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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Imagens Históricas 9: rio Tamanduateí




Sim meus amigos, uma primeira olhada na foto acima e muitos irão imaginar tratar-se de algum rio da Amazônia. Ah, a população ribeirinha de algum igarapé dentro da mata fechada. Mas, não é isso.
Em alguma outra postagem afirmei que a cidade de São Paulo já teve dias melhores em termos paisagísticos e visuais. Pode-se dizer também no aspecto do lazer. Nos dias atuais este item importante da vida do cidadão está resumido a uma ida ao shopping center mais próximo da casa onde o mesmo mora. Um passeio ao ar livre? Talvez ao Parque Ibirapuera e isso durante o dia.
Observando a evolução da metrópole, percebemos como ocorreu uma perda do espaço coletivo destinado ao passeio, ao lazer, em resumo, ao convívio social. Muitos irão dizer que isso ocorreu também em outras metrópoles, mas não de forma tão radical como em São Paulo. A seção "Imagens Históricas" de hoje mostra algo absolutamente impensável nos dias atuais: um passeio de barco no rio Tamanduateí. Sim, aquele mesmo que divide São Paulo entre a área central (Zonas Sul e Oeste) e a Zona Leste (a partir do bairro do Brás). Trata-se de um divisor da cidade e que também é um afluente do rio Tietê. Ah, não nos esqueçamos, este último também já propiciou belos passeios de barco, competições de remo e abriga um famoso clube, cujo símbolo é uma bóia e uma âncora: o Corinthians, que já utilizou as águas do Tietê para entreter os seus sócios (meu pai que o diga...). 
Já imaginaram se pudéssemos ir às compras na conhecida rua 25 de Março e depois dar uma esticada no Tamanduateí para um passeio de barco? Pois é isso o que a foto acima, de 1910, mostra. Um belo passeio de barco nas proximidades do atual Parque D. Pedro II (que um dia já mereceu o nome de parque) e da rua 25 de Março. Bom, uma travessa dessa rua ainda hoje lembra os tempos passados: ladeira Porto Geral. O porto era o Tamanduateí.
A foto acima é de autoria de Vincenzo Pastore e faz parte do Acervo Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Anúncio Antigo 16: Elvis Triunfal



Elvis Presley morreu em 1977 (ou não???). Mal sabia ele que a partir daquele ano sua carreira iniciava uma nova trajetória, a do artista morto que mais fatura no mundo. Milhões e milhões de dólares ganhos sobre a marca "Elvis Presley". Trata-se de um marketing iniciado logo após a notícia de sua morte, quando a gravadora RCA imediatamente começou a prensar os seus antigos "bolachões" e rechear as lojas de discos com os mesmos. No cinema, os seus antigos filmes, a maioria de pouco significado para a arte cinematográfica, voltaram ao cartaz. Para se ter uma idéia, "Amor à Toda Velocidade" ("Viva Las Vegas") lançado em 1964, ficou entre as dez maiores bilheterias americanas em 1977, quando John Travolta começava a dar os seus primeiros passos na discoteca de "Os Embalos de Sábado a Noite". 
Um outro filme, o último feito com o cantor vivo, "Elvis Triunfal" (título original "Elvis on Tour", EUA, 1972) voltava ao cartaz aqui no Brasil, entre os meses de setembro e outubro, logo após a morte de Elvis  ocorrida em agosto daquele mesmo ano. Este filme é o tema do Anúncio Antigo de hoje (imagem acima), que foi publicado no jornal "Diário Popular" (hoje Diário de S.Paulo, entre os meses de setembro e outubro de 1977, não tenho a data precisa). 
Este longa-metragem é um documentário, dirigido por Pierre Adidge e Robert Abel e que teve parte da montagem feita por um iniciante: Martin Scorsese. A produção foi premiada com o Globo de Ouro de Melhor Documentário de 1972. O filme têm qualidades. Mostra os bastidores de uma turnê do cantor pelos sul dos Estados Unidos e revela um artista já um pouco cansado da rotina de shows e do estresse que antecedia as apresentações. Os sinais de seu esgotamento físico já eram visíveis cinco anos antes de sua morte. 




Era o Elvis estilo "Las Vegas", com suas roupas extravagantes e os macacões conhecidos como "jumpsuits" (na imagem acima, a foto original que foi usada para montar o anúncio do filme). Um aspecto de sua vida privada que o filme revela, aquela turma que o acompanhava nos shows e cuidava de sua segurança pessoal, que ficou conhecida como a "Máfia de Memphis" (cidade do Tennessee onde Elvis passou boa parte de sua vida) e que vivia às custas de seu trabalho. Elvis era uma pessoa absolutamente insegura e dependia da companhia de seus amigos, que também eram seus empregados e do coronel Tom Parker, seu ganancioso empresário, que antes de cuidar da carreira do cantor, promovia shows circenses baratos, como o das galinhas que dançavam. As pobres aves eram colocadas em uma chapa de metal recoberta, que quando era esquentada fazia com que as galinhas pulassem ou "dançassem". 
Boa parte dos músicos e artistas que acompanharam Elvis nessa turnê filmada estarão no Brasil, agora no mês de outubro para apresentar o show "Elvis in Concert", onde o cantor entra com a voz e a sua imagem é exibida em telões com os músicos tocando ao vivo. Esse show surgiu em 1997 para comemorar os vinte anos da morte de Elvis.
O anúncio de "Elvis Triunfal" fala que ver o filme é o mesmo que ver um show ao vivo de Elvis. Trata-se de um evidente exagero, apesar do recurso da projeção múltipla, que nada mais é do que mostrar várias cenas dentro do mesmo quadro, recurso muito utilizado na década de 1970. O filme foi exibido no antigo cine Rio (que ficava no Conjunto Nacional na avenida Paulista) e no Windsor, cinema que até hoje funciona no centro de São Paulo, mas... exibindo fitas pornográficas. Esse bom documentário está disponível em DVD para quem tiver curiosidade de ver.
Como se pode perceber, apesar de sua morte aos 42 anos, em termos de mídia e marketing, Elvis "renasceu" em 16 de agosto de 1977. 
Crédito das Imagens: acervo particular do autor e do livro "Images of Elvis" de Marie Cayton, Parragon Books, 2007, p. 202. 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Acervo Digital da Universidade da Flórida



