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sábado, 29 de dezembro de 2012

Anúncio Antigo 26: edifício Joelma




A maior tragédia que a cidade de São Paulo conheceu: o incêndio do edifício Joelma. Era o dia 1 de fevereiro de 1974. Um curto-circuito em um aparelho de ar condicionado no décimo segundo andar deu início ao incêndio. O Joelma, construído em 1971, não chega a ser um arranha-céu, alcançando 25 andares e destes, 15 eram escritórios. Os demais andares eram formados por estacionamentos, que praticamente não foram afetados pelas chamas. 


O incêndio (imagem acima) teve início às 08:54 horas da manhã. Os bombeiros chegaram às 09:10 horas, praticamente quinze minutos depois. A demora foi atribuída às dificuldades no trânsito (imaginem se fosse hoje...).
A tragédia lembrava uma outra, ocorrida dois anos antes no edifício Andraus, na avenida São João, também no centro de São Paulo. Neste caso, pode-se fazer o resgate de parte das vítimas por meio de helicópteros, o que não foi possível no incêndio do Joelma. As condições da cobertura e o fogo impediam a descida dos aparelhos. Um helicóptero da Aeronaútica, que podia pairar no ar, foi deslocado para que os bombeiros pudessem alcançar a cobertura, o que ocorreu apenas uma hora e meia depois do início do incêndio. 


A configuração das salas, que eram ocupadas na época pelos escritórios do Banco Crefisul, contribuiram para a propagação rápida das chamas. Divisórias, móveis de madeira, carpetes, forros de fibra sintética, ou seja, materiais de fácil combustão. Quinze minutos após o início do desastre, as escadas comuns e os elevadores não podiam mais ser utilizados. Não existiam escadas de incêndio e portas de emergência que cortavam o fogo. A alternativa era fugir para a cobertura ou buscar abrigo nos banheiros e terraços (imagem acima). 
Em desespero, muitas vítimas se atiraram do prédio em chamas, num total de 20. Nenhuma sobreviveu. Em alguns pontos da cobertura, a temperatura alcançou os 100 graus celsius, provocando outras vítimas fatais. 
O saldo da tragédia: 187 mortos e 300 feridos. Aproximadamente 756 pessoas estavam no edifício quando o incêndio começou. 
O edifício Joelma permaneceu em reforma por quatro anos e foi reaberto em 1978. O Anúncio Antigo de hoje (imagem mais acima) refere-se à entrega e comercialização do mesmo para ser alugado após as obras. O Joelma continuou sendo um edifício comercial, com amplos salões para escritório distribuídos por 15 andares, além das garagens. E, claro, com um detalhe, o novo sistema de segurança "considerado modelar pelas autoridades", como afirma o anúncio. Era o diferencial que o novo empreendimento imobiliário tanto necessitava. 


Outra mudança ocorreu na designação do edifício. O nome Joelma, que se tornara sinônimo de tragédia, foi alterado para edifício Praça da Bandeira (na foto acima, o prédio hoje). 
Essa tragédia teve reflexos na segurança dos grandes edifícios. Com exceção de um outro incêndio ocorrido em 1981, na avenida Paulista, a cidade não conheceu mais tragédias desse porte em prédios ou arranha-céus. A fiscalização foi reforçada, a segurança foi revista e o Corpo de Bombeiros foi melhor aparelhado para enfrentar ocorrências como essa. 
Mas a cidade nunca esqueceu da tragédia do Joelma. Um filme rodado em 1979, "Joelma 23° andar", baseado em um livro psicografado por Chico Xavier, reavivou a história do incêndio. Em 1975, durante o lançamento no Brasil do filme catástrofe norte-americano, "Inferno na Torre", os distribuidores tiveram a ousadia de afirmar que a tragédia do Joelma foi uma das "inspirações" para o filme. 
Muitas lendas e histórias fantásticas acabaram envolvendo a tragédia do edifício Joelma. No local em que o prédio foi construído teria existido, no século XIX, um pelourinho onde escravos eram castigados. Os espíritos dos mesmos estariam assombrando o local, algo que muitos associaram ao incêndio. 
Além dessa lenda, um fato verídico ocorreu em 1948, também no mesmo local onde o Joelma foi construído. Um professor de Química assassinou a mãe e as irmãs dentro da casa onde moravam, jogando os corpos em um poço, o que deu nome ao caso de "crime do poço". Quando o caso foi descoberto pela polícia, o professor se matou. Ou seja, o local já teria um histórico associado a tragédias. 
Outra história tenebrosa, esta envolvendo o próprio incêndio, gira em torno de 13 pessoas que tentaram escapar pelo elevador e acabaram morrendo. Elas foram enterradas juntas e sem identificação, em um cemitério de São Paulo, dando origem ao "mistério das 13 almas", às quais os populares atribuem vários milagres. 
O Anúncio Antigo de hoje foi publicado no jornal "O Estado de S. Paulo" de 14.09.1978. 
Crédito das imagens: 
Joelma em chamas:http://emergencianews.wordpress.com.
Detalhe dos terraços: Revista  Veja, 26.12.1979, pag. 148.
Joelma hoje: www.flick.com 












quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Mensagem de Boas Festas


Houve uma época...



