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domingo, 14 de janeiro de 2018

Frases, Perguntas e Afirmações Insanas...





A maior prova de que o universo está repleto de vida inteligente é que ninguém responde as nossas tentativas de contato.

Historiador não faz pilates, faz Pôncio "Pilates"!

Se Papai Noel morrer, não estará mais em trenós!

Na vida tudo passa, até a uva passa...

Em época de desemprego, até o celular fica sem serviço. 





Em qual cidade do Brasil, o passageiro pode com certeza, contar com o serviço de um Uber? Em Uberlândia. 

O Bandido da Luz Vermelha era comunista?????

Como dizem os mais velhos: cabeça vazia, oficina do Bolsonaro.

Da série questões soviéticas. Por que Stalin não atendia telefonemas? Porque tinha medo de receber um Trotsky. 

Como o Tarzan coloca o seu celular quando viaja? No modo cipó.





Em janeiro ocorrem as costumeiras chuvas "deverão". Todos deverão se molhar...

A cidade mais inteligente do Brasil: Volta Redonda. A pessoa que é uma Besta Quadrada, vai para lá e Volta Redonda. 

Um conselho. Os pais devem ensinar os filhos a ouvir a palavra não, pois, quando adultos, eles a ouvirão milhares de vezes mais do que o sim. 

E, finalmente o meu sincero desejo ao leitor: que a vida lhe traga muitas alegrias e que a sua felicidade dure o mesmo tempo que o Geraldo Alckmin leva para entregar uma obra.

Crédito das imagens:
Fotos do Moe, Larry e Curly que formavam o "trio mais biruta da tela", os Três Patetas: Pinterest. 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Imagens Históricas 30: Apresentação do Copersucar Fittipaldi em 1974



Um carro de Fórmula 1 feito no Brasil e uma equipe de competição genuinamente brasileira! Trata-se do Copersucar Fittipaldi, cuja apresentação aparece na Imagem Histórica de hoje. A cerimônia, ocorrida no Salão Negro do Congresso Nacional em Brasília no dia 16 de outubro de 1974, contou com a presença do Presidente da República, Ernesto Geisel, que aparece em primeiro plano, tendo do seu lado direito Wilson Fittipaldi Junior e no esquerdo Emerson Fittipaldi, além de vários "papagaios de pirata" (parlamentares). Naquele ano de 1974, o Brasil já tinha um campeão da Fórmula 1, o próprio Emerson Fittipaldi, com dois títulos mundiais e um vice-campeonato! Nada mal para um país subdesenvolvido e fora do eixo do hemisfério norte, o qual concentrava a esmagadora maioria dos campeões da categoria máxima do automobilismo. Sim, vale lembrar que a Argentina teve cinco títulos mundiais com um único piloto: Juan Manuel Fangio. Aliás, um recorde de títulos que perdurou até as grandes conquistas do alemão Michael Schumacher, décadas depois. 



Contudo, os irmãos Emerson e Wilson Fittipaldi Jr. (também conhecido como Tigrão ou simplesmente Wilsinho), vieram com uma outra ousadia, a de criar e colocar nas pistas um carro de Fórmula 1 projetado e construído aqui (na foto acima, Wilson Fittipaldi com o Copersucar FD01). 


Claro que com muitos componentes vindos de fora, a começar pelo famoso motor Ford Cosworth, o grande propulsor da categoria naquela época, mas também com vários fornecedores nacionais e a oficina instalada aqui (em um galpão na Estrada de Parelheiros, quase periferia de São Paulo, foto acima). A preparação durou todo o ano de 1974 e para isso, Wilson Fittipaldi Jr. deixou de participar da temporada daquele ano do Campeonato Mundial de Pilotos. O projeto do bólido foi assinado pelo engenheiro Ricardo Divila, que já tinha experiência na construção de protótipos de competição e possuía um desenho inovador. O motor e o câmbio ficavam completamente cobertos e os escapamentos eram laterais (no decorrer da temporada de 1975, o carro sofreu alterações). 