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Meus caros amigos, conforme anunciado, o acervo digital do jornal "O Estado de São Paulo" realmente entrou no ar, porém a consulta aos textos dos exemplares fica reservada aos assinantes do jornal. De qualquer forma, podemos verificar se o assunto ou tema que nos interessa está em um determinado exemplar de um determinado dia e ano. Por outro lado, o História Mundi encontrou uma ótima biblioteca para todos os interessados em realizar  pesquisas  sobre o Brasil dentro da área de ciências humanas. A Universidade da Flórida disponibiliza, via internet, parte de seu acervo que está digitalizado para consultas. Trata-se do "University of Florida Digital Collections" com livros, alguns exemplares de jornais e revistas a respeito de nosso país. Também estão disponibilizados trabalhos acadêmicos, teses, dissertações que tenham como referência a América do Sul e seus países (o "South American Collections"). É mais uma ferramenta importante para o trabalho dos profissionais das ciências humanas, sejam eles historiadores, sociólogos, geógrafos, estudantes de literatura entre outros.  
Para aqueles que, como eu, se dedicam aos estudos sobre a Amazônia está disponibilizado o acervo do "Jornal Pessoal" do jornalista Lúcio Flavio Pinto. Trata-se de um jornal independente e combativo no que diz respeito aos grandes problemas da Amazônia. Esse conceituado jornalista  desenvolve um trabalho alternativo em relação à grande mídia na abordagem de temas, como a devastação da floresta amazônica, as intervenções governamentais por meio das grandes obras e à luta pela terra. Esse material é fundamental para os que estudam a história recente daquela região e o processo de ocupação ocorrido nos últimos cinquenta anos. 
Dentro desse importante acervo, o site disponibiliza ainda inúmeras obras e estudos sobre o Nordeste brasileiro, abordando a questão agrária e ainda vários trabalhos sobre o tema da seca, desde o século XIX. Por exemplo, para aqueles que estudam o Estado do Ceará existe material  documental e bibliográfico referente ao período do padre Cícero e de sua influência na história política daquele Estado.
Para os geógrafos e historiadores estão também disponibilizados vários mapas do território brasileiro desde o século XVI até o XIX. Em alguns deles, é possível verificar como os holandeses rastrearam uma extensa área que vai do Nordeste atual (que chegaram a controlar por 24 anos na primeira metade do século XVII) até a bacia do rio Amazonas, incluindo aí os seus afluentes. Por esses mapeamentos podemos ter uma idéia da evolução da exploração e ocupação de áreas importantes de nosso território, como o rio Tocantins no sul do Pará e o norte do antigo Estado de Goiás (atual Tocantins). 
Um belo exemplo da mapoteca desse acervo digital podemos ver na imagem acima. Trata-se de uma planta da cidade de Salvador, de autoria de Violante Vanni, publicada na cidade de Verona, na Itália, em 1763.
Claro, aqueles que se interessam pela história norte-americana, sobretudo a respeito do Estado da Flórida, também terão a oportunidade de navegar pelo seu rico acervo de imagens, livros e documentos. 
Deixo para vocês a localização que ficará em nossos "links interessantes":
http://ufdc.ufl.edu 


domingo, 20 de maio de 2012

Acervo do jornal "O Estado de São Paulo"


Atenção pesquisadores!!! O História Mundi foi informado de que todo o acervo do conhecido jornal "O Estado de São Paulo" foi digitalizado e estará disponível para consulta on-line na internet. O anúncio foi feito pelo próprio jornal em sua edição deste último sábado. A partir da próxima quarta-feira será lançado o portal com todas as edições do jornal, desde 1875, ainda nos tempos da monarquia, quando o periódico era conhecido como "A Província de São Paulo". Para todos nós pesquisadores é uma grande notícia, afinal de contas o jornal percorreu momentos fundamentais da História do Brasil Contemporâneo, como a Proclamação da República, a Revolução de 1930, o Estado Novo (quando o jornal sofreu intervenção do DIP), o suicídio de Getúlio Vargas e o Golpe Militar de 1964, entre outros eventos importantes. Teria sido o único jornal a noticiar os movimentos do Exército na região do Araguaia no início da década de 1970, para reprimir a guerrilha. Contudo, verifiquei que jornais locais, na cidade de Marabá, registraram também o fato. 
A consulta poderá ser feita por palavras ou datas e ainda contará com um dicionário para facilitar a identificação de palavras mais antigas ou que eram escritas com uma grafia diferente. Como dissemos acima, o lançamento será no dia 23.05.2012, próxima quarta-feira. Será que a data escolhida para esse evento, coincidindo com o início do movimento que levou à Revolução de 1932 contra Getúlio Vargas, foi por acaso? Pouco provável, uma vez que o jornal sofreu intervenção durante o governo desse presidente e o anúncio da disponibilização do acervo deu destaque aos períodos em que o jornal foi censurado.
Contudo, como o História Mundi gosta de ver para crer, vamos aguardar a quarta-feira. E vamos verificar também se o acesso será gratuito. 