em que o Brasil tinha campeões correndo na Fórmula 1 (na foto acima, Emerson Fittipaldi, campeão mundial em 1972 e 1974 e vice em 1973 e 1975);



em que era recomendado às pessoas levar vantagem em tudo (na imagem acima, o ex-jogador Gérson no famoso comercial dos cigarros Vila Rica, de 1976);



em que o Brasil teve um presidente casado com a dona Argentina (na foto, Argentina Vianna, esposa de um dos presidentes da Ditadura Militar, Marechal Castelo Branco, em foto de 1922);


em que a Rua 25 de Março era mais tranquila para fazer compras (acima, em uma foto antiga, a rua na primeira década do século XX); 


em que os Três Patetas eram quatro (na foto acima, Ted Healy e seus Patetas, em 1929);


em que uma apresentadora de programas infantis da TV Globo deixou a carreira artística para ingressar no magistério (na foto acima, Márcia Cardeal, no centro, apresentadora da Sessão Zás Trás na TV Globo, na segunda metade da década de 1960);



em que um programa de humor tinha graça (na imagem acima, Manoel de Nóbrega e Borges de Barros no humorístico A praça da Alegria na TV Record, na década de 1960).

É por essas e por outras que eu continuo gostando da História. 
Desejo aos amigos e leitores um ótimo final de ano e boas festas...

                                                                   blog História Mundi 


Crédito das Imagens: 
anúncio dos cigarros Vila Rica: professorarturreis.blogspot.com.br

Programa Zás Trás: grandesnomesradioetv.multiplug.com
Fotos dos Três Patetas e do humorístico A Praça da Alegria da Revista TV Séries.
Foto de dona Argentina Vianna, da coleção Nosso Século, editora Abril, 1980. 
Imagem da rua 25 de Março antiga foi extraida do livro Memória da Cidade de São Paulo de Ernani Silva Bruno, publicado pela Prefeitura Municipal de São Paulo e Secretaria Municipal de Cultura em 1981. 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Lado a Lado com a História: A Revolta da Chibata parte II





"Vale é saber que as carnes de um servidor da pátria só serão cortadas pelas armas dos inimigos, mas nunca pela chibata de seus irmãos. A chibata avilta."
(João Cândido, entrevista ao Correio da Manhã durante a rebelião de 1910).

João Cândido foi chamado pela imprensa da época, que tanto criticou o movimento dos marinheiros, de "Almirante Negro". Nestes dias, em que a figura de Zumbi é tão celebrada nas comemorações do dia da consciência negra, que tal lembrarmos de alguém cuja história é bem mais documentada que a do rei de Palmares. Em nossa postagem anterior, pudemos verificar o resultado concreto da revolta dos marinheiros de novembro de 1910: o fim do castigo da chibata na Marinha do Brasil. O que falta ser contado é o preço que foi pago por essa conquista.
Apesar da anistia concedida pelo governo (na imagem acima, João Cândido lê o decreto de Anistia, ao lado do marinheiro Antônio Ferreira de Andrade, seu auxiliar), no dia seguinte, após o fim da rebelião, o presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca, assinou um outro decreto permitindo a exclusão da Marinha de todos os seus quadros considerados indesejáveis. Segundo dados do historiador Marco Morel, foram 1.216 expulsões ou o equivalente a metade dos participantes da revolta. Prisões, degredo e fuzilamentos ocorreram com respaldo do Governo da época.



Em 09.12.1910, uma outra revolta eclodiu no Batalhão Naval localizado na ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, envolvendo desta vez os fuzileiros navais. Tropas do Exército foram chamadas para pôr fim à essa nova rebelião, que deixou um saldo de 24 rebeldes mortos. Importante registrar que os marinheiros da Revolta da Chibata (na foto acima, os marinheiros do encouraçado São Paulo, após o fim da revolta) não tiveram nenhuma participação nesse novo levante, até pelo contrário, retiraram os barcos da zona de conflito para que ficassem a salvo. Contudo, o Governo usou essa segunda revolta para uma repressão violenta contra João Cândido e seus companheiros. 