O patrocínio integral veio da Copersucar (Cooperativa Central dos Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo), que acabou dando nome ao time e que identificava o mesmo junto ao grande público, mesmo após o fim do patrocínio em 1979 (na imagem acima, o logo da equipe). Fundada em 1959, a Copersucar vivia um momento de expansão no segmento agroindustrial, tendo incorporado no ano de 1973 a Companhia União dos Refinadores (fabricante do Açúcar União e do Café Caboclo) e em 1976 adquiriu a Hills Bros. Coffe Inc., tradicional empresa norte-americana do segmento de café torrado. A aquisição abriu um mercado maior para o café e o para o açúcar brasileiros dentro dos Estados Unidos.


A primeira corrida do modelo FD01 foi no Grande Prêmio da Argentina e não pareceu muito promissora (na foto acima, Wilson Fittipaldi Jr. pilota o Copersucar nos treinos para esse GP). Durante a prova, o carro teve uma quebra na suspensão traseira e bateu forte. O bólido pegou fogo e deixou o irmão Emerson, que estava na prova brigando pela vitória, muito preocupado, até que o mesmo percebeu que Wilsinho já estava fora do cockpit (habitáculo do piloto) e aparentemente bem. Aliás, Emerson, piloto da equipe McLaren, venceu a corrida. Na prova seguinte diante do público brasileiro em Interlagos, o carro foi bem melhor e conseguiu terminar numa honrosa 13ª posição. Naquela época, largar numa corrida de Fórmula 1 já era um desafio, uma vez que existiam muitos pilotos (e equipes) inscritos, que sequer obtinham o tempo necessário para poder alinhar (o grid de largada era formado por até 26 carros). 


A temporada de 1975 foi um aprendizado para o time e o melhor resultado foi um 10º lugar obtido na última corrida da temporada, nos Estados Unidos. Algo absolutamente normal para uma equipe estreante. Em 1976 a escuderia Copersucar sofreu uma reviravolta! Wilson Fittipaldi tornou-se manager (chefe de equipe) e o piloto titular passou a ser o irmão Emerson, que deixou a McLaren (que logo naquela temporada foi campeã com o substituto de Emerson, o britânico James Hunt) e a chance de conseguir mais títulos na categoria. Vieram os primeiros pontos no campeonato (de Pilotos e de Construtores), nos GPs. dos Estados Unidos, de Mônaco e da Inglaterra. Contudo, esses resultados não foram suficientes para agradar a torcida, acostumada a ver Emerson ganhando corridas. Além disso, o carro era ridicularizado na mídia, inclusive nos programas humorísticos da própria emissora responsável pela transmissão das corridas (a Rede Globo). 


A temporada de 1977 foi de mais pontos conquistados, inclusive um ótimo 4º lugar em Interlagos (tendo largado em 16º) com o modelo FD04 (foto acima) e, de quebra, vendo o segundo piloto da equipe, o estreante Ingo Hoffman, chegar na 7ª posição. 



Em 1978, o melhor ano da Copersucar-Fittipaldi, com um belo 2º lugar no Grande Prêmio do Brasil, o qual teve sabor de vitória, o primeiro GP disputado no autódromo de Jacarepaguá no Rio de Janeiro (na foto acima, o F5A, o melhor Copersucar). A escuderia parecia encontrar o caminho das pedras e evoluiu! Mas, a temporada de 1979 foi ruim (com um carro que já nasceu mal projetado, o F6) e significou o encerramento da parceria com a Copersucar. A equipe permaneceu até 1982, apenas com a designação de Equipe Fittipaldi. 