P.S. : o acesso completo é exclusivo dos assinantes do jornal. O site é:
www.estadao.com.br/acervo

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Anúncio Antigo 15: O Planeta dos Macacos






O ano: 1968. Sim, aquele mesmo conhecido como "o ano que não terminou". Agitações, passeatas, estudantes nas ruas, barricadas em Paris, mulheres queimando sutiãs, filhos desafiando os pais, o sistema sendo contestado... No cinema, filmes que marcaram época, até mesmo na ficção científica. Difícil não lembrar de "2001: Uma Odisséia no Espaço" do grande diretor Stanley Kubrick. Mas "O Planeta dos Macacos" (EUA, 1968, direção de Franklin Schaffner) não deve ser esquecido. Um astronauta viaja no tempo, para o futuro e vem parar em um planeta onde o homem é dominado por macacos. A história já é por demais conhecida para que eu não revele o final: esse planeta é a própria Terra. O filme original teve várias sequências: A Volta ao Planeta dos Macacos, A Fuga do Planeta dos Macacos, A Conquista do Planeta dos Macacos e a Batalha no Planeta dos Macacos. Ufa!!! Virou seriado de TV em 1974. Isso sem contarmos as duas recentes refilmagens. Nenhum se iguala ao primeiro da série, lançado em 1968. 
Por outro lado, poucos irão lembrar que a história já havia sido filmada como um episódio do cultuado seriado de televisão "Além da Imaginação", onde dois astronautas caiam em um planeta sem saber que se tratava da Terra. Só havia uma diferença: não existiam os macacos, acrescentados no longa-metragem de 1968. O criador da famosa série, Rod Serling, colaborou com o roteiro do longa para o cinema. 


Um dos destaques do filme, o interrogatório ao qual é submetido o astronauta Taylor (interpretado por Charlton Heston, imagem acima) pelo Dr. Zaius, conselheiro dos macacos e aquele que deveria preservar a doutrina que vai na seguinte linha: homem bom é homem morto. Impossível não compararmos essa sequência do filme com a Santa Inquisição dos tempos históricos. Mesmo diante das evidências, o Dr. Zaius se nega a acreditar  (ou não quer acreditar) que voar é possível e que o ser humano, um dia, tinha sido mais inteligente do que os macacos. A última cena, onde o astronauta Taylor caminha pela praia até encontrar os restos da estátua da Liberdade, passou para a história da sétima arte. 
Pois bem, o filme foi lançado na cidade de São Paulo no antigo cine Majestic, na rua Augusta (hoje Espaço Itaú-Unibanco) e estava sendo exibido também no antigo cine Ouro, no largo do Paissandú (conhecido por abrigar a famosa lanchonete "Ponto Chic", onde foi inventado o Baurú). Não era por outro motivo que o cinema tinha esse nome, para lembrar o período da exploração do ouro no século XVIII em Minas Gerais. Na sala de espera do cinema toda a decoração lembrava o Barroco Colonial da época, com gravuras de Debret e Rugendas na parede. Contudo, essa pitoresca sala seguiu o mesmo destino dos grandes cinemas do centro velho de São Paulo, exibiu filmes pornográficos até fechar em definitivo. Lembro-me de uma época, meados da década de 1980, em que o cine Ouro sempre exibia na Semana Santa, o filme "Os Dez Mandamentos". Muitos ônibus de excursão traziam espectadores de outras cidades especialmente para ver o filme. Acredito que muitas igrejas evangélicas reservavam o cinema também para isso. 
O filme "O Planeta dos Macacos" ainda têm um claro reflexo do período contestatório que foi o final da década de 1960. Taylor aconselha a um jovem "macaquinho", no final do filme, com a frase: Não acredite em ninguém com mais de 30 anos. Mais 68 do que isso é impossível.
Agora, algo que não entendi no anúncio acima: por que as mulheres também estão gostando? E por que não deveriam gostar? 
O anúncio foi publicado no jornal "O Estado de São Paulo"  de 20.10.1968.
Crédito da imagem: fotograma do filme "O Planeta dos Macacos". 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Douglas Sirk no CCBB




Durante muito tempo o diretor de origem alemã, Douglas Sirk (na foto acima, à direita), foi considerado apenas pelos seus filmes carregados de dramaticidade e voltados basicamente para o público feminino da década de 1950, sobretudo nos Estados Unidos. Sim, ele fez muito sucesso em Hollywood dirigindo vários filmes para o estúdio Universal naquela época. Ajudou a transformar o bonitão Rock Hudson em um astro de maior respeito e com boas parcerias com atrizes como Jane Wyman (que foi casada com o ator-presidente Ronald Reagan), Lana Turner, Dorothy Malone entre outras. Uma reavaliação de seu trabalho pelos críticos franceses da revista "Cahiers du Cinéma", capitaneados por Jean-Luc Godard, mudou a perspectiva sobre a sua obra. Melodramas? Não apenas isso, mas uma visão profunda da classe burguesa americana, de seus dilemas e preconceitos. É isso o que a mostra apresentada a partir de 16.05, no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo promete revelar para o público atual, que talvez não o conheça. 




Para os que têm mais de 45 anos, Sirk talvez não seja estranho. Provavelmente o seu filme mais conhecido por aqui seja "Imitação da Vida" (EUA, 1959), que conta a história de duas amigas, uma atriz de teatro branca e sua amiga negra, cuja filha não aceita a sua condição racial e acaba por rejeitar a própria mãe (foto acima). Essa fita foi muito exibida na televisão brasileira entre as décadas de 1960 e 1970 e o final era de fazer chorar. 
Outro filme importante e conhecido de Sirk na mostra é "Tudo que o Céu Permite", que retrata o drama vivido por uma mulher de boa posição social (Jane Wyman), que depois de ficar viúva, apaixona-se por um jardineiro mais jovem e de um estrato social inferior (interpretado por Rock Hudson). Ao decidir viver a sua paixão, ela sofre a oposição dos filhos e da sociedade local na pequena cidade onde vive. Em uma das cenas mais marcantes deste filme, ela recebe de presente dos filhos uma televisão para passar o tempo e esquecer, talvez, a sua nova paixão, quando o seu rosto aparece refletido no vidro da tela do aparelho como se o seu própria drama se desenrolasse na tela. Momento máximo do diretor. 




