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domingo, 31 de maio de 2015

Tiradentes e a Inconfidência dos Letrados parte I




Uma conspiração que contou com a participação de uma elite formada por proprietários, mineradores e mercadores, que prosperou com o ouro, os diamantes e os negócios na época em que Minas Gerais era a região mais rica do Império Português, na segunda metade do século XVIII. Ah, mas Joaquim José da Silva Xavier, cuja alcunha (apelido) o tornou célebre, Tiradentes, não fez parte dessa mesma elite. Em termos... Se de nascimento não era um nobre ou aristocrata influente, também não se pode dizer que fosse totalmente carente de recursos ou patrimônio. Na verdade, era um não aristocrata que circulava bem dentro desse meio. Não era um letrado, mas sabia conversar com argumentação e se esforçava para entender a sua época, inclusive lendo obras em outras línguas com o auxílio de dicionários. Contudo, o traço que parece ter marcado a sua curta trajetória histórica foi a convicção de suas ideias em favor da autonomia do Brasil, tendo, inclusive, mantido-as perante os seus inquiridores durante o seu julgamento, daí a sua condenação à forca, tendo, em seguida, o corpo esquartejado. Não foi por outro motivo que o seu rosto ficou associado ao de Jesus Cristo, como aparece no retrato acima, que pode ser visto no Museu Paulista (também conhecido como Museu do Ipiranga) e que persiste no imaginário coletivo dos brasileiros. 



Em termos concretos, a Inconfidência Mineira foi um "esboço" de movimento. Um vago projeto de república foi pensado e discutido, muito por influência do êxito da luta dos colonos ingleses da América do Norte, iniciada em 1776. "Liberdade ainda que tarde" era o seu lema, mas uma coisa era certa, tal liberdade dificilmente seria estendida aos escravos, a exemplo do que ocorreu na independência dos Estados Unidos. Os ideais da Era das Luzes ou Iluminismo referentes aos direitos naturais do homem, podiam ser interpretados de diferentes formas por aqueles que participaram da conspiração, muitos dos quais eram figuras de destaque na sociedade do ouro e até ligados à administração da antiga capitania de Minas Gerais (como aparece no mapa acima, do século XVIII, com destaque para a Vila do Carmo, atual Mariana). Também existiam aqueles que se preocupavam com o futuro da colônia e das vantagens que a mesma poderia ter separando-se de Portugal. Tiradentes era um deles.



O período posterior a 1750 trouxe o declínio gradual da mineração no centro-sul da colônia brasileira, área que hoje corresponde a Minas Gerais, Goiás e parte de Mato Grosso (atual Cuiabá). O ouro fácil retirado dos rios estava se esgotando (o chamado ouro de aluvião, como mostrado na foto acima, tirada por Marc Ferrez em 1870) e a exploração das minas requeria mais mão de obra escrava e recursos materiais. Contudo, as exigências por parte da metrópole portuguesa se mantinham, como o quinto (a quinta parte do ouro retirado era entregue à Coroa) cobrado nas Casas de Fundição e a nova cota de cem arrobas anuais (algo em torno de 1,5 toneladas de ouro) que Portugal estabeleceu para a colônia. Caso tal cota não fosse alcançada, existia a possibilidade da cobrança da Derrama (confisco dos bens) para completá-la.
A política do ministro português Sebastião José de Carvalho e Mello, o marquês de Pombal, de promover os indivíduos da colônia beneficiou a elite da mineração, que recebia inclusive, o privilégio de arrematar contratos para a arrecadação dos impostos (uma forma de "terceirização" desse serviço) para a própria Coroa Portuguesa. Tal política buscava tornar mais eficiente a administração e a burocracia no Império Português. Contudo, muitos desses indivíduos acabaram aumentando as suas riquezas, utilizando o dinheiro arrecadado ao invés de repassa-lo à Coroa Portuguesa. 



Ao mesmo tempo, havia grande preocupação por parte das autoridades de Portugal com o contrabando do ouro e dos diamantes, que saiam de Minas Gerais a caminho do Rio de Janeiro e que muitas vezes eram desviados, sem pagar os encargos devidos a Portugal (na gravura acima, a lavagem dos diamantes, em desenho de Carlos Julião feito em 1770).
A sociedade que surgiu com a descoberta do ouro em Minas Gerais, a partir do final do século XVII, trouxe diferenças em relação às outras áreas do Brasil Colônia, como o Nordeste açucareiro. A descoberta das minas atraiu colonos das mais variadas origens sociais, a começar pelos paulistas, responsáveis, em grande parte, pelos achados das minas. Esses indivíduos eram os conhecidos bandeirantes, palavra que passou a designar os antigos moradores de São Paulo. Logo em seguida, muitos portugueses também se deslocaram para a região. Depois, vieram os escravos, uma grande leva de aventureiros, mercadores (mascates), artesãos, funcionários da Coroa e membros do clero. 
Em poucas décadas constituiu-se uma sociedade urbanizada nas cidades que floresceram com a atividade da mineração, sobretudo Vila Rica, Mariana, São João Del Rey e o Serro Frio (Diamantina). As famílias mais prósperas, em sua segunda geração, já enviavam os filhos para estudarem na Europa, na Universidade de Coimbra em Portugal ou em universidades francesas, como a Faculdade de Medicina de Montpellier. Em 1786, dentre os 27 estudantes brasileiros matriculados em Coimbra, 12 eram mineiros. Essa elite social era profundamente ligada através de casamentos, compadrios, negócios e costumava promover encontros ou saraus para a divulgação de obras literárias. 