No que diz respeito ao momento que o país vivia, tínhamos o presidente (e general) Ernesto Geisel, que então estava a frente da Ditadura Civil e Militar que dirigia o Brasil, no ano de 1974, época da apresentação do carro (acima, outra foto do evento, com Wilson Fittipaldi dentro do Copersucar). Claro, a novidade do Fórmula 1 brasileiro era interessante para a imagem do "País Que Vai Pra Frente", como dizia a propaganda oficial e para a vertente nacionalista do regime. Mas, naquele momento, o governo já começava a apresentar sinais de desgaste em função do fim do chamado Milagre Econômico, da crise internacional do petróleo e do aumento da inflação. 



O presidente Geisel (foto acima) acenava com a possibilidade de uma abertura política, mas que seria "lenta e gradual". E foi mesmo, pois eleições diretas para presidente ocorreram apenas em 1989! Por outro lado, muitos daqueles que enfrentaram a ditadura na luta armada ou mesmo por meios pacíficos foram eliminados (na verdade, torturados, mortos ou exilados). A oposição consentida agrupou-se no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), único partido contrário ao regime que era tolerado. O outro era a Arena (Aliança Renovadora Nacional), que foi o partido do governo. No mesmo ano de 1974, em novembro, praticamente um mês após a foto com a apresentação do Copersucar, tivemos eleições legislativas (para o Senado e Câmara dos Deputados). E a luz amarela acendeu para o governo ditatorial! A oposição ganhou nos estados economicamente mais importantes, elegeu vários senadores, deputados federais e projetou novas lideranças oposicionistas, como Orestes Quércia, Itamar Franco (que bem depois, tornou-se presidente), Saturnino Braga, Franco Montoro e Ulysses Guimarães, entre outros. Mesmo no empresariado as críticas ao governo começaram a ganhar força, sobretudo em função do crescimento da intervenção estatal na economia. A aliança dos militares com esse segmento da sociedade começou a definhar. Por exemplo, a Copersucar ganhou papel de destaque no Programa do Pró-Álcool (utilização do álcool como combustível para os automóveis) e a Petrobrás na prospecção do petróleo em águas profundas, a fim de aumentar a produção interna da valiosa matéria-prima. 
Nesse sentido, a associação dos irmãos Fittipaldi com a Copersucar foi bem recebida e se tornaria de grande vantagem em termos de propaganda se, pelo menos, as vitórias viessem, o que não ocorreu. Mas isso não significa fracasso! Vamos a alguns dados. Em duas temporadas (1978 e 1980) a Copersucar-Fittipaldi ficou em 7º lugar no Campeonato de Construtores superando equipes como Ferrari, Mclaren, Alfa Romeo e Renault. No total dos campeonatos que a equipe disputou, entre 1975 e 1982, foram 44 pontos conquistados com três posições que valeram pódio, isso numa época em que a pontuação só era obtida acima do 6º lugar. 



A equipe revelou um futuro campeão do mundo, o finlandês Keke Rosberg (pai do Nico), que correu no time em 1980 e 1981, além de profissionais como Jo Ramirez, que mais tarde, trabalhou com Ayrton Senna na Mclaren (na foto acima, de 1976, Wilson, Emerson e Jo Ramirez), Harvey Postlethwaith (que se tornou desenhista dos carros da Ferrari) e Adrian Newey (atual projetista da Red Bull). Necessário lembrar que a Copersucar não tinha à sua disposição o mesmo motor Cosworth e os mesmos pneus dos times de primeira linha (na maior parte das temporadas, da marca Goodyear). 