Além desses dois filmes, "Palavras ao Vento" (EUA, 1956) também faz parte da mostra. A fita percorre os descaminhos vividos por uma rica família do Texas em processo de desagregação, com uma existência vazia e supérflua (foto acima). Ao todo são 29 filmes e mais 5 de outros diretores influenciados pelos mestre, entre os quais Fassbinder e Almodóvar.
Sirk teve uma sólida formação intelectual em sua terra natal, a Alemanha, onde estudou história da arte com o conhecido professor Erwin Panovsky e ainda teve boa experiência no teatro. Com a ascensão do nazismo, retirou-se da Alemanha, mesmo contra a vontade dos familiares. Teve um de seus filhos mortos durante a Segunda Guerra Mundial. Estabeleceu-se nos Estados Unidos onde ficou até o fim da carreira em 1959, exatamente com "Imitação da Vida". Faleceu na Suiça em 1987.
Hoje seus filmes constituem um retrato lúcido dos preconceitos, sonhos e frustrações da sociedade burguesa norte-americana do período de ouro do capitalismo do pós-guerra. Nesse sentido, é que a sua obra é lembrada e merece ser revista.

Para ver:
Douglas Sirk: o Príncipe do Melodrama
Centro Cultural do Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado, 112, centro de São Paulo, fone (11) 3113-3651/52.
De quarta a domingo, das 9 às 21 horas.
Ingressos: R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia).
De 16/5 a 10/6.
Em seguida a mostra vai para o Rio de Janeiro (16.06 a 08.07) e Brasília (sem data programada).

Imagens:  Grandes Éxitos de Hollywood. Volumen 2, Editorial Planeta-De Agostini, S.A., Barcelona, 1992, páginas 148 e 149. 

sábado, 12 de maio de 2012

Anúncio Antigo 14: Marilyn Monroe




O "Anúncio Antigo" de hoje não é tão antigo assim. Em 2002, eu o recebi pelo correio da empresa de televisão por assinatura NET e guardei por achar interessante e criativo. Naquela época alguns assinantes estavam colocando pontos clandestinos de televisão a cabo dentro de casa. Houve até casos de prisão. Devido a isso, as empresas de televisão por assinatura estavam divulgando campanhas publicitárias a respeito do famoso "ponto" domiciliar. Neste anúncio é destacado como esse "ponto" pode fazer diferença dentro de uma residência e nada melhor do que mostrar a atriz norte-americana Marilyn Monroe em uma foto sem e em outra com o pequeno "ponto" ou pinta no lado direito de seu rosto mundialmente conhecido. Pode-se dizer que no caso da atriz é um detalhe que faz diferença (na foto acima, a mesma sem a pinta lateral no rosto). O anúncio enviado pelo correio traz a foto e uma dobra na metade da mesma (na imagem anterior é possível ver a linha da dobra), a qual sendo retirada, reproduz a imagem da atriz com a famosa pinta em    sua face (como pode ser vista na imagem abaixo). 


A foto selecionada para essa campanha publicitária é parecida com a que foi imortalizada no famoso retrato da atriz feito pelo artista plástico Andy Warhol e a tornou um ícone do mundo pop na década de 1960. 
Marilyn Monroe faleceu em 1962, vítima de uma overdose de remédios e calmantes. Sua última aparição pública foi no aniversário do então presidente dos EUA, John Kennedy, que morreria assassinado um ano depois (quanta tragédia!!!). Ela esteve envolvida num rumoroso romance com o presidente e com o irmão do mesmo, o procurador da presidência Bob Kennedy (assunto para uma futura postagem).
Como já dissemos, este anúncio é de 2002 e faz parte do acervo particular do autor. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ramsés II: faraó do Egito Antigo





O antigo Egito ficou conhecido pelas grandes obras construídas pelos seus reis, os faraós, que acabaram perpetuando os seus nomes ao longo da História. E que História! Daí surgiu um termo muito utilizado até os dias de hoje para designar essas realizações colossais: obras faraônicas. São mais de três milênios de civilização, isso sem incluirmos o Egito da era cristã, que somam mais dois mil anos até chegarmos na época atual. O Egito moderno guarda pouca relação com a época antiga, pois hoje é um país muçulmano e ligado à cultura árabe. 
Talvez o rei egípcio mais associado a essas antigas obras foi Ramsés II, o Grande (na imagem acima, a sua múmia). Seu reinado marcou um momento importante do antigo Egito e de sua expansão em direção ao Oriente Médio. 
A história do Egito, como reino unificado, começou por volta do ano 3200 antes de Cristo, com a união do Alto (interior) e Baixo Egito (região próxima ao delta do rio Nilo), sob um mesmo governo representado pelo faraó (rei). Uma parte do grande interesse e curiosidade em relação a essa cultura, deve-se ao fato de ter sido uma civilização que por três mil anos manteve as suas características econômicas, sociais e culturais praticamente inalteradas, claro que sempre com algumas rupturas, como as épocas em que o poder faraônico desapareceu sendo depois restaurado e ainda as invasões estrangeiras, como a dos hicsos, que vieram do Oriente Médio e chegaram a dominar o norte do Egito entre os séculos XVIII e XVI a.C..
Sem dúvida, quando se fala do Egito antigo lembramos também das pirâmides, construídas na fase do Antigo Império (2686 a.C. a 2181 a.C.) pelos reis da IV Dinastia, incluindo a maior de todas, a do faraó Quéops. Esse período foi a época também da famosa esfinge atribuída ao rei Quéfren.