Sem dúvida, o centro mais dinâmico dessa vida social era Vila Rica. Segundo a tradição, coube ao bandeirante Antonio Dias de Oliveira estabelecer um acampamento naquela região para explorar o "ouro preto", pois o precioso metal, já conhecido no local, vinha misturado com óxido de ferro (na gravura acima de Rugendas, exploração do ouro nas proximidades de Vila Rica, 1827-1835). 



Da fusão desses acampamentos ou arraiais é que surgiu Vila Rica (mais tarde, chamada de Ouro Preto), cuja fundação foi estabelecida em 1698 (na foto acima, a cidade em 1890, um século depois da Inconfidência Mineira). 



O crescimento foi rápido, mas Vila Rica só ganhou ares de cidade após 1750, durante a gestão do governador Antônio Gomes Freire de Andrade. Durante o seu governo veio o arquiteto português Manuel Francisco Lisboa, que criou as primeiras igrejas no estilo barroco. Mas foi o filho que teve com uma escrava, que consagrou definitivamente esse estilo artístico nas Minas Gerais do século XVIII: Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como o "Aleijadinho" (no desenho acima, feito por Belmonte na década de 1940, um rosto possível para Aleijadinho). 



Aleijadinho ficou famoso como arquiteto e escultor, sendo lembrado por suas obras feitas em pedra sabão e madeira (como na foto acima, o Cristo na Flagelação). Aos 47 anos teria sido afetado por uma doença que deixou o seu corpo deformado. Em função disso, contava com a ajuda de um escravo para adaptar as ferramentas de trabalho ao seu pulso. Existe também a possibilidade de que parte da obra atribuída a ele tenha sido feita por discípulos e de que o perfil de Aleijadinho, como um indivíduo doente e isolado, seja mais uma criação literária do que baseado em fontes documentais. O que de fato se sabe é que a cidade em que viveu, Vila Rica, teria entre 70 mil e 80 mil habitantes no ano de 1780.
O ambiente cultural urbano levou ao aparecimento de outras manifestações artísticas e literárias que exaltavam os valores e feitos locais, como o poema épico "Vila Rica" de Claudio Manuel da Costa e o "Canto Genetlíaco" de Alvarenga Peixoto. Este último era um elogio das riquezas, dos homens e da terra brasileira, sendo o feito dos seus habitantes comparados aos de Hércules, Ulisses e Alexandre, o Grande. 



Entre as figuras mais conhecidas da elite social mineira estavam os indivíduos letrados e que ganharam destaque em nossa literatura ainda em formação, com o chamado Arcadismo. Um deles foi o já citado Claudio Manuel da Costa (na gravura acima, uma suposta imagem do poeta). Nascido na própria região do ouro, filho de português com uma paulista de família tradicional, tornou-se advogado formado em Coimbra e autor do poema "Vila Rica". Sua mulher chamava-se Francisca Arcângela de Sousa, uma negra, possivelmente uma ex-escrava, com a qual teve cinco filhos. Como podemos perceber, a união entre brancos e escravas era comum na colônia, embora não significasse que a mulher negra tivesse plena aceitação social. Na época a proporção de mulheres brancas era muito inferior ao de homens brancos. Aliás, em 1776, a população da capitania de Minas Gerais era de 320 mil habitantes, sendo 71 mil brancos, 82 mil mulatos e 167 mil negros. Apenas 8% da população era formada por mulheres brancas. Basta que lembremos de outro caso bem conhecido, o da escrava Chica da Silva, ligada a um contratador de diamantes português e que frequentou a alta sociedade de Diamantina. 



Mas, voltando ao poeta Claudio Manuel da Costa (na foto acima, assinatura do poeta em um documento), após retornar ao Brasil foi figura sempre presente na Câmara Municipal de Vila Rica, sendo depois nomeado secretário do governador da capitania de Minas Gerais. Com o seu bom relacionamento, montou uma banca de advocacia. Claudio tornou-se um homem muito rico, com uma boa clientela. Além disso, constituiu um bom patrimônio, pois possuía escravos, sociedade na exploração de várias minas de ouro, além da propriedade de uma fazenda. 



Seu casarão em Vila Rica (imagem acima) era ponto de reunião dos homens ricos e letrados de Minas Gerais.



