístico. Como já havia participado de vários concursos, para não ser identificado, lançou Silvio Santos. O sobrenome por considerar que os céus sempre lhe foram favoráveis. Assim reza a lenda...




Após o fim do serviço militar Silvio foi trabalhar na Rádio Tupi e depois na Rádio Continental que ficava em Niterói (na foto acima, Silvio e os seus colegas da Rádio Tupi em 1950). Nesta última, tinha que pegar a barca para trabalhar do outro lado da baia de Guanabara (ainda não existia a ponte Rio-Niterói). Foi nesse momento que Silvio Santos enxergou a sua primeira grande oportunidade como homem de negócios, obtendo autorização para instalar auto-falantes na barca, que tocavam músicas durante o trajeto e anunciavam produtos nos intervalos. A publicidade era por conta do próprio Silvio Santos, que também era o locutor. E ele foi além... 



Estendeu o serviço de alto-falante para a balsa que ia para a ilha do Paquetá aos domingos, abrindo também um bar nesse mesmo ponto turístico, oferecendo, além das bebidas, jogo de bingo! Silvio tornou-se um importante cliente da fábrica de bebidas Antárctica no Rio de Janeiro (na foto acima, Silvio na Ilha do Paquetá com sua amiga Madalena, início da década de 1950). 


Em 1950 o Brasil conheceu a chegada da televisão com a TV Tupi de São Paulo, por iniciativa do empresário Assis Chateaubriand (na foto acima, a primeira câmera RCA de televisão utilizada no Brasil ). 


Poucos afortunados dispunham de um televisor em casa, uma vez que o preço do aparelho era quase o de um automóvel (na foto acima, um aparelho de TV Philco, dos primeiros a serem utilizados no Brasil). Por isso, o rádio ainda era o grande veículo de comunicação. Uma emissora em especial se destacava: a Rádio Nacional. A mesma tinha sede no Rio de Janeiro e acreditem, era estatal! Seu diretor era o conhecido Victor Costa. Aproveitando a experiência no ramo, este último criou a Organização Victor Costa e abriu em 1952, a Rádio Nacional de São Paulo (privada e independente da existente no Rio), contratando nomes importantes do rádio paulista, entre eles, Manoel de Nóbrega, Walter Forster e Dermival Costa Lima. Estes dois últimos já tinham participado da inauguração da primeira emissora de televisão brasileira, a já citada TV Tupi. A eles se juntaram Hebe Camargo e Yara Lins. Em 1955, Victor Costa adquiriu a TV Paulista, que era concorrente da TV Tupi (Diários Associados de Assis Chateaubriand) e da TV Record (da família Machado de Carvalho). 


E Silvio Santos? Nesse momento estava às voltas com a barca para Niterói, que se encontrava no estaleiro para reparos. Silvio reclamou com o diretor da Antárctica de ter o seu negócio paralisado e este resolveu trazê-lo para São Paulo. Aqui conseguiu uma vaga para locutor comercial na Rádio Nacional no programa de Manoel de Nóbrega em 1954, ano em que se comemorava o IV Centenário de fundação da cidade (na foto acima, Manoel e Silvio no início da década de 1960). Silvio era muito amigo do irmão de Nóbrega que trabalhava na Rádio Continental de Niterói. Logo, Silvio Santos passou a ter o seu próprio programa e permaneceu na capital paulista.




Em paralelo ao seu trabalho na Rádio Nacional, Silvio Santos corria o interior de São Paulo para realizar shows com outros artistas em circos, naquilo que ficou conhecido como "A Caravana do Peru que Fala". Entre os artistas que o acompanhavam estava o comediante Ronald Golias, que segundo a lenda, lhe teria dado o apelido de "Peru que Fala", pelo fato do apresentador ficar vermelho quando se apresentava em público. A exposição no MIS reconstituiu a caravana, inclusive com o modelo de Jipe com o qual o apresentador se deslocava (imagens acima).


