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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ramsés II: faraó do Egito Antigo


O Antigo Egito ficou conhecido pelas grandes obras construidas pelos seus reis, os faraós, que acabaram perpetuando os seus nomes ao longo da História. E que História!!! Daí surgiu um termo muito utilizado até os dias de hoje para designar essas realizações colossais: obras faraônicas. São mais de três milênios de civilização, isso sem incluirmos o Egito da era cristã, que somam mais dois mil anos até chegarmos na época atual. A História do Egito Antigo como reino unificado começou por volta de 3200 antes de Cristo, com a união do Alto (interior) e Baixo Egito (região próxima ao delta do rio Nilo), sob um mesmo governo. Uma parte do grande interesse e curiosidade em relação à essa cultura deve-se ao fato de ter sido uma civilização que por esses três mil anos manteve as suas características econômicas, sociais e culturais praticamente inalteradas, claro que sempre com algumas rupturas, como as épocas em que o poder faraônico desapareceu e depois foi restaurado e ainda as invasões estrangeiras (como a dos hicsos, que vieram do Oriente Médio e chegaram a dominar o norte do Egito).
Sem dúvida, quando se fala do Egito Antigo lembramos também das pirâmides, construidas na fase do Antigo Império (2686 a.C. a 2181 a.C.) pelos reis da IV Dinastia, incluindo a maior de todas, a do faraó Quéops. Esse período foi a época também da famosa esfínge atribuida ao rei Quéfren.
Contudo, quando o faraó Ramsés II (imagem acima) governou, as pirâmides já tinham mais de 1300 anos, ou seja, já pertenciam ao passado do Egito. Ele foi um rei que marcou época. Seu governo, entre 1298 a.C. e 1235 a.C., é associado ao período em que os hebreus (ancestrais dos judeus modernos) fugiram do cativeiro (escravidão) no Egito, liderados por Moisés e retornaram à Terra Prometida (atual Israel). Muitas vezes os hebreus são confundidos com os trabalhadores que construiram as pirâmides. Tal confusão foi levada até para os filmes bíblicos de Hollywood. Contudo, as antigas pirâmides foram concluidas mil anos antes dos israelitas chegarem ao Egito. Outra confusão, a maior parte dos trabalhadores que se envolveram na construção daquelas grandes obras não eram escravos e sim a população camponesa que atendia ao chamado do rei para os trabalhos de construção dos túmulos, templos ou quando recrutados para a guerra. Era um sistema que muitos estudiosos chamam de servidão coletiva, embora a escravidão também fosse presente na sociedade egípcia.
Ramsés II viveu na fase do Novo Império (1567 a.C. a 1085 a.C.), exatamente no momento em que o Egito tornara-se uma potência militar e arriscava uma expansão até o Oriente Médio. Ao mesmo tempo, a fase após o seu reinado marcou o início de uma decadência que durou mil anos, até a conquista romana nos tempos de Cleópatra. A família de Ramsés era de origem militar, bem como seu pai, Seth. Em função dessa expansão externa muitas riquezas chegaram ao Egito sob a forma de tributos, o que garantiu ao faraó recursos para a construção de grandes obras, como templos, grandes estátuas em sua própria homenagem e até uma nova capital: Pi-Ramsés. Seu reinado foi longo (mais de 60 anos), o que ajudou o faraó a ter tempo de realizar muitas dessas construções ainda durante o seu reinado e outras ele simplesmente raspou o nome de antigos reis e colocou o seu. Sim meus amigos, isso era um recurso muito utilizado no Egito Antigo, principalmente com os faraós que caiam em desgraça diante dos sucessores e que, por isso, deveriam ter a sua imagem riscada da História. Mas a imagem de Ramsés II ficou e até hoje serve de exemplo para mostrar a época de maior esplendor daquela civilização, o que pode ser demonstrado pela riqueza das tumbas desses faraós do Novo Império, grande parte situada no famoso Vale dos Reis, nas encostas das montanhas (e não em pirâmides, que naquele momento, como dissemos, faziam parte do passado do Egito). Um desses túmulos é o do faraó "teen" (adolescente) Tuthankamon descoberto com todo o seu tesouro em 1922 (assunto para uma postagem futura).


Os colossos de Abu-Simbel que retratam Ramsés II (foto acima) são um dos mais famosos monumentos desse faraó. Construido na rocha, teve que ser removido para um local mais elevado no início da década de 1960 para que não fosse inundado pelas águas da represa de Assuã no rio Nilo.



Uma delicada operação de engenharia foi posta em prática (acima, um desenho mostrando parte da operação de retirada) para salvar os quatro colossos de pedra e o templo de Ramsés.



Ah, muitos iriam perguntar isso. Onde está a múmia desse faraó? Hoje ela repousa tranquilamente no Museu do Cairo (foto acima) e já foi submetida a um delicado tratamento na França para preservá-la por mais tempo. Seu rosto envelhecido (morreu com setenta e seis anos, o dôbro da expectativa de vida para a época) pode ser bem observado. A idéia era que o faraó-deus pudesse aproveitar a sua vida além-túmulo e usufruir de seu corpo. Da mesma forma, seus pertences também eram colocados na tumba a fim de que fossem utilizados nessa outra vida. 
Se acreditarmos que a História pode perpetuar a vida de muitos personagens, o objetivo foi alcançado.

Para saber mais:
O Antigo Egito. Biblioteca de História Universal Life. Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1969 (embora esgotada, o exemplar pode ser encontrado em qualquer bom sebo do Brasil a preços módicos). Deste livro foram retiradas as fotos que ilustram este post.

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