Na véspera do Natal de 1910, uma onda de prisões foi desencadeada, incluindo João Cândido, Francisco Dias Martins e outros, os quais foram detidos acusados de liderar a nova rebelião (na imagem acima, marinheiros são levados presos, escoltados por soldados do Exército, pelas ruas do Rio de Janeiro). Cândido sempre acreditou que a rebelião no Batalhão Naval foi instigada pelas próprias autoridades, como forma de burlar a anistia e incriminar os marinheiros na nova revolta.
Em 24.12.1910, João Cândido e os demais presos foram levados para duas celas solitárias na ilha das Cobras. Apesar de serem celas individuais, Cândido e mais 17 presos foram jogados em uma única solitária. Em outra cela minúscula foram colocados mais 13 prisioneiros. No total 31 presos em celas que deveriam acolher apenas 2. O comandante do Batalhão Naval, capitão Marques da Rocha, levou as chaves embora. Era Noite de Natal. Gritos vindos da prisão foram ouvidos do lado de fora e o calor era insuportável. Dentro das celas praticamente não havia ar para respirar.
No dia seguinte, 25 de dezembro, o carcereiro jogou cal sobre os presos, para tirar o mal cheiro de urina e das fezes. O pó do cal terminou por asfixiar os prisioneiros que já agonizavam. No dia 26, a cela foi aberta e perguntaram se João Cândido ainda vivia. No dia seguinte, o capitão Marques da Rocha mandou retirar os detidos, que estavam desde o dia 24 sem água e sem comida. Na cela de João Cândido, apenas ele e outro marinheiro sobreviveram.
Além desse acontecimento trágico, vários outros marinheiros, que tiveram participação ativa na Revolta da Chibata, foram embarcados na véspera do Natal de 1910 para a Amazônia, em um navio chamado "Satélite". Pelos dados de Marco Morel, 105 marinheiros, juntamente com marginais e prisioneiros comuns foram colocados no barco. Vários marinheiros foram sumariamente fuzilados durante a viagem e os que conseguiram chegar no interior da Amazônia foram encaminhados para as obras da estrada de ferro Madeira-Mamoré ou para os seringais do Acre, onde poucos sobreviviam.
Por outro lado, a notícia do ocorrido na ilha das Cobras vazou e até instituições internacionais protestaram contra os maus tratos dados aos presos. Um Conselho de Guerra chegou a investigar o caso e o capitão Marques da Rocha foi absolvido (depois, continuou a seguir carreira na Marinha e alcançou o almirantado).
Profundamente abalado, João Cândido foi dado como doente mental e encaminhado a uma instituição psiquiátrica. Apesar de todo o sofrimento e contando com a ajuda dos médicos, Cândido recuperou-se e ainda recebeu um atestado de que não apresentava "nenhuma perturbação". Ao sair do hospital, foi encaminhado a uma prisão, onde permaneceu 18 meses até o julgamento.



João Cândido, Francisco Dias Martins, Manoel Gregório do Nascimento, entre outros, foram julgados não pela Revolta da Chibata (devido à anistia), mas pela rebelião no Batalhão Naval, da qual não tiveram participação. Membros da sociedade civil se mobilizaram em uma campanha, para conseguir bons advogados para a defesa. Os marinheiros foram absolvidos, por unanimidade, no final do ano de 1912. Contudo, João Cândido não teve muito tempo para comemorar. No mesmo dia em que foi solto (na imagem acima, Cândido pouco antes de ser libertado), soube que fora excluído dos quadros da Marinha.



Dessa época em diante, Cândido tentou trabalhar na Marinha Mercante, mas sem sucesso. Sob pressão dos militares, ele não conseguia emprego nos navios particulares (chegou a ter seus documentos apreendidos). Restou a João Cândido trabalhar como pescador (imagem acima, Cândido exibe uma cesta de peixes), atividade que garantiu o seu sustento até a sua morte. 
Cândido conheceu a extrema pobreza e passou por desgraças pessoais. Sua segunda esposa, Maria Dolores Vidal, cometeu suicídio ateando fogo ao corpo em 1928. A filha mais velha do casal repetiu o gesto dez anos depois. Nesses episódios trágicos, o nome de João Cândido ressurgiu na imprensa. 
Em sua trajetória política, Cândido aderiu ao Movimento Integralista Brasileiro (de inspiração fascista) comandado por Plínio Salgado, na metade da década de 1930. O militarismo presente na proposta integralista, talvez tenha atraído o velho marinheiro, habituado à disciplina militar. Com a ditadura de Getúlio Vargas (1937-1945), a simples menção à Revolta dos Marinheiros era proibida, e Cândido ficou esquecido.
Somente em 1958, o jornalista Edmar Morel publicou um livro narrando a história dos marinheiros e batizando o levante de Revolta da Chibata. O êxito e o interesse despertado a partir da publicação trouxe João Cândido de volta ao cenário político. O país vivia os anos de liberdade democrática, imediatamente anteriores ao golpe militar de 1964. Cândido chegou a receber homenagens, concedeu entrevistas e participou de feiras literárias. Até viajou de avião.