Apenas um outro letrado poderia ser comparado ao advogado Claudio e superá-lo nos dotes literários: Tomás Antônio Gonzaga. Português de nascimento, embora filho de um brasileiro com uma mulher descendente de ingleses. Seu pai tinha sido ouvidor (juiz superior) em Pernambuco e juiz no Tribunal Superior da Bahia, entre outras importantes funções. Claro, o destino de Gonzaga foi Coimbra, onde estudou Direito e posteriormente foi nomeado ouvidor em Vila Rica no ano de 1782. Homem vaidoso, consumia grande parte do que ganhava em roupas, pois gostava de andar bem vestido. O ouvidor teve uma caso amoroso com uma moça chamada Maria Doroteia Joaquina de Seixas, a "Marília de Dirceu" de seus poemas (na foto acima, a casa onde viveu Maria Doroteia em Vila Rica, demolida em 1927). Uma bela jovem de cabelos negros e que contava com 19 anos de idade quando Gonzaga tentou pedi-la em casamento, num momento ruim para o poeta, que terminara o seu mandato de ouvidor e estava sendo transferido para Salvador, na Bahia. 
Ainda entre os letrados, lembramos do juiz e também poeta José de Alvarenga Peixoto. Aos 36 anos de idade engravidou a jovem, bela e culta Bárbara Eliodora Guilhermina da Silveira, 20 anos mais nova e filha do advogado José Silveira e Sousa. A família de Bárbara era de origem paulista e tinha entre os seus ancestrais nomes ilustres, como Amador Bueno e o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, conhecido como o "Anhanguera". A união em forma de concubinato (não oficializada) foi conveniente para a família da jovem e para Alvarenga, que deixou o posto de juiz para cuidar de seus negócios privados como fazendeiro e minerador, sendo depois nomeado coronel da Guarda dos Dragões. Por insistência da Igreja, a união do casal acabou sendo oficializada. 



Todos esses indivíduos mantinham uma relação direta ou indireta com aquele que era considerado o homem mais rico de Vila Rica: o contratante João Rodrigues de Macedo. Proprietário da mais bela residência da cidade, a atual Casa dos Contos (imagem acima), Macedo foi o melhor exemplo daqueles que se beneficiaram dos contratos para arrecadar impostos em nome da Coroa Portuguesa e utilizando tal recurso em benefício próprio. Tornou-se um grande devedor do governo português. Ao perceber que a quantidade de tributos arrecadada declinava atribuiu isso ao contrabando. Para combater o comércio ilegal contou com a ajuda do alferes Joaquim José da Silva Xavier, que conhecia os caminhos do ouro como "a palma da mão". Macedo era também uma espécie de banqueiro, emprestando dinheiro a juros e até financiando os estudos dos jovens na Universidade de Coimbra. Entre os seus devedores estavam Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga. Mas, quem era o seu advogado? Claudio Manuel da Costa. Tendo o melhor advogado e sendo credor do ouvidor (juiz) de Vila Rica, Macedo ganhou todos os processos movidos pela Coroa Portuguesa contra ele. 
A sua casa era o centro financeiro e fiscal da cidade. No térreo ficavam os guichês para pagamento dos tributos que ele arrecadava e também as mercadorias distribuídas pelo contratante, o qual ocupando tal função estava isento de pagar tributos à Coroa Portuguesa.