O encontro com Manoel de Nóbrega permitiu a Silvio Santos entrar definitivamente no ramo comercial. Nóbrega mantinha um pequeno negócio em sociedade com um empresário alemão, no qual a partir do pagamento de várias prestações o cliente recebia ao final um cesta de brinquedos ou de utilidades domésticas. Como o tal empresário abandonou o negócio, Nóbrega sugeriu a Silvio que assumisse o mesmo (na imagem acima os famosos Carnês do Baú da Felicidade).


Em 1959 nasceu a empresa Senor Abravanel com sede na rua 13 de maio, no bairro da Bela Vista, na capital paulista. Em 1963 passou a se chamar Baú da Felicidade Utilidades Domésticas e Brinquedos. Eis a versão oficial, narrada em uma pequena história em quadrinhos na mostra do MIS (imagem acima), a origem do Baú da Felicidade. Silvio Santos começou a se tornar "O Homem do Baú".


Enquanto isso, a televisão avançava e Silvio Santos que já fazia parte da Rádio Nacional encontraria logo a sua oportunidade na TV Paulista, que pertencia ao mesmo grupo. Vale lembrar que essa emissora era modesta em relação às suas concorrentes, mas que lançou programas que fizeram história, entre os quais "Circo do Arrelia", "A Praça da Alegria", "O Mundo é das Mulheres" (com Hebe Camargo), o infantil "Zás Trás" (do qual este que vos escreve participou) e "Vamos Brincar de Forca". Este ultimo, que entrou no ar em 1960, marcou a estréia de Silvio Santos na televisão (na foto acima, cupom para participar do programa e concorrer a prêmios). Ele já era conhecido na emissora como "esquentador de auditório". 


Em 1963 Silvio estreou o "Programa Silvio Santos" transmitido aos domingos das 12 às 14 horas, que era o horário em que a emissora entrava no ar (foto acima). Foi a partir desse momento que o carnê do Baú da Felicidade começou a prosperar, permitindo ao cliente retirar todas as parcelas pagas em mercadorias em qualquer loja da rede e ainda concorrer aos prêmios sorteados no programa dominical, desde que, claro, estivesse "rigorosamente em dia com as prestações", como gostava de destacar Silvio Santos!




O programa cresceu e os negócios também, a ponto de praticamente Silvio Santos comprar o horário  dominical na emissora. E que horário: das 11 até as 20 horas! Em 1967 a emissora é transferida para a TV Globo de Roberto Marinho e no ano seguinte passou a se chamar TV Globo de São Paulo. A transferência foi alvo de muitas polêmicas e permaneceu por décadas na justiça. A TV Globo herdou a programação da TV Paulista e no pacote veio Silvio e o seu carnê do Baú. O acordo com o qual Silvio alugava o horário dos domingos foi mantido (nas fotos acima, revistas da década de 1960 com Silvio Santos e Hebe Camargo).


Um detalhe interessante para os que estão habituados com a televisão atual, Silvio Santos também alugava um horário semanal na principal concorrente da Globo, a TV Tupi. Um dos programas transmitidos nessa emissora pelo apresentador foi o famoso "Cidade contra Cidade", levado ao ar entre 1968 e 1972 nas noites de sexta-feira. O show era uma espécie de gincana entre duas cidades e a vencedora recebia prêmios que possibilitavam uma melhoria nos equipamentos sociais, como ambulância, material de construção, equipamentos para creches e escolas. Uma transmissão do programa em 1969 quase igualou o Ibope da chegada do homem na Lua (na foto acima, outro programa criado por Silvio Santos na TV Tupi, "Sua majestade, o Ibope" no início da década de 1970).


Nessa época, a imagem de Silvio Santos era estampada em várias capas de revistas do mundo artístico. O apresentador chegou até a fazer uma fotonovela ao lado da cantora Wanderlea (imagem acima). Existe um outro detalhe que a mostra no MIS esqueceu. Além dos programas semanais nos dois canais de televisão mais importantes do país, Silvio Santos ainda mantinha o seu programa diário na Rádio Nacional de São Paulo (que depois foi integrada ao Sistema Globo de Rádio) e que entrava no ar a partir do meio dia de segunda a sábado. A influência da tradição do rádio aparecia nos musicais, relatos baseados em cartas dos próprios ouvintes em narrativas que lembravam novelas, o tradicional "Histórias que o Povo Conta" com temas sobrenaturais e o "Melodia da Saudade", onde as ouvintes lembravam das canções que marcaram as suas vidas.