A equipe dos irmãos Fittipaldi se manteve até 1982. Nessa última temporada, os patrocínios eram realizados por corrida e incluíram marcas que hoje não imaginaríamos ver num carro de Formula 1, como o Óleo Maria (aquele do jingle "sai da lata e vem pra mesa") e o Sal Cisne! A equipe Fittipaldi sentiu o início da chamada década perdida da nossa economia: os anos de 1980. O dinheiro dos patrocinadores escasseou. Emerson Fittipaldi já havia deixado de participar das provas de Fórmula 1 e gerenciava a equipe junto com o irmão Wilson (na foto acima, de 2013, com o autor). Apesar de mostrarmos na Imagem Histórica de hoje o lançamento do carro junto às autoridades governamentais, não se pode dizer que os irmãos Fittipaldi tenham recebido apoio direto do governo ditatorial. Aliás, em muitos momentos tal apoio, na verdade, faltou. Nesse aspecto, talvez a Embraer fosse a estatal mais envolvida no projeto, uma vez que a aerodinâmica dos carros foi desenvolvida em suas instalações, como também no CTA (Centro de Tecnologia da Aeronáutica) em São José dos Campos (SP). Nada de apoio do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal ou Petrobrás (exceto em algumas provas na fase final da equipe). 



Na verdade, esperava-se um resultado mais imediato, com vitórias e possivelmente um título mundial (na foto acima, Chico Serra pilotando o ultimo carro da equipe, o F9, em 1982). Equipe de Fórmula 1 exige uma longa maturação e altos investimentos, mesmo naquela época (hoje, mais ainda). Nos últimos tempos, contudo, a história tem sido mais justa com a Copersucar-Fittipaldi, que merece um lugar honroso na história do nosso automobilismo. Não ganhou corridas ou títulos, mas esteve muito longe de ser considerada uma experiência fracassada e poderia ter sido o começo de uma alavancagem tecnológica a partir dos fornecedores nacionais. Dezenas de outras escuderias de Fórmula 1 (chamadas de equipes de garagem) dariam tudo para terem tido uma trajetória igual à da equipe Fittipaldi!
Ah, esta postagem termina com um autógrafo especial a este que vos escreve...



Crédito das imagens:
Foto principal do lançamento do carro da equipe Copersucar e o mesmo no treino para o GP da Argentina de 1975:
http://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,fotos-historicas-copersucar-fittipaldi,12108,0.htm
Foto alternativa do lançamento do Copersucar em 1974:
http://acervo.oglobo.globo.com/fotogalerias/a-copersucar-fittipaldi-10853049
Foto de Wilson Fittipaldi Jr. com o carro: Revista Veja, edição de 26 de dezembro de 1979, p. 33.
Foto do galpão sede da equipe Copersucar: Pinterest. 
Foto de Ernesto Geisel: Revista Veja, edição de 14 de março de 1979, p. 50.
Fotos
Fotos do Copersucar FD01 restaurado, do FD04, do autor com Wilson Fittipaldi e do autógrafo: acervo do autor.
Foto do Copersucar F5A; de Emerson e Wilson com Jo Ramirez e do ultimo caro da equipe Fittipaldi: O Brasil na Formula 1: os títulos e as vitórias que transformaram o Brasil no país do automobilismo de Alexandre Armando Vasconcellos. Editora Alaúde, 2013, pags. 178, 169 e 184 respectivamente. 
Foto do logo da equipe Copersucar-Fittipaldi: Capa do livro Copersucar Fittipaldi: A história completa do Fórmula-1 brasileiro de Ricardo Sterchele. Frôntis Editorial, 2005. 

domingo, 7 de janeiro de 2018

Para Escrever Bem é Preciso Ler



"O melhor roteiro é sempre ler e assimilar o que lê. Ler para aprender, procurar vencer. A maior dificuldade de todos escritores se limita a duas palavras: escrever bem. Então o roteiro é esse. Procurar ler para aprender. Ninguém escreve bem sem ler muito e procurar assimilar o máximo. Assimilar não é imitar. (...) Eu sou uma grande leitora de Guimarães Rosa e uma grande admiradora dele, muito antes dele ser aceito. A literatura dele não é uma literatura fácil, principalmente nos dois maiores livros dele, Corpo de Baile e Grande Sertão: Veredas (...) Agora há os imitadores de Guimarães Rosa, mas imitar é uma coisa e assimilar é outra. Então eu digo, a gente deve ler, reler, transler. Ser dono dele. Não precisa abrir o livro no começo. Abre ao acaso e só fecha quando cansou, quando já não tem mais tempo. Ponha sempre perto de sua cama ao alcance de suas mãos, ao alcance de seu tempo."