O chamado "grupo de Vila Rica" (no desenho acima do final do século XVIII, o centro de Vila Rica, atual praça Tiradentes), como foi designado pelo historiador inglês Kenneth Maxwell, ainda contava com outros indivíduos de grande prestígio e fortuna, como o padre paulista Carlos Correia de Toledo e Melo, dono de muitos escravos, fazendas e minas de ouro. Sempre que passava por Vila Rica, hospedava-se na casa do ouvidor Gonzaga, possuindo também uma biblioteca em sua residência, situada no rio das Mortes. O cônego Luís Vieira da Silva, da catedral de Mariana (antiga Vila do Carmo, próxima a Ouro Preto), era um padre erudito e estudioso, muito conhecido por abrigar uma biblioteca com mais de 600 volumes, uma coleção enorme para os padrões da época. Vieira da Silva foi também professor de filosofia e um entusiasta da independência dos Estados Unidos, falando sobre o tema com muitas pessoas e destacando que os europeus não tinham o direito de dominar a América. 
Como podemos notar, os laços que ligavam esses indivíduos eram fortes, mesmo fora de Vila Rica. Por exemplo, o padre José da Silva de Oliveira Rolim, proveniente do arraial do Tejuco (atual Diamantina), contrabandista de diamantes, falsificador de moedas, agiota e suspeito de um crime de morte, tinha fortes relações com a elite de Vila Rica. Na condição de padre pode livrar-se de um processo por assassinato. Rolim tinha amigos poderosos, entre os quais João Rodrigues de Macedo e o fazendeiro José Aires Gomes. A mulher que teria sido mãe de seus cinco filhos era filha da célebre escrava Chica da Silva. Rolim também era amigo do português Domingos de Abreu Vieira, tenente-coronel da cavalaria da Guarda dos Dragões, que foi padrinho da filha ilegítima do alferes Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes), comandante de um destacamento da mesma Guarda, que patrulhava o "Caminho Novo" para o Rio de Janeiro. 
Eis o homem! Joaquim José da Silva Xavier era um indivíduo de muitas habilidades, tendo recebido uma educação formal com leitura, escrita e as operações matemáticas fundamentais. Contudo, parece ter sido uma pessoa que gostava de aprender mais e movia-se pela curiosidade. Sua data de nascimento parece ter sido o ano de 1746, na fazenda de Pombal, de propriedade de seus pais, próxima a São João Del Rei. O pai era português e a mãe mineira, tendo os mesmos se fixado na região em função das possibilidades trazidas pela mineração. O casal não fez fortuna, mas melhorou de vida. O pai de Tiradentes chegou a ter 35 escravos, que trabalhavam na lavoura e nas minas. Tiradentes foi o quarto de um total de sete filhos. Contudo, aos 11 anos já tinha perdido os pais e passou a viver com um tio, que além de minerador, era um cirurgião-dentista. Sim, foi com ele que o jovem rapaz aprendeu o ofício que lhe rendeu o famoso apelido: Tiradentes. Depois de completar 18 anos, Tiradentes deixou a casa do tio e trabalhou como tropeiro, conduzindo gado e mercadorias, o que possibilitou conhecer bem a região das Minas Gerais. 
O ofício de dentista e prático (sabia tratar de doenças) o fez ser muito requisitado. Tiradentes chegou a ser sócio de uma botica (farmácia) em Vila Rica, na qual conservava uma coleção de ervas, raízes e pós para combater diversas doenças. O próprio Tiradentes preparava remédios com vários ingredientes, entre os quais a quinina, para combater febres e a salsaparrilha para tratar das doenças venéreas. Mas, sem dúvida, a sua maior habilidade era a extração de dentes e a confecção de próteses, que eram feitas de ouro, ossos de animais ou de marfim. A qualidade do seu trabalho era reconhecida em toda a região do ouro. 



Em 1775, Tiradentes deixou a vida de tropeiro para se alistar na guarda que o governo da capitania de Minas Gerais estava organizando. Para ser um oficial da mesma era preciso ser branco e pertencer a uma boa família (na ilustração acima, de Ivan Wasth Rodrigues, um oficial da Guarda dos Dragões do século XVIII). Tiradentes foi aceito como alferes (cargo equivalente ao de segundo-tenente). 



Em 1780, Tiradentes (no desenho acima, o alferes como foi imaginado pelo ilustrador Ivan Wasth Rodrigues) assumiu o comando das patrulhas que combatiam o contrabando na estrada para o Rio de Janeiro e ainda ajudou o governo português a abrir um caminho para controlar melhor a saída do ouro, recebendo o direito de explorar sete sesmarias (lotes de terra), além das outras três que já possuía. Também pode comprar um terreno e construir uma casa em Vila Rica, bem próxima de seu amigo João Rodrigues de Macedo. Contudo, a partir dessa época a sua ascensão foi interrompida em favor de vários outros oficiais militares que receberam promoções, enquanto Tiradentes continuava alferes. Apesar de circular entre as pessoas mais importantes da capitania, tinha dificuldades em fazer parte da elite, tendo sido negado a ele o pedido de casamento com uma sobrinha do padre Rolim. 
O crescimento econômico da capitania de Minas Gerais era o contrário daquilo que Portugal esperava de sua colônia naquele momento, ou seja, o de fornecer riquezas para a metrópole e não tornar-se autossuficiente, como se verificava na década de 1780. A tendência da política portuguesa era a de reverter a diversificação econômica de Minas Gerais e restringir qualquer possibilidade de desenvolvimento contrária aos ditames da metrópole. Para isso, Portugal enviou um novo governador: Luís da Cunha Meneses. 
Meneses não estava mais orientado pela visão pombalina de promover a elite branca nascida na terra e que começava a prosperar. Muito pelo contrário, tratava-se, na verdade, de reduzir a atuação desses indivíduos. Tal postura gerou choques entre a nova autoridade e os poderosos da capitania, sobretudo a respeito dos arrendamentos para a cobrança dos tributos (os contratos). Na verdade, Cunha Meneses tentou promover pessoas de sua confiança mais direta, o que prejudicou a antiga elite habituada com os privilégios que havia conquistado. Na sua gestão podem ser identificados os atritos que conduziram à ideia de uma sublevação contra Portugal, por parte dos poderosos da capitania, inspirados no caso norte-americano e nos ideais da Era das Luzes. Tiradentes foi um dos mais ardentes defensores desse levante. É o que veremos na segunda e última parte desta postagem...
Para saber mais:
Kenneth Maxwell. A Devassa da Devassa. Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra, 1978 (existe uma edição atualizada dessa obra). 
Crédito das imagens:
Imagem de Tiradentes e gravura de Rugendas sobre Vila Rica: Ethevaldo Siqueira. A eterna busca da Liberdade. Brasil: 500 anos de comunicações. BCP Telecomunicações, 2000, pags. 62 e 65. 
Lavagem de ouro de Marc Ferrez (1870). O Brasil Rural: a ocupação do território. Coleção Folha Fotos Antigas do Brasil. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2012, pag. 14. 
Mapa da capitania de Minas Gerais: Mapas Históricos Brasileiros (coleção Grandes Personagens da Nossa história. São Paulo, Abril Cultural, 1973. 
Foto de Ouro Preto em 1890: Museu da Inconfidência de Ouro Preto. 
O Cristo na Flagelação de Aleijadinho e a Casa dos Contos: Arte no Brasil. São Paulo, Abril Cultura, 1982, pags. 107 e 113. 
Gravura com o suposto rosto de Claudio Manuel da Costa e documento com a sua assinatura: Laura de Mello e Souza. Claudio Manuel da Costa. Coleção Perfis Brasileiros. São Paulo, Cia. das Letras, 2011. 
Rosto de Aleijadinho por Belmonte, desenho da praça central de Vila Rica no final do século XVIII e lavagem dos diamantes: Grandes Personagens da Nossa História. São Paulo, Abril Cultural, 1973, pags. 228, 240 e 239 respectivamente. 
Casa de Claudio Manuel da Costa: www.famososquepartiram.com
Casa de Marília de Dirceu em Vila Rica. Pedro Dória. 1789. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014. 
Ilustração de um guarda dos Dragões do século XVIII e do alferes Joaquim José da Silva Xavier: História do Brasil em Quadrinhos. 1ª parte. Rio de Janeiro. Editora Brasil-América, 1970 (data presumida).