Quando o faraó Ramsés II (imagem acima, o sarcófago "emprestado" de outro rei, onde se encontrava a múmia desse faraó) governou, as pirâmides já tinham mais de 1300 anos, ou seja, já pertenciam ao passado do Egito. Ramsés foi um rei que marcou época. Seu governo, entre 1279 a.C. e 1213 a.C. (as datas de seu reinado são controversas) é associado ao período em que os hebreus (ancestrais dos judeus modernos) fugiram do cativeiro (escravidão) no Egito, liderados por Moisés e retornaram à Terra Prometida (atual Israel), como descrito no Êxodo do Antigo Testamento. 
Muitas vezes os hebreus são confundidos com os trabalhadores que construíram as pirâmides. Tal confusão foi levada até para os filmes bíblicos de Hollywood. As antigas pirâmides foram concluídas mil anos antes dos hebreus chegarem ao Egito. Outra confusão, a maior parte dos trabalhadores que se envolveram na construção daquelas grandes obras não eram escravos e sim a população camponesa, que atendia ao chamado do rei para os trabalhos de construção dos túmulos, templos ou quando recrutados para a guerra. Era um sistema que muitos estudiosos chamam de servidão coletiva, embora a escravidão também fosse presente na sociedade egípcia, como uma forma suplementar de mão de obra.



Ramsés II viveu na fase do Novo Império (1567 a.C. a 1085 a.C.), exatamente no momento em que o Egito tornara-se uma potência militar e arriscava uma expansão até o Oriente Médio. No mapa acima, temos demarcada a área de influência do Egito na época de Ramsés II. Ao mesmo tempo, a fase após o seu reinado marcou o início de uma decadência que durou mil anos, até a conquista romana nos tempos de Cleópatra e Julio Cesar. 
A família de Ramsés era de origem militar, como seu pai, Seth e o seu avô, Ramsés I, sendo provável que tenha acompanhado o pai em algumas guerras. Essa família não era originalmente nobre, sendo ele o terceiro faraó da XIX Dinastia. Dos 11 reis que ostentaram o nome Ramsés, ele foi o de maior prestígio, sendo também chamado de Ramsés, o Grande. 
Com dez anos de idade foi aclamado herdeiro do trono e ainda quando o pai era vivo teria desposado Nefertari, a sua mais famosa esposa. Sim, existiram outras mulheres na vida do rei, como por exemplo, Isitnefert. Sem dúvida, Nefertari foi a que mais se destacou, acompanhando Ramsés na maior parte de sua vida. Com ela, Ramsés teria tido seis filhos. Contudo, foi o filho que teve com Isitnefert, Merneptah, que o sucedeu no trono do Egito, muito em função da morte prematura dos primogênitos. Ramsés II também teria sido casado com a sua irmã mais nova e com três de suas filhas. Tal prática, muito comum no Egito Antigo, visava preservar a linhagem familiar no trono. 



Após suceder o pai no governo do Egito, Ramsés II (na foto acima, estátua representando o rei) iniciou uma campanha militar no Oriente Médio, onde entrou em choque com o reino dos hititas na Ásia Menor (atual Turquia). Uma batalha de carros de combate (bigas) foi travada em Kadesh (área situada na atual Síria). Esse talvez tenha sido o primeiro grande combate militar a possuir registros na história, embora os mesmos sejam interpretados a favor do Egito. Uma divisão inteira do exército egípcio foi surpreendida pelos hititas e destruída. O faraó teve que se refugiar e resistir em um acampamento militar, sob cerco hitita, até a chegada de uma divisão de apoio dos egípcios, que desbaratou os inimigos. No entanto, os relatos gravados nos templos do Egito sobre essa batalha mostram o faraó resistindo bravamente e iluminado pelo deus Amon vencendo os inimigos sozinho. Após anos de conflito, um tratado de paz foi celebrado entre as partes, uma vez que surgiu um inimigo para ambos, os assírios. O tratado previa proteção mútua em caso de um ataque desse novo reino militarista. Como parte do acordo, Ramsés recebeu uma princesa hitita de presente e com ela se casou, no ano 1245 a. C.. 
Em função da expansão externa muitas riquezas chegaram ao Egito sob a forma de tributos, o que garantiu ao faraó recursos para a construção de grandes obras, como templos, grandes estátuas em sua própria homenagem e até uma nova capital: Pi-Ramsés (que significa Casa de Ramsés). A cidade permaneceu como capital até o fim da XX Dinastia, mas ainda não foi localizada pelos arqueólogos. Situada ao norte do Egito, guardava proximidade com a Palestina e a Síria, onde o faraó realizou muitas de suas campanhas militares. 
Ramsés II também é muito lembrado em filmes e séries como o faraó que teria vivido na época do Êxodo de Moisés e de seu povo do cativeiro no Egito, que ocorreu em aproximadamente 1250 a.C.. Contudo, muitos historiadores e estudiosos afirmam que outros reis poderiam ter vivido nessa época, entre eles Tutmés III (anterior a Ramsés) e o seu próprio filho, Merneptah. Por outro lado, como vimos anteriormente, é certa a presença dos egípcios nas terras de Canaã no século XIII a.C., em função das campanhas militares. O Antigo Testamento não faz menção ao nome do faraó e a dúvida persistirá (ver a nossa postagem Moisés, Ramsés II e o Êxodo). 
Seu reinado foi longo, durando mais de 60 anos, o que ajudou o faraó a ter tempo de realizar muitas construções ainda em vida e outras ele simplesmente raspou o nome de antigos reis e colocou o seu. Isso era um recurso muito utilizado no Egito antigo, principalmente com os faraós que caiam em desgraça diante dos sucessores e que, por isso, deveriam ter a sua imagem riscada da História. Mas a figura de Ramsés II ficou e até hoje serve de exemplo para mostrar a época de maior esplendor daquela civilização, o que pode ser demonstrado pela riqueza das tumbas desses faraós do Novo Império, grande parte situada no famoso Vale dos Reis, nas encostas das montanhas (e não em pirâmides, que naquele momento, como dissemos, faziam parte do passado do Egito). Um desses túmulos é o do faraó "teen" (adolescente) Tuthankamon descoberto com todo o seu tesouro em 1922 (assunto para uma postagem futura).