Um ótimo conselho! De quem é do ramo. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, mais conhecida como Cora Coralina. A escritora da Cidade de Goiás que fez de sua vida matéria-prima para as suas obras. Sim, que soube também colher influências e inspirações de outros autores. Os seus conselhos valem para todos aqueles que desejam expressar-se por meio das palavras e ter uma boa redação. Um bom texto é a expressão de um conteúdo. Não dá para fugir disso! Por isso, deixo aqui esta citação extraída de uma matéria do Jornal de Brasília de 3 de outubro de 1984 e inserida no excelente livro Cora Coralina: Raízes de Aninha de Clóvis Carvalho Brito e Rita Elisa Seda (Editora Ideias & Letras, 2009, p. 264)

Crédito da imagem de Cora Coralina: https://kdfrases.com/frase/99169

sábado, 6 de janeiro de 2018

Nair de Teffé na Revista Leituras da História



Para lembrar o caro leitor, neste mês de janeiro de 2018, está nas bancas a revista Leituras da História, que traz uma matéria assinada por nós. Trata-se de "Nair de Teffé: bela, culta e avançada". Na mesma, contamos passagens da vida desta mulher, que foi primeira-dama do Brasil, uma vez que foi casada com o presidente Hermes da Fonseca (cujo mandato foi de 1910 a 1914). Um dos fatos curiosos é o de que Hermes foi o primeiro e único presidente brasileiro a contrair matrimônio no exercício do mandato (embora em segundas núpcias, pois era viúvo). Sua esposa Nair de Teffé era poliglota, pintora, atriz, cantora e cartunista...Trata-se de uma personagem singular da vida social brasileira naquele início de século XX. A ela devemos a divulgação da nossa música popular entre os membros da elite da Capital Federal (na época, o Rio de Janeiro) como o maxixe, o samba, o choro e as modas de viola. Ah, ela também tocava violão.
Não deixe de ver essas curiosidades e aproveitar das outras matérias da revista, especializada em História e feita de forma atraente para despertar o interesse do leitor. 

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Anúncio Antigo 50: Batman na TV e nas Lojas Pirani



E este que vos escreve foi testemunha presencial desse evento! Com pouco mais de cinco anos de idade, fui levado por minha mãe, dona Olívia, na antiga loja de departamentos Pirani, na avenida Celso Garcia, no bairro do Brás, em São Paulo, para ver de perto o "Homem Morcego", naquele remoto ano de 1966. Tenho uma vaga lembrança desse dia, mas recordo que o super-herói me presenteou com vários "bat-anéis", os quais, infelizmente, não guardei para a posteridade. Tive uma camiseta que também já desapareceu. Mas, recentemente, ganhei outra com a estampa oficial do seriado, ao adquirir o box com todos os episódios em DVD. Durante muitos anos, acreditei que o indivíduo fantasiado na loja Pirani fosse o Batman verdadeiro. Bem, coisas de criança!


No Anúncio Antigo de hoje, recordamos a exibição do famosíssimo seriado da década de 1960, estrelado por Adam West como Batman (o Homem Morcego) e Burt Ward no papel de Robin (o Menino Prodígio), que aparecem na imagem acima. Os dois personagens das histórias em quadrinhos foram criados pelo escritor Bill Finger e pelo desenhista Bob Kane, aparecendo pela primeira vez em uma publicação no ano de 1939. 


Como se sabe, Batman (na imagem acima, o logo da abertura da série) era na verdade o milionário Bruce Wayne, o qual, após presenciar o assassinato dos pais quando ainda era criança, resolveu dedicar a sua vida no combate ao crime, preparando-se física e intelectualmente para isso. Nesse momento, assumiu a identidade de Batman, o Homem Morcego, o guardião da cidade fictícia de Gotham City. Nessa empreitada, contava com a ajuda de seu parceiro Robin e do mordomo Alfred. 