No início da década de 1970, os negócios de Silvio Santos cresceram, O Baú da Felicidade virou uma rede de lojas, surgiu a Vimave (Vila Maria Veículos, concessionária da Volkswagen), a loja de móveis Tamakawi e os estúdios da Vila Guilherme adquiridos em 1972 (pertencentes à antiga TV Excelsior), onde parte dos quadros de seu programa dominical eram gravados, entre os quais um remake de "A Praça da Alegria" de seu amigo Manoel de Nóbrega (na foto acima, a famosa câmera RCA TK-60, utilizada pela Rede Globo para a transmissão de seus programas na década de 1970, inclusive o de Silvio Santos).






Na mostra é possível fazer um passeio pelos vários quadros apresentados em seu programa dominical, que foram exibidos ao longo de mais de cinco décadas. Dentre eles "Namoro no Escuro", "Só Compra Quem Tem" (neste o prêmio máximo era um automóvel cedido pela Vimave, como na foto acima e que também teve um jogo lançado com base no quadro), "Ela Disse, Ele Disse", "Os Galãs Cantam e Dançam aos Domingos", "Boa Noite Cinderela", "Show da Loteria" (uma espécie de Loteria Esportiva paralela), "Namoro na TV", "Roletrando", "Porta da Esperança", "Domingo no Parque", entre outros, boa parte deles lembrados na mostra.


Muitos cantores e artistas tiveram as suas carreiras alavancadas com as aparições no programa dominical de Silvio Santos (acima, alguns cantores do quadro "Os Galãs Cantam e Dançam aos Domingos" em foto de 1970). 


Na verdade, a grande atração dos programas de Silvio Santos era o seu próprio público, que se inscrevia para participar, como no quadro "Namoro na TV" que reunia candidatos(as) interessados em encontrar a sua "cara metade" (na foto acima, Silvio Santos apresentando o quadro, no início da década de 1980). 



O Troféu Imprensa, criado em 1958 pelo jornalista Plácido Manaia Nunes foi outra das atrações consagradas pelo famoso "animador". Trata-se de uma premiação feita aos melhores do ano na televisão em várias categorias (ator, atriz, apresentador, melhor programa, melhor jornal...) em votação feita por jornalistas e que, mais tarde, contou também com a participação do público. A premiação foi inserida por Silvio na TV Tupi em 1969 e depois levada ao seu programa dominical na Rede Globo a partir de 1970, permanecendo na emissora até a saída de Silvio Santos em 1976 (na foto acima, Silvio comanda a entrega dos prêmios em 1974). Plácido Manaia cedeu os direitos da atração ao apresentador, mas continuou a fazer parte do juri até 2007 quando faleceu.




Contudo, a sua principal atração, sem dúvida, era o "Programa de Calouros"! Novamente, uma adaptação do rádio, mas que ganhou identidade própria sob o comando de Silvio Santos e também de outros apresentadores famosos, como Flavio Cavalcanti, Chacrinha e Raul Gil. O quadro passou por vários nomes como "A hora do pato" (1963), "Cuidado com a buzina" (1966), "Show de novos calouros" (1972), "Show de talentos anônimos" até chegar ao "Show de Calouros" já na fase SBT. Muitos membros do seu juri ganharam fama por darem notas baixas aos calouros, como o crítico musical José Fernandes e a cantora Araci de Almeida (grande intérprete de Noel Rosa). Também ficaram conhecidos o jornalista Décio Piccinini, o decifrador de sonhos Pedro de Lara e Elke Maravilha, que também foi jurada do Chacrinha (nas imagens acima, Pedro de Lara, Aracy de Almeida e Décio Piccinini).
Na virada das décadas de 1960 para 1970 uma série de acontecimentos mudaram o panorama televisivo. Incêndios ocorridos em circunstâncias estranhas atingiram várias emissoras, como a TV Paulista (Globo), a recém-inaugurada TV Bandeirantes e a TV Record, que conheceu uma fase de decadência nos anos de 1970. Outra emissora, a TV Excelsior teve a sua concessão cassada pelo Governo Militar de forma não muito bem esclarecida. Ao mesmo tempo, o início das transmissões por satélite e a chegada da televisão em cores marcaram o começo da liderança da Rede Globo que dura até hoje. 