Os colossos de Abu-Simbel (imagem acima) que retratam Ramsés II são um dos mais famosos monumentos desse faraó. 




Construído na rocha (acima, um dos colossos de Abu-Simbel representando o faraó, com mais de 20 metros de altura), teve que ser removido para um local mais elevado no início da década de 1960, para que não fosse inundado pelas águas da represa de Assuã no rio Nilo.



Uma delicada operação de engenharia, patrocinada pela UNESCO, foi posta em prática (acima, um desenho mostrando parte da operação de retirada) para salvar os quatro colossos de pedra e o templo de Ramsés. 



As estátuas form removidas por partes e posteriormente remontadas na área mais elevada (como na foto acima). 



Ah, muitos iriam perguntar isso. Onde está a múmia desse faraó? Hoje ela repousa tranquilamente no Museu do Cairo (foto acima, o detalhe da cabeça do faraó) e já foi submetida a um delicado tratamento na França para remoção dos fungos que comprometiam a mesma e preservá-la por mais tempo. Seu rosto envelhecido, morreu com mais de oitenta anos, o dobro da expectativa de vida para a época, pode ser bem observado. A ideia era que o faraó-deus pudesse aproveitar a sua vida além-túmulo e usufruir de seu corpo. Da mesma forma, seus pertences também eram colocados na tumba a fim de que fossem utilizados nessa outra vida. 
Se acreditarmos que a História pode perpetuar a vida de muitos personagens, o objetivo foi alcançado.
Para saber mais:
O Antigo Egito. Biblioteca de História Universal Life. Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1969 (embora esgotada, o exemplar pode ser encontrado em qualquer bom sebo do Brasil a preços módicos). 
Crédito das Imagens:
Templo de Abu-Simbel, um dos colossos de Abu-Simbel, desenho da remoção do templo e detalhe da cabeça de Ramsés II extraídos do livro citado acima.
A múmia do faraó e o mapa do Egito no Novo Império da revista National Geographic, Os Grandes Impérios do Mundo. São Paulo: editora Abril, 2015. 
Escultura do faraó e cabeça de Abu-Simbel sendo removida da coleção Grandes Impérios e Civilizações, O Mundo Egípcio, volume II. Edições del Prado, 1996.
Sarcófago onde foi encontra a múmia de Ramsés II: Coleção Civilizações Perdidas. Egito: Terra dos Faraós. Abril Coleções, 1998. 

domingo, 6 de maio de 2012

Imagens Históricas 8: Ditador a Cavalo


O ano: 1972. Sim, o mesmo da postagem anterior sobre a Fórmula 1. Considero esse ano, do qual tenho lembranças bem claras, o momento mais significativo da Ditadura Militar. Pode-se dizer que vivia o seu melhor momento, dentro do ponto de vista daqueles que tanto a defendiam. A ameaça da subversão já estava praticamente superada, pelo menos nas cidades. Restava o combate desigual da repressão contra os guerrilheiros do Araguaia, nas bordas da Amazônia que, aliás, se intensificou a partir desse mesmo ano em uma verdadeira operação de guerra, negada até hoje pelos militares.
No plano econômico, os indicadores eram de crescimento, mas trazendo distorções que iriam se perpetuar, com uma enorme concentração de renda nas classes mais abastadas. Havia emprego, mas a custa de arrocho (contenção) salarial. Muitos estudiosos classificam o regime vigente como uma Ditadura Civil e Militar e nisso estou de pleno acordo, pois beneficiou claramente o grande capital, sobretudo o multinacional.
Havia liberdade de imprensa para elogiar e não para criticar (ora, então não havia liberdade de imprensa) e os meios de comunicação sofriam rigorosa censura.  Mas, o general de plantão, Emílio Garrastazu Médici, ao crermos no jornalista Élio Gaspari em seu "A Ditadura Escancarada", já focava na sucessão e em tempos mais tranquilos para o seu sucessor, o general Ernesto Geisel. Não foi bem assim. Apesar da oposição armada ter sido desbaratada, o governo seguinte enfrentou uma conjuntura internacional adversa e a crise do petróleo, que o governo Médici apenas viu surgir, no final de 1973. Em 1974 a população deu o recado nas urnas de que nem tudo eram flores. O prazo de validade do milagre econômico chegava ao fim, a inflação aumentava e a renda ficava ainda mais contraida para os trabalhadores. Nas eleições legislativas de novembro de 1974, o antigo MDB (oposição consentida ao Governo Militar) obteve importantes vitórias em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Mas, em 1972 tudo ainda corria bem. Na visita ao Rio Grande do Sul, seu Estado natal, Médici até arriscou uma cavalgada no Centro de Tradições Gaúchas de Bajé. A foto foi utilizada nas eleições daquele ano como propaganda para o partido oficial, a ARENA. Lembremos que não havia eleições para presidente e governadores, apenas para os cargos legislativos e prefeitos, exceto os das capitais que eram nomeados.
A foto acima foi extraida de "1972: O Livro do Ano" da Edições da Revista Veja, pag. 126.