Os dois super-heróis enfrentavam uma galeria de vilões (entre eles o Coringa, o Charada e a Mulher Gato, respectivamente nas imagens acima, do seriado da década de 1960). Eis os mais conhecidos (com os seus respectivos intérpretes): Coringa (Cesar Romero); Pinguim (Burges Meredith); Mulher Gato (Julie Newmar, embora também tivéssemos outras duas: Lee Meriwether e Eartha Kitt); Charada (Frank Gorshin); rei Tut (o impagável Victor Buono); senhor Gelo (Otto Preminger, George Sanders e Eli Wallach); Cabeça de Ovo (Vincent Price); o pianista Chandel (interpretado de forma irreverente pelo também pianista Liberace); o Chapeleiro Louco (David Wayne); o Traça (Roddy McDowall); Sereia (Joan Collins); Mãe Parker (Shelley Winters); Minerva (Zsa Zsa Gabor), Shame (Cliff Robertson) entre outros foras da lei. Os mesmos eram vividos por astros que tiveram dias de glória em Hollywood. Bem, alguns ainda viveriam dias gloriosos, como Cliff Robertson, que ganhou o Oscar de melhor ator após o fim da série, em 1969. 







O seriado tinha altas doses de humor, com situações inusitadas e ingênuas, mas que a garotada levava muito a sério. As cenas de luta entre a Dupla Dinâmica e os seus inimigos eram repletas de onomatopeias (palavras cuja pronúncia imitam o som da coisa significada) do tipo Zok, Pow e Crunch (imagens acima). A série teve três temporadas entre 1966 e 1968, sendo que na ultima foi acrescentada uma heroína, a Batgirl, interpretada por Yvone Graig. A mesma era filha do comissário Gordon (vivido por Neil Hamilton). Além dos episódios para a televisão, um longa-metragem foi exibido nos cinemas com os personagens da série e intitulava-se "Batman, o Homem Morcego". 
Problemas com a censura não faltaram durante a exibição do seriado. Inicialmente, as roupas um tanto apertadinhas de Robin, expondo com excesso de clareza os seus atributos masculinos, foram alvos de críticas. E claro, os comentários a respeito de um possível envolvimento homossexual entre Bruce Wayne (Batman) e o seu pupilo Dick Grayson (Robin). Preventivamente, talvez já esperando tais rumores, o produtor William Dozier (que também era o narrador das aventuras na versão original) acrescentou uma tal de tia Harriet (vivida pela atriz Madge Blake), que não existia nos quadrinhos. Dessa forma, os dois personagens viviam numa mansão junto com a titia... Ah, é claro, tínhamos o sexagenário mordomo Alfred, interpretado pelo veterano ator inglês da 20th Century Fox (estúdio que produziu a série), Alan Napier (o qual, na vida real, foi primo do primeiro-ministro inglês Neville Chamberlain e bisneto do escritor Charles Dickens) que estava pronto para as tarefas mais bizarras, inclusive a de se passar pelo próprio Batman (com direito a roupa, máscara e capa do Homem Morcego) em situações absolutamente esdrúxulas. 


Outro aspecto inusitado estava no próprio elenco. Adam West vestia uma roupa que evidenciava claramente o fato de estar fora de forma para viver um super-herói e era quase um quarentão quando a série foi ao ar (tinha 38 anos). Bem, quando a produção acabou, em 1968, ele tinha de fato, 40 anos! No comparativo com as revistas em quadrinhos do personagem, ficava evidente o "déficit muscular" do "Cruzado Encapuçado" da televisão. Mas, afinal não nos importávamos tanto com isso. Outra marca desse seriado televisivo foi o tema de abertura, que praticamente ficou associado para sempre ao personagem, composto por Neil Hefti e conduzido pela orquestra de Nelson Riddle (que acompanhava os espetáculos de vários artistas famosos, entre eles Frank Sinatra).