No lançamento da segunda edição do livro, em 1963, Edmar Morel e João Cândido participaram do IV Festival do Escritor no Rio de Janeiro, uma espécie de Bienal do Livro da época. Nesse encontro, Cândido foi apresentado a personalidades como Jorge Amado, Rubem Braga, Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira, entre outros. Ao final da festa, não havia mais transporte para a Baixada Fluminense, onde o velho marinheiro vivia e, por isso, teria que se hospedar em um hotel. Em cada estabelecimento que se apresentava, os recepcionistas olhavam para a figura simples de João Cândido e diziam: não há vaga. Após 12 tentativas, Edmar Morel conseguiu hospedá-lo em um hotel no bairro boêmio da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro.
Em março de 1964, os marujos voltaram a desafiar o comando da Marinha, iniciando um movimento grevista sob o comando do suspeito "cabo" Anselmo (seria um agente provocador infiltrado). João Cândido foi chamado para prestigiar o movimento. A greve dos marujos foi um dos pretextos para o golpe militar de 1964. 
Após tomarem o poder, os militares lançaram suspeitas sobre o trabalho do jornalista Edmar Morel e o mesmo teve os seus direitos políticos cassados. João Cândido, já aposentado e doente (na foto acima, tirada pouco antes de sua morte), conseguiu construir a sua casa em São João do Meriti, periferia do Rio, para onde se retirou levando uma vida simples ao lado de sua última esposa e filhos. No final da vida, tornou-se evangélico, mas ainda lia e acompanhava o noticiário político.


Com a implantação da Ditadura Militar (1964-1985) tornou-se perigoso mencionar a Revolta da Chibata. Por isso, em 1968, um ano antes de sua morte, João Cândido deu uma entrevista clandestina gravada, para o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. No início de dezembro de 1969 foi internado para tratar de problemas pulmonares. Um câncer em estado avançado foi diagnosticado e em 06.12.1969, aos 89 anos, João Cândido, o "Almirante Negro", morreu. Apesar da censura, a imprensa noticiou a sua morte, mas com uma certa frieza (na imagem acima, a edição da Revista Veja, de 17.12.1969, noticiando a morte de João Cândido).


Poucas pessoas compareceram ao seu enterro (na imagem acima, o filho caçula de João Cândido, Adalberto, na frente, ajuda a carregar o caixão com o corpo de seu pai). O tema Revolta da Chibata não era tratado de forma aberta em 1969, o primeiro ano em que o famigerado AI-5 (Ato Institucional que endureceu a Ditadura Militar) estava em vigor. Policiais vestidos à paisana fotografaram todos os que compareceram ao enterro. Apenas familiares e alguns membros da Associação Brasileira de Imprensa  (ABI) estavam presentes naquele dia chuvoso no Rio de Janeiro. Claro, Edmar Morel era um deles e pronunciou uma frase à beira do túmulo: "Adeus, João Cândido, você dignificou a espécie humana."
Em 1975, João Bosco e Aldir Blanc compuseram a canção que celebrou a figura de João Cândido, "Mestre-Sala dos Mares", eternizada nas vozes do próprio João Bosco e depois por Elis Regina. Sim, a letra original e o título tiveram que ser adaptados pelos compositores, em função da censura da Ditadura Militar, que ainda estava em ação em meados da década de 1970. Os censores reclamaram do excesso de referências ao termo "negro" e com o título original, "Almirante Negro", que depois foi alterado. A Marinha não iria aceitar essa afronta, dizia-se na época. Com algumas alterações, a música foi gravada e tornou-se um grande sucesso, perpetuando em definitivo a figura de João Cândido. Abaixo, o trecho inicial:

Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Ha figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas 
Jovens polacas e por batalhões de mulatas...

Para saber mais: 
Morel, Marco. João Cândido: A luta pelos Direitos Humanos. Fundação Banco do Brasil, Petrobrás, Associação Cultural do Arquivo Nacional e Governo Federal. O autor estudou e pesquisou a fundo o movimento dos marinheiros. O livro está disponível em:
http://www.projetomemoria.art.br/JoaoCandido/downloads/down_livro_joao_candido.pdf
Crédito das Imagens: João Cândido lendo o decreto de anistia: Coleção Nosso Século, Ed. Abril, 1980. As demais fotos são do próprio livro de Marco Morel.