sábado, 5 de maio de 2012

40 Anos de Fórmula 1


Este ano estão sendo lembrados os 40 anos do início das transmissões de corridas de Fórmula 1 pela televisão brasileira. Também é lembrada a realização da primeira corrida de Fórmula 1 por aqui. Era uma prova que não valia pontos para o Campeonato Mundial de Pilotos e foi realizada para avaliar a pista de Interlagos para 1973. Como parte desses preparativos, em 1971 o autódromo recebeu um torneio de Fórmula 2 (antiga categoria de acesso à Fórmula 1) que teve o apoio da TV Globo, emissora que iria depois transmitir as provas da categoria maior (no anúncio acima, a divulgação feita pela emissora do torneio de Fórmula 2).
Não há dúvida, o automobilismo sempre foi um esporte elitizado e atualmente, mais elitizado ainda. Bem, conheci pessoas que arriscaram participar de corridas. Tive um amigo, Caio Cardoso, professor de Geografia e infelizmente já falecido, que foi piloto de Fórmula Super Vê, categoria que revelou o tricampeão mundial de Fórmula 1, Nelson Piquet. Já tive alunos corredores e mais recentemente, uma aluna. De qualquer forma, pode-se dizer que é um “esporte burguês”, como o tênis, a vela, o hipismo, o tiro, o golfe, o hóquei, só para citar alguns outros e que requer grandes investimentos para a sua prática.
Por outro lado, é um esporte que revela uma grande identidade com o público brasileiro, que como diz um certo comercial “é apaixonado por carros”. Na época, uma canção de Raul Seixas referia-se ao sonho do "Corcel 73". Essa relação que a sociedade brasileira, de modo geral, tem com o automóvel é algo ainda a ser mais bem estudado em termos históricos e sociológicos, mas é algo evidente. O automóvel é o grande sonho de consumo do brasileiro, independente de classe social ou gênero. Ter um automóvel, sobretudo novo, representa o primeiro sucesso do indivíduo dentro da nossa sociedade, mais até do que o imóvel próprio, uma vez que é um bem material visível dentro do convívio social.


Muitos historiadores já se dedicam à chamada História do Esporte, onde esse debate a respeito dos esportes de elite e os mais populares (futebol, atletismo e boxe) pode ser mais bem discutido.
Mas a Fórmula 1 caiu nas graças do torcedor por aqui. Não há dúvida de que o grande responsável por isso foi um cidadão chamado Emerson Fittipaldi. As manhãs de domingo nunca mais foram as mesmas depois dele, pelo menos para alguns milhões de torcedores. Aliás, já estava me esquecendo, o primeiro título obtido por ele e pelo Brasil está completando também 40 anos (ver foto acima, Emerson e a famosa Lotus Ford 72 D). Também devemos a ele a vinda para cá de outra categoria do automobilismo, a Fórmula Indy, que na semana passada ajudou a tumultuar o trânsito na cidade de São Paulo.


O ano de 1972 era o auge do chamado "milagre econômico" (mas com concentração de renda, diga-se de passagem) do Governo Militar e a grande conquista de Emerson foi capitalizada pela indústria automobilística e pelas lideranças políticas (na foto acima, Emerson, segundo a partir da direita é recebido no Palácio dos Bandeirantes pelo então governador de São Paulo, Laudo Natel, primeiro à direita. No meio da foto, o veterano piloto Chico Landi).

Sim, quem iniciou as transmissões ao vivo da Fórmula 1 foi a TV Globo. Porém, poucos irão lembrar que por um ano a Globo deixou de transmitir as corridas, em 1980. Ninguém acreditava nas possibilidades da equipe Copersucar dos irmãos Fittipaldi (que construíram o primeiro Fórmula 1 brasileiro, assunto para uma futura postagem) e nem em um novato chamado Nelson Piquet, que iria fazer a sua segunda temporada completa na categoria. Naquele ano, a Rede Bandeirantes assumiu as transmissões com um narrador ainda desconhecido do público, um certo Galvão Bueno, que repetia o refrão: “Esporte é com a Bandeirantes”. Meu amigo e comentarista de Fórmula 1, Wilton Sturm, têm um video inteiro de uma dessas corridas transmitidas pela Bandeirantes, o Grande Prêmio de Long Beach, prova, aliás, vencida pelo até então desprezado Nelson Piquet (e com Emerson em terceiro completando o pódio, pilotando o carro de sua própria equipe).
Nem tudo foi alegria nesse começo de cobertura de Fórmula 1 pela televisão. Em 1973, o narrador da TV Globo, Júlio Delamare e o comentarista Antônio Scavone, morreram quando viajavam para a cobertura do Grande Prêmio da Inglaterra, no trágico desastre do Boeing da Varig no aeroporto de Orly em Paris. Depois veio Luciano do Valle, e depois o Galvão (contratado pela Globo da TV Bandeirantes). Sim, as vitórias de Nelson Piquet fizeram a Globo correr para ter a Fórmula 1 de volta em 1981, quando Piquet conquistou seu primeiro título.
Mas o que aconteceu com os nossos campeões depois de Ayrton Senna? Uma explicação talvez para isso seja o desaparecimento daquilo que eu chamo de “automobilismo de várzea”, as categorias menores que projetaram esses nossos campeões: Fórmula Ford, Fómula Super Vê, Fórmula 3 e outras. Hoje um piloto brasileiro sai do kart e já têm que embarcar para a Europa para tentar a sorte por lá. E claro, precisa de muito dinheiro. Sim, esse esporte também sofreu os efeitos terriveis da tal da globalização.
Ah, quem venceu a primeira prova de Fórmula 1 disputada no Brasil em 1972: o argentino Carlos Reutemann.

Deixo para vocês neste post um bônus, o primeiro post do História Mundi autografado, pelo nosso primeiro grande campeão (foto acima). Posso lhes dizer, um esportista absolutamente incomparável.
Fonte das imagens: Revista Quatro Rodas, Revista Veja, Revista Cartaz e acervo do autor, respectivamente.