Nesse contexto, Silvio Santos tornou-se sócio da TV Record em 1972. Era um momento crucial para o empresário, uma vez que o seu contrato com a Rede Globo (no qual, como já destacamos, ele alugava os horários da emissora) estava para expirar nesse mesmo ano e havia comentário de que a emissora não pretenderia renova-lo. Contudo, Roberto Marinho (dono da TV Globo) chamou Silvio Santos e manteve o vínculo por mais quatro anos (na foto acima, o campeão mundial de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi no programa de Silvio, ainda na TV Globo, em 1972).
Mas Silvio Santos percebia que mais cedo ou mais tarde teria que ter o seu próprio canal. A oportunidade veio em 1975, quando o seu amigo e jornalista Moysés Weltmann lhe informou que o Governo Militar iria colocar em leilão a concessão do canal 11 do Rio de Janeiro (da antiga TV Rio). Silvio Santos apresentou um plano para ganhar a concessão e acabou vencendo o leilão. Era evidente que o então governo do general Ernesto Geisel tinha simpatias pelo apresentador. 


Após obter a concessão, Silvio Santos foi aos Estados Unidos comprar equipamentos para a nova emissora, a fim de organizar os estúdios no Rio de Janeiro e na Vila Guilherme em São Paulo, e ainda para o recém inaugurado Teatro Manoel de Nóbrega. Além disso, arrematou em leilão o material da antiga TV Continenal, cuja antena já estava preparada para realizar a transmissão em cores (na foto acima, Luciano Calegari, superintendente da TVS, ao lado de Silvio Santos, em 1974).



Em 14 de maio de 1976, a TV Studio Silvio Santos ou TVS entrou no ar. Nesse mesmo ano, o contrato de Silvio Santos com a Rede Globo não foi renovado encerrando uma parceria de 8 anos. O apresentador passou a transmitir o seu programa dominical pela TV Tupi, pela TV Record (do qual era sócio), e claro, pela TVS (na foto acima, câmera RCA TK 46 para transmissão em cores adquirida para a nova emissora).
Mas, foi a extinção da antiga TV Tupi (falida e com dívidas trabalhistas) que abriu caminho definitivo para que Silvio Santos se tornasse um empresário de comunicação em bases sólidas. Em 23 de julho de 1980, o Governo Federal anunciou a abertura de concorrência para duas novas redes de televisão que deveriam surgir da massa falida da TV Tupi (sete concessões) e da antiga TV Excelsior (duas concessões). Os grupos vencedores foram o de Silvio Santos e o de Adholfo Bloch (futura Rede Manchete). Em 19 de agosto de 1981 o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) entrou no ar. E o resto virou história. Mais uma vez Silvio Santos contou com o apoio governamental do então presidente General João Baptista Figueiredo e principalmente de sua esposa, Dulce Figueiredo, algo que a mostra do MIS deixa claro, mas não explica os motivos!



O público do SBT era praticamente o mesmo que Silvio Santos trouxe dos seus anos de apresentador, com uma programação popular e que por isso chegou a ser alvo de muitas críticas em função de seu sensacionalismo, sobretudo o jornalístico "O Povo na TV" (para os que lembrarem, foi nesse programa que o denunciante do mensalão Roberto Jefferson ficou conhecido do público). Silvio Santos tem uma posição clara em relação aos programas jornalísticos: mostrar os fatos! A opinião cabe ao telespectador. Por outro lado, a emissora reviveu alguns programas marcantes como "Almoço com as Estrelas", "Show Sem Limite" com Jota Silvestre, "Moacyr Franco Show", "Escolinha do Golias", "Hebe Camargo" e "A Praça é Nossa" (novo formato do antigo "A Praça da Alegria"). A emissora também foi responsável por novos programas como o "Jô Soares Onze e Meia", "Programa do Bozo", o conhecido palhaço produzido sob licença norte-americana (na imagem acima, a evolução do logo da emissora).