sábado, 9 de maio de 2015

Brasiliana Fotográfica



Uma ótima notícia para os historiadores, pesquisadores da área de ciências humanas, estudantes, amantes da fotografia e todos aqueles que se interessam pela História do Brasil. A Fundação Biblioteca Nacional, em parceria com o Instituto Moreira Salles, está disponibilizando desde o último dia 17.04, um precioso acervo fotográfico: a Brasiliana Fotográfica. O internauta poderá acessar fotos dos séculos XIX e XX por meio de uma pesquisa no portal da própria Brasiliana. 
A consulta aos arquivos fotográficos permite salvar o resultado no próprio portal ou ainda compartilhar a imagem por meio das redes sociais (como a fotografia acima, de 1885, da entrada da baia de Guanabara, de autoria do célebre fotografo Marc Ferrez). O acervo pode ser consultado por data, autor, assunto e local. Trata-se de uma preciosa ferramenta para o pesquisador conhecer e analisar imagens dos mais variados momentos de nossa história, começando a partir da metade do século XIX, no período correspondente ao Segundo Reinado (1840-1889), onde tivemos os primórdios da fotografia em nosso país, passando pela primeira metade do século XX. 


Por meio das mesmas podemos, por exemplo, visualizar a evolução urbana de importantes cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro, capital do Brasil até 1960 (quando foi inaugurada Brasília) ou São Paulo, em sua transformação como centro industrial e financeiro do país. A foto acima, de 1860, nos lembra que a cidade do Rio de Janeiro possui a maior floresta em área urbana do mundo: a floresta da Tijuca (a foto é de 1860 e mostra a conhecida cascatinha da Tijuca). 


No século XIX, o hábito de frequentar praias para tomar banho de mar não era algo comum e muitas faixas do litoral da então capital do Brasil eram praticamente desertas, como Copacabana e Ipanema (na foto acima, a praia de Ipanema e o morro dos "Dois Irmãos" ao fundo, em foto do início do século XX). 


A cidade de São Paulo também aparece em várias fotos, ainda quando muitos de seus rios eram navegáveis, utilizados para o lazer e recreação. Esse foi o caso do rio Tamanduateí, próximo a atual rua 25 de Março, onde estava localizado o "porto geral", com passeios de barco (na foto acima, de 1910).


Parte do acervo da família imperial brasileira também consta da coleção, com imagens raras das viagens de Dom Pedro II à Europa e ao Oriente Médio (incluindo o Egito). Podemos observar várias imagens do imperador D. Pedro II, aliás um amante da fotografia, em diferentes momentos de sua vida (como na foto acima, de aproximadamente 1860). 


A discreta imperatriz Teresa Cristina aparece também em várias fotografias (na foto acima, de 1873).


Vários outros membros da família imperial, como a princesa Isabel (foto acima, sem data) também podem ser observados no acervo. 