Batman foi produzido numa época em que os seriados mostravam muita cor, embora aqui no Brasil só fossem exibidos em preto e branco, pelo menos até 1972, quando surgiu a televisão em cores por estas bandas. Bem diferente do aspecto gótico que adquiriu o personagem, a partir da versão de Tim Burton de 1989, sem o humor do seriado exibido na televisão (na imagem acima, o comissário Gordon e o chefe O'Hara vivido pelo ator Stafford Repp). 
Aqui no Brasil em 1966, Batman estava indo ao ar pelo antigo Canal 5 de São Paulo ou TV Paulista, que já transmitia parte da programação da TV Globo do Rio de Janeiro, como as telenovelas. Em 1968, a emissora passou para o controle definitivo das Organizações Roberto Marinho e se transformou na Globo de São Paulo, numa negociação nebulosa, que até hoje não foi bem esclarecida (assunto para a nossa futura postagem sobre a história da televisão no Brasil). 


Por último, como não poderia deixar de ser, faremos uma lembrança a respeito das Lojas Pirani, no caso em questão da sua filial na zona leste de São Paulo (foto acima, do início da década de 1960), localizada na avenida Celso Garcia (a qual, um dia, já foi badalada). Em função do seu tamanho era conhecida como "a gigante do Brás" (tradicional bairro de imigrantes italianos). Em uma época em que ainda não existiam os shoppings centers, o comércio de rua exibia o seu charme, e mesmo lojas de grande porte tinham filiais nos bairros da cidade. Ir a essa loja era um passeio para os moradores da região, mesmo que não se consumisse nada. 


A Pirani era conhecida também por sua fabulosa decoração de Natal. Claro, com direito à presença do Papai Noel. Para os pais que levavam as crianças nas compras, existia um estúdio, onde as mesmas podiam ser fotografadas, geralmente acompanhadas de um acordeão (exatamente como na foto acima, de 1966).


A outra loja Pirani situada na avenida São João, no centro da capital paulista, com cinco andares (na foto acima de 1965, a loja a direita), teve um destino trágico! Em 1972, o edifício Andraus onde a mesma estava localizada, sofreu um grande incêndio que começou exatamente na loja, por uma provável sobrecarga elétrica. Segundo nos informa a revista Veja, os proprietários do estabelecimento tiveram que ressarcir os familiares das vítimas do sinistro, o que contribuiu para a falência da empresa. 



No bairro do Brás, onde estava localizada a segunda loja (na foto acima, o seu interior), após o seu fechamento, ficou um vazio que até hoje não foi preenchido e que marcou o início da decadência da avenida Celso Garcia...
O Anúncio Antigo de hoje foi publicado no jornal O Estado de S. Paulo, do dia 20 de setembro de 1966, na página 16.
Crédito das imagens:
Imagens do seriado Batman: fotogramas dos DVDs da Coleção Batman, da Warner Bros. Entertainment Inc., 2014.
Loja Pirani da avenida São João: Pinterest
Loja Pirani da avenida Celso Garcia no início da década de 1960 (e informações sobre o fechamento da loja):
https://vejasp.abril.com.br/blog/memoria/grandes-lojas-que-fecharam-as-portas/
Interior da loja Pirani:
http://www.partes.com.br/2013/02/04/grandes-atracoes-pirani/
Foto do menino com acordeão: acervo do autor.

domingo, 31 de dezembro de 2017

As sábias afirmações de Umberto Eco



"A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar." 