Nas telenovelas destaque para as produções mexicanas e algumas produzidas na própria emissora como "Éramos Seis" de 1994 (na foto acima, a cidade cenográfica montada para essa novela). E, claro, não poderíamos deixar de lembrar do seriado mexicano "Chaves" considerado "pau pra toda obra" na grade de programação do SBT.


Em 1996 foi inaugurado o estúdio do SBT na via Anhanguera, nas proximidades da capital paulista, também chamado "Complexo Anhanguera", no mesmo local que era utilizado como depósito das antigas lojas do Baú da Felicidade (na foto acima, Flor e Décio Piccinini no "Show de Calouros" do SBT).


A exposição não poderia deixar de lembrar a participação de Silvio Santos nas eleições de 1989 para a presidência da República, a primeira desde o fim do Governo Militar (1964-1985). Pesquisas de opinião apontavam o apresentador como favorito para a disputa. O seu nome já havia sido cogitado para o cargo de prefeito de São Paulo na eleição anterior. Para concorrer ao cargo de presidente, Silvio Santos filiou-se a um partido "nanico", o Partido Municipalista Brasileiro (PMB) de Armando Correa (que se identificava nas propagandas como o candidato dos pobres e dos explorados...). Correa abriu mão de sua candidatura em favor de Silvio Santos a 11 dias da eleição. Contudo, em uma decisão polêmica, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impugnou a chapa. No início da década de 1990 Silvio Santos ainda tentou uma nova incursão na política, mas sem sucesso (na imagem acima, propaganda do SBT anunciava a presença de Silvio Santos em todos os canais, em função do horário eleitoral gratuito).


A mostra do MIS prima por ser abrangente e rica em informações sobre a trajetória do apresentador. Outro detalhe interessante, muitas instalações são interativas, como na sala onde se encontra a reconstituição do quadro "Qual é a Música". O visitante pode responder a perguntas feitas pelo próprio Silvio Santos em áudio gravado do programa original em uma brincadeira virtual. Na instalação do quadro Domingo no Parque, o visitante pode interagir e ter a sua foto enviada para o próprio e-mail (como na imagem acima). 



Alguns quadros conhecidos do apresentador poderiam ter tido um tratamento a altura da importância que tiveram, como é o caso do "Show de Calouros". Muitos dos jurados conhecidos foram esquecidos (José Fernandes, Elke Maravilha, por exemplo). A fase do SBT poderia ter sido um pouco mais trabalhada apesar das limitações do espaço. Mas esses detalhes, de nenhuma forma, tiram a qualidade e o ineditismo da exposição, a qual, sem dúvida, merece ser vista. Reserve aproximadamente três horas para ver ou, caso seja a vontade do visitante, dar uma repassada na exposição (na foto acima, o característico microfone de Silvio Santos). 


Vá com espírito alegre para desfrutar dos quadros e brincadeiras propostas pelo apresentador, que afinal, se mantém no ar por 53 anos (na foto acima, Silvio com o seu famoso assistente de palco Roque). E ao entrar, lembre-se da música que abre o programa dominical do apresentador...

Agora é hora
De alegria
Vamos sorrir e cantar
Do mundo não se leva nada
Vamos sorrir e cantar
Lá, lá, lá
Lá, lá, lá
Silvio Santos vem aí
Silvio Santos vem aí...

Para ver:



Silvio Santos Vem Aí!
Museu da Imagem e do Som (MIS).
Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo (SP).
De terça a domingo. 
Ingressos R$ 12,00 (estudantes pagam meia entrada mediante apresentação de documento). 
Para maiores informações: (11) 2117-4777.