Muitas cenas do cotidiano dos tempos finais da escravidão podem ser visualizadas nas centenas de exemplares disponibilizados digitalmente na Brasiliana (como o escravo que trabalhava com tropeiros em meados do século XIX, foto acima). 
O blog História Mundi deixará disponiblizado em seus links interessantes, o acesso direto a esse portal da Fundação Biblioteca Nacional, que nos últimos anos têm digitalizado um imenso acervo de documentos, livros, mapas, fotografias, jornais e revistas, muito úteis aos historiadores e pesquisadores. Agora é só navegar e apreciar essas belas imagens históricas.......

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Comodoro Cinerama: O Melhor Cinema do Brasil parte II



"Terremoto" mobilizou o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil da capital paulista no ano de 1975. Fiquem tranquilos caros leitores, estamos nos referindo ao filme "Terremoto" (Earthquake, produção de 1974). Quando de sua exibição no cine Comodoro, o sistema de som desenvolvido pelos estúdios da Universal Pictures, em Hollywood, chamado de Sensurround, dava a impressão de um tremor de terra real. Nada que viesse a abalar a estrutura do cinema e nem a sensibilidade dos espectadores. Em relação aos vizinhos mais próximos do Comodoro, os moradores do edifício Lucerna A, houve uma maior preocupação e as autoridades municipais ficaram em alerta durante a realização dos primeiros testes para a exibição da película, em julho de 1975, há praticamente quarenta anos. 



O cine Comodoro (acima, uma rara foto do interior da sala, em 1959) viveu nas décadas de 1970 e 1980, o seu auge como sala de espetáculos. Contudo, o Cinerama original foi uma novidade que teve curta duração e a técnica se mostrou inadequada para produções que não fossem documentários. 



O antigo sistema de três projetores, exibindo cada um deles uma terça parte do filme, deixou de ser novidade e as películas nesse formato não foram mais produzidas. A opção dos grandes estúdios se fixou no desenvolvimento de outras técnicas de projeção panorâmica, inicialmente o Cinemascope, depois o VistaVision, o Technirama 70 milímetros e, finalmente, o Panavision (o mais utilizado). Na verdade, a transformação da antiga película de bitola (largura) de 35 para 70 milímetros produzia um resultado semelhante ao do antigo Cinerama, no mesmo tamanho de tela com 146º de curvatura, como no caso do filme "Uma Batalha no Inferno" (The Battle of the Budge, 1966, cujo anúncio de exibição no Comodoro aparece na imagem acima). Para este último filme a propaganda avisava que a película seria exibida sem as emendas que caracterizavam a projeção no sistema do antigo Cinerama. Por sua vez, a marca registrada Cinerama continuou sendo utilizada nas salas de espetáculos, inclusive no cine Comodoro. Mesmo os filmes clássicos, como "...E o vento levou", "Os Dez Mandamentos", "Ben-Hur" e "Doutor Jivago" tiveram cópias novas feitas no formato 70 mm. 
No início da década de 1960, tudo indicava que o mesmo problema gerado pela concorrência da televisão nos Estados Unidos estava ocorrendo também no Brasil. Uma pesquisa divulgada pelo jornal "O Estado de S. Paulo", na edição do dia 18.07.1965, mostrou que a frequência aos cinemas estava deixando de acompanhar o crescimento populacional da capital paulista. Os dados abrangiam um período de 19 anos. Em 1956, o público dos cinemas atingiu o número recorde de 58.715.965 espectadores para uma população de 3.037.309 habitantes na cidade. Contudo, em 1963, sendo a população paulistana de 4.329.212 habitantes, o número de frequentadores caiu para 40.402.640. O preço dos ingressos foi descartado como fator responsável por essa queda de público, uma vez que os mesmos tiveram reajustes inferiores ao do salário mínimo. A televisão foi apontada como sendo a maior responsável.
A comodidade de ficar em casa, de ter simultaneamente várias opções de programas e a exibição de filmes dublados eram vantagens apontadas para a opção pela televisão. Devemos destacar que, até a década de 1960, parcela ainda considerável da população era mal alfabetizada e tinha dificuldades para a leitura das legendas dos filmes. Além disso, a maior facilidade que as pessoas tinham para viajar nos finais de semana (o uso mais frequente do automóvel) e o futebol, também eram apontados, em menor grau, como fatores que contribuíam para essa queda de público.