Lembrar esta afirmação do semiólogo (intelectual que estuda os fenômenos culturais como um sistema de signos ou de significação, como imagens, vestuário, ritos, entre outros) e escritor Umberto Eco (1932-2016), torna-se absolutamente oportuno, sobretudo nestes tempos de enxurrada de informações e de pretensos conhecimentos, divulgados a esmo nas redes que compõem a internet. Vivemos em um mundo onde, o que não falta, é informação. E um paradoxo. Quanto mais informação, maior a ignorância! Por que afirmo isso? Por que informação é uma coisa, conhecimento outra. O conhecimento nos permite selecionar a informação, pois constitui a base de postulados, conceitos, princípios éticos e critérios, que adquirimos ao longo do tempo. Para ser mais preciso, vou dar um exemplo bem simples. Tenho um amigo de longa data, com quem convivo. De repente, alguém surge e me revela que o tal amigo não é nada daquilo que eu imaginava, que é uma pessoa de índole má, péssimo caráter e por aí vai. "Mas, eu o conheço há décadas, nunca percebi isso". O outro retruca, "mas é a pura verdade". E aí? Ora, vou verificar, conversar com outras pessoas, com amigos em comum, com familiares próximos, com a esposa (ou marido, caso seja uma mulher) e, principalmente, refletir. Vou cruzar as informações e filtrar! Como propõe Umberto Eco, cortar a informação que não se sustenta. E, finalmente, tentar estabelecer conclusões, incluindo a possibilidade de não dar o mínimo crédito ao que me foi dito sobre o meu amigo. A filtragem da informação talvez seja uma disciplina escolar necessária para o futuro, argumenta Umberto Eco. 
Contudo, a rapidez com que recebemos notícias, fatos novos (nem sempre novos), descobertas (reparem, a maior parte delas inúteis, como o tempo sempre vem a demonstrar), às vezes, não nos permite parar para refletir. Ao contrário, somos levados a repassa-las como verdade, para outros que irão fazer a mesma coisa. Isso, efetivamente, não é adquirir conhecimento. Umberto Eco estabelece uma conclusão interessante. A internet é mais útil para aquele que já tem uma base em termos de formação intelectual, pois este indivíduo dirige-se a fontes mais seguras e dignas de crédito. Trata-se de uma situação diferente quando um professor universitário vai à rede mundial de computadores, em relação ao dono da padaria que segue o mesmo procedimento (com todo o meu respeito ao dono de padaria, pois é uma profissão digna). E aí? Chegamos àquilo que é fundamental. Uma boa formação familiar e escolar em termos de acesso à leitura, ao diálogo e à conversa, é indispensável! A tecnologia, por si só, não realiza milagres...
A fala de Umberto Eco, que considero imprescindível, veio de uma entrevista feita em 2011, para a revista Época. O link da mesma vai abaixo:
http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2011/12/umberto-eco-o-excesso-de-informacao-provoca-amnesia.html
Crédito da foto de Umberto Eco:
https://www.theparisreview.org/interviews/5856/umberto-eco-the-art-of-fiction-no-197-umberto-eco

sábado, 30 de dezembro de 2017

O blog História Mundi na revista Leituras da História: Nair de Teffé




É com muita satisfação que aviso a todos os que acompanham esta página, que já está nas bancas a edição de janeiro de 2018 da revista "Leituras da História" (da editora Escala), com um artigo escrito por nós sobre a ex-primeira-dama do Brasil, Nair de Teffé. São 6 páginas e uma "chamadinha" na capa. Trata-se de um acontecimento muito importante para este que vos escreve, pois é o primeiro material produzido pelo blog História Mundi a ser reproduzido em uma revista de circulação nacional. Aproveito para deixar o meu agradecimento à Morgana Gomes, responsável pelo setor de Redação da publicação. Aliás, recomendo a "Leituras da História" pela qualidade do material publicado, dos textos e dos temas, que ajudam em muito, a despertar o interesse pela leitura e pela história, algo fundamental no mundo em que estamos vivendo. Da mesma forma, é uma fonte muita rica para ser utilizada em sala de aula pelos professores que ministram a disciplina, tanto no ensino básico quanto no superior. E claro, para os profissionais da área de humanidades que desejam se manter bem informados. 
Portanto, a todos vocês, uma ótima e agradável leitura...