        

terça-feira, 1 de maio de 2012

Anúncio Antigo 13: Ford modelo T



Hoje é o Dia do Trabalho em todo o mundo (exceto nos Estados Unidos). Para lembrarmos esta importante data, o Anúncio Antigo de hoje traz um dos mais importantes resultados do trabalho humano: o modelo T. Produzido por Henry Ford a partir de 1908 ficou célebre como o primeiro automóvel produzido em linha de montagem. Com esse sistema, Ford tornou o automóvel mais barato (como diz o anúncio, a preço módico), melhorando a produtividade na indústria introduzindo um sistema de trabalho que ficaria conhecido pelo nome de "fordismo". Tal sistema orientou a produção industrial até o final da década de 1970, ou seja, na chamada Era de Ouro do capitalismo do pós-guerra.
Bom para o capitalismo e não tão bom para o trabalhador. A linha de montagem prendia o operário a uma rígida disciplina, com tarefas repetitivas e com rígido controle de seus movimentos.
"Compre o carro na cor que quiser, desde que seja preto", afirmava Ford. O preto era uma cor básica e a rápida secagem diminuia ainda mais o tempo de produção.
Em 1919, o automóvel começou a ser montado no Brasil. Por aqui, ficou conhecido como "Ford bigode" ou o popular "calhambeque", que bem mais tarde, tornou conhecida uma canção de Roberto Carlos nos tempos da Jovem Guarda.
O modelo T foi produzido até 1927. Em 1920, mais da metade dos automóveis que circulavam no mundo eram modelos T. Pode-se dizer que a indústria automobilística nasceu com ele. E também a briga dos sindicatos com o sr. Henry Ford por melhorias nas condições de trabalho. Ford chegou a contratar lutadores de rua e marginais para enfrentar as lideranças sindicais e demorou para reconhecer essas instituições como representativas da classe operária.
O Anúncio Antigo acima foi publicado em 7.9.1917 no jornal "O Estado de São Paulo".

Imagens Históricas 7: Expurgos de Stalin

A figura de Josef Stalin já rendeu uma infinidade de livros, textos, matérias, artigos e comentários de historiadores. Invariavelmente todo esse material é composto de críticas ao líder da antiga União Soviética. Motivos para tais críticas não faltaram. Stalin assenhoreou-se do poder com tal ímpeto que acabou por eliminar qualquer possibilidade do regime soviético de promover uma participação  democrática por parte da população, dos trabalhadores, dos intelectuais e mesmo dos integrantes do Partido Comunista. A desconfiança cultivada por Stalin contra opositores ou mesmo apenas inimigos em potencial, transformou-se em paranóia. "Stalin foi um louco". Quem me afirmou isso pessoalmente foi nada mais, nada menos do que Luis Carlos Prestes, o conhecido líder do Partido Comunista Brasileiro, embora muito tempo depois da Era Stalin e já nos tempos da "glasnost" (abertura) de Mikhail Gorbatchev. Mesmo aqueles que tanto admiraram a União Soviética, é o caso deste que escreve estas linhas, como a nação que realizou o projeto da revolução socialista, tiveram que, pelo menos em algum momento, admitir que o estalinismo transformou-se em uma degeneração da idéia de socialismo ou de realização da verdadeira democracia, a da maioria dos trabalhadores, como propôs Lênin. Essa verdadeira democracia do proletariado iria chegar a tal ponto de aperfeiçoamento, que o próprio Estado iria desaparecer, escreveu o mesmo Lênin em seu livro "O Estado e a Revolução".
Pois bem, isto não esteve nem perto de ocorrer. Desde a morte de Lênin, em 1924, e após afastar o seu oponente maior, Leon Trotsky, das fileiras do partido e da própria União Soviética, Stalin ascendeu como líder supremo. Na verdade, o fortalecimento do Estado Soviético estava na própria origem da Revolução Russa em 1917. Não ocorreu a esperada Revolução Mundial dos trabalhadores e o Estado Soviético teve de se garantir contra as agressões inimigas vindas das grandes potências capitalistas. O resultado foi o surgimento de um Estado militarizado e totalitário que durou praticamente até o fim do regime soviético, em 1991.
Nas imagens de hoje, podemos ver uma faceta dessa hipertrofia do Estado sob a batuta de Stalin, a de promover a alteração do passado e da própria realidade, para que as mesmas se articulassem ideológicamente com as orientações do grande líder. Isso ocorreu durante os expurgos (afastamentos) promovidos a partir de 1934 e que vitimaram figuras proeminentes do próprio Partido Comunista da União Soviética e veteranos da Revolução de 1917. Essas figuras, que representavam algum tipo de ameaça aos olhos do poder constituido, foram literalmente apagadas, ou usando um termo mais moderno dos tempos da informática, "deletadas".


A foto acima é anterior ao expurgo de uma dessas figuras públicas. Trata-se de uma reunião para comemorar o aniversário do Teatro das Artes de Moscou, em 1938. Stalin é o segundo que está sentado, da esquerda para a direita. Contudo, reparem no quarto indivíduo a partir da direita e que está em pé. Ele era o chefe da temida NKVD, a polícia secreta, Nikolai Yezhov. Foi vítima da própria repressão que ele mesmo começara a comandar. De acordo com o historiador Dmitri Volkogonov, autor de uma biografia de Stalin, ele foi preso durante uma reunião de integrantes do governo e chegou a implorar perdão de joelhos. Soube-se mais tarde que foi fuzilado. Em seu lugar, como novo chefe da polícia, assumiu Lavrenti Beria, que de acordo com o citado historiador, tramou a queda de Yezhov junto com Stalin.


Mas e o passado  de Yezhov ao lado do grande líder nas fotos? Simplesmente foi apagado (ou "deletado", usando o termo moderno), como na segunda foto acima, publicada dez anos depois, em 1949. Muitos vão reparar com atenção, que há um outro indivíduo também apagado, o terceiro em pé da direita para a esquerda. Trata-se do diretor do teatro, que apenas foi vítima do retoque mal feito na fotografia e não do expurgo.
As duas fotos estão no livro "A sombra dos ditadores" da coleção História em Revista, da Abril Livros e TimeLife, publicada em 1992, página 57.