Por outro lado, isso parece não ter afetado algumas salas de exibição, entre elas o cine Comodoro. Além do atrativo da tela panorâmica, a sala era equipada com som estereofônico de excelente qualidade. Em função disso, o Comodoro foi escolhido para sediar a exibição quinzenal dos "Concertos Audiovisuais" promovidos pela Juventude Musical de São Paulo, entre os meses de setembro e outubro de 1968. A iniciativa buscava atrair o público jovem, formado por estudantes do ensino médio e universitários, para a musica erudita. Obras de Bach, Mozart, Brahms e Villa-Lobos, entre outras, poderiam ser ouvidas em gravações das grandes orquestras do mundo, com acompanhamento visual de imagens projetadas em slides no telão do Comodoro e que foram preparadas por uma equipe de jovens artistas plásticos, entre os quais, Fabio Magalhães, Carmela Gross e Marcelo Nitzche. Filas chegaram a se formar no quarteirão onde se localizava o cinema, na avenida São João, centro de São Paulo, para a exibição do evento, que teve início em 29.09.1968 (como mostra o anúncio acima). Além do espetáculo audiovisual, a Orquestra Sinfônica Jovem da Prefeitura realizou um ensaio aberto ao público no cinema. 
Além desse evento, registramos que em abril de 1969, o cine Comodoro exibiu uma fita soviética, "Anna Karenina" (União Soviética, 1967), que contou com a participação de uma das estrelas do Balé Bolshoi: Maya Plissetskaya. No ano de 1972 outro filme soviético foi exibido na sala, o documentário "O Circo do Século". Os dois filmes vieram com cópias em 70 mm em plena época da Guerra Fria. 


O público da década de 1970, como este blogueiro, que assistiu a exibição de "2001: Uma Odisseia no Espaço" (2001: A Space Odissey, 1968) do diretor Stanley Kubrick, no Comodoro, sabia da qualidade do som daquela sala para a exibição de filmes que tivessem como destaque a trilha sonora. Entre 1971 e 1972, a sala exibiu o filme "Elvis é Assim" (That's the Way It Is de 1970) que mostrava a abertura de uma temporada do conhecido astro do rock em Las Vegas. O anúncio, publicado nos jornais da época (imagem acima) utilizava uma expressão típica dos tempos da Jovem Guarda no Brasil: "Elvis mandando brasa como nunca". Em 1978, o Comodoro exibiu, com exclusividade, o filme "Grease, nos Tempos da Brilhantina" (Grease, 1978) com o então astro das discotecas John Travolta.



No início da década de 1970, o Comodoro viveu o seu grande momento de público e prestígio, com os antigos filmes de Hollywood com cópias novas em 70 mm, som estereofônico e a onda dos filmes de catástrofe, como as películas da série Aeroporto (o Comodoro exibiu Airport 1975 e Airport 1977), Pânico na Multidão (Two-Minute Warning de 1977), Vôo 502: em Perigo (Skyjacked, 1972) e o que mais tempo permaneceu em cartaz nessa época: "Terremoto" (nas imagens acima, podemos ver os anúncios de "Pânico na Multidão" e "Vôo 502: em Perigo").



Para a exibição do filme catástrofe "Terremoto"(na imagem acima, o anúncio divulgando a estréia da película no Comodoro), o estúdio Universal desenvolveu um novo sistema sonoro: o Sensurround. O termo é o resultado da junção de duas palavras: sense de sensibilidade e surround de envolvimento. 


O Sensurround permitia ao espectador a sensação de estar em meio a um terremoto (pelo menos era o que o material de propaganda prometia), em função dos efeitos sonoros de baixa frequência e das vibrações no ar proporcionadas por 14 caixas acústicas e mais 4 amplificadores que eram controlados por uma espécie de "mini-computador" (na foto acima, os amplificadores do Sensurround). 


O novo sistema de som (no fotograma acima, o aviso que antecedia a exibição de um filme que utilizasse o Sensurround) tornou-se a grande novidade surgida na década de 1970, para mais uma vez atrair as plateias pelo envolvimento com o espetáculo cinematográfico. Apesar das advertências com relação às "reações físicas ou emocionais" que o espectador poderia ter, em termos práticos, o Sensurround não chegava sequer a ameaçar a estabilidade de um saco de pipocas.


Contudo, quando o primeiro teste do Sensurround foi feito no cine Comodoro, com a aparelhagem ainda desregulada, numa madrugada de julho de 1975, muitos vizinhos do cinema saíram às ruas com as roupas de dormir, imaginando que o edifício estivesse caindo. Em função desse incidente, fiscais da Prefeitura Municipal de São Paulo ficaram por quase um mês, medindo os decibéis nos apartamentos do edifício Lucerna A, o mesmo do cine Comodoro. Em uma primeira avaliação chegou-se a cogitar da interdição do cinema para a exibição do filme "Terremoto" (no fotograma acima, uma cena do filme). Contudo, outras medições feitas por engenheiros da Prefeitura, munidos de decibelímetros (aparelho para a medição dos decibéis) acabaram dando um parecer favorável à exibição da fita. Uma matéria publicada no jornal "O Estado de S. Paulo", em 31.07.1975, lembrava que a lei municipal 8.106, de agosto de 1974, determinava a proibição do uso de alto falantes e demais aparelhos sonoros que se fizessem ouvir fora do recinto onde os mesmos se encontravam, não importando a quantidade de decibéis. Para o fiscal da Prefeitura, Moacyr Pupo Ferreira e para o proprietário do cine Comodoro, Paulo Sá Pinto, os ruídos produzidos pelo filme estavam abaixo do esperado e não muito diferentes do que se ouvia no trânsito. Testes realizados dentro da sala durante a exibição experimental de "Terremoto", sem os ajustes no volume, registraram 105 decibéis, equivalente a um grande congestionamento, onde todas as buzinas estivessem tocando de forma simultânea. 
Apesar das restrições da citada lei, a conclusão foi de que o filme podia ser exibido com 66 decibéis durante o dia e 54 à noite. Não haveria a sessão da meia noite e por isso o filme começava a ser exibido às 10h45 da manhã. A aparelhagem foi toda ajustada para obedecer a esses limites. Para se ter uma ideia da intensidade dos decibéis já ajustados do Sensurround, tratava-se de um barulho inferior ao da avenida São João (onde estava localizado o Comodoro) no horário do rush, o qual alcançava 85 decibéis. 


Apesar disso, como medida preventiva, a Prefeitura de São Paulo pediu ajuda à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros, que ficariam a postos na manhã de estréia do filme, no dia 03.09.1975, uma vez que os espectadores poderiam ter a mesma sensação dos moradores do Lucerna, quando o teste foi realizado pela primeira vez (na foto acima, a fachada do cine Comodoro em 1975, durante a exibição de "Terremoto").


"Terremoto" foi um grande êxito de bilheteria, permanecendo por mais de sete meses em cartaz no Comodoro. Isso mesmo, mais de sete meses em cartaz na mesma sala, de forma ininterrupta (como mostra o anúncio acima)! Algo absolutamente impensável para os dias de hoje. 
Além do filme "Terremoto", o sistema Sensurround foi utilizado em outras três produções dos estúdios Universal: a "Batalha de Midway" (Midway, 1976), Terror na Montanha Russa (Rollercoaster, 1977) e "Galactica: Astronave de Combate" (Battlestar Galactica, 1978). Desses, apenas "Terror na Montanha Russa" foi exibido no Comodoro, em 1978. Esses filmes, do ponto de vista da arte cinematográfica, eram pouco representativos, atraindo as plateias mais em função dos efeitos especiais. Por isso, nenhum deles ficou nos registros dos grandes clássicos do cinema.



Isso não significava que o Comodoro não tivesse exibido outras películas mais representativas da sétima arte, como por exemplo, "...E o vento levou" (Gone With the Wind, 1939, na imagem acima o anúncio do filme), Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia, 1963), "Jesus Cristo Superstar" (idem, 1973), "A Filha de Ryan" (Ryan's Daughter, 1970) e o já citado "2001: Uma odisséia no Espaço".



Também tivemos bons lançamentos, como "A Ilha do Adeus" (Islands in the Stream, 1977), tida como a melhor adaptação de uma obra de Ernest Hemingway para o cinema (na imagem acima, anúncio do filme). 
Em 1979, a sala passou por uma reforma e continuou a exibir películas no formato 70 mm. No início da década de 1980, o Comodoro viveu os seus últimos dias de glória em meio à deterioração do centro de São Paulo. O público do cinema, que já vinha diminuindo desde a década de 1960, caiu ainda mais com a expansão dos shoppings centers e da segurança que estes proporcionavam à classe média, que continuou a frequentar cinemas. Mas o Comodoro sobreviveu por mais de uma década até sucumbir diante do esvaziamento dos antigos cinemas de rua. É o que veremos na ultima parte desta postagem......
Crédito das imagens:
Logo do Comodoro: anúncio publicado no "Jornal da Tarde" no ano de 1977 (sem registro do dia). Acervo do autor.
Foto do interior do cine Comodoro: blog Salas de Cinema de São Paulo.
Anúncio do filme "Uma Batalha no Inferno": 
cinescopiotv.com/2014/06/24/cinerama-antigo-pouco-conhecido-formato-cinematografico. 
Anúncios "Musica em som cinerama" e do filme "Elvis é Assim": jornal "O Estado de S. Paulo", edições de 21.09.1968 e 19.12.1971, respectivamente.
Anúncio do filme "Pânico na Multidão": "Jornal da Tarde", de uma edição de 1977, sem registro da data. Acervo do autor.
Anúncio do filme "Vôo 502: em Perigo". Jornal "O Estado de S. Paulo" sem registro de data. Acervo do autor.
Anúncio de estréia do filme "Terremoto": jornal "Diário Popular", edição de 02.09.1975. Acervo do autor.
Fotos do amplificador Sensurround, do logo do sistema e cena do filme "Terremoto": fotogramas do documentário "Sounds of Midway", produzido pela Universal Studios, 2001.
Fachada do cine Comodoro em 1975: blog Salas de Cinema de São Paulo.
Anúncio da 35ª semana do filme "Terremoto": "Jornal da Tarde", edição de 1975. Acervo do autor.
Anúncio do filme "E o Vento Levou": Jornal "O Estado de S. Paulo", sem data registrada. Acervo do autor. 
Anuncio do filme "A Ilha do Adeus": Jornal "O Estado de S. Paulo", sem data registrada. Acervo do autor.