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domingo, 28 de maio de 2017

Karl Marx: Um Combatente no Mundo Contemporâneo Parte 1



Difícil escrever sobre esta figura central da era contemporânea sem incorrer em polêmicas ou questões teóricas a respeito de seu pensamento. Impossível fazer isso sem um certo envolvimento da parte de quem escreve com as suas ideias. Mas, vamos lá! Nossa proposta nesta postagem é trazer alguns elementos provenientes da biografia de Marx para que o leitor possa, por ele mesmo, buscar e aprofundar outras leituras a respeito deste grande pensador e ativista alemão. Preferencialmente que as leituras comecem a partir das obras do próprio Marx, antes de partir para aqueles que defenderam ou criticaram o seu trabalho. 



Uma biografia nova lançada há pouco e de autoria do historiador norte-americano Jonathan Sperber aponta a figura de Marx como sendo um produto do século XIX e do chamado período vitoriano (correspondente ao reinado da rainha Vitória da Inglaterra, entre 1847 e 1901). Sem dúvida, o filósofo foi um personagem associado aos primórdios da Revolução Industrial, da formação do proletariado fabril, dos movimentos sociais e das revoluções liberais da metade do século XIX (na imagem acima, trabalhadores fabris aparecem no quadro The Nineteenth Century, Iron and Coal de William Bell Scott). Mas, como explicar a gigantesca influência de seu pensamento nos séculos XX e XXI? Como explicar a organização de governos, muitos dos quais existentes até hoje, que implantaram a sua administração pública e a sua economia tendo por base as suas teses? E cuidado, não nos referimos somente aos governos dos países socialistas, mas também muitos daqueles inseridos na economia capitalista. Isso tudo sem que nos esqueçamos dos demais pensadores, economistas, sociólogos, historiadores, políticos os quais procuraram desenvolver ainda mais as suas ideias ou apenas refutá-las. 
Claro, ideias e pensamentos não surgem do nada! Certamente Karl Marx teve as suas influências nos três campos principais em que desenvolveu o seu pensamento: o filosófico, o econômico e o político. Tais campos estão entrelaçados na teoria marxista, sendo difícil vislumbrar de modo isolado cada um deles dos demais. A formação intelectual desse personagem guarda uma enorme interação com o ambiente político e cultural de seu tempo e da região onde o mesmo nasceu, a Renânia, submetida ao reino da Prússia, um dos mais importantes estados de língua alemã (no início do século XIX a Alemanha ainda não era um país unificado). Sua cidade natal Tréveris (Trier em alemão), não era muito distante da fronteira com a França. De origem romana, Tréveris guardou uma herança forte desses tempos: o catolicismo. Isso em meio a um conjunto de estados alemães de grande influência protestante, sobretudo de linha luterana. Mas o aspecto religioso não para por aí. Karl Marx era judeu! Em muitos lugares da Europa a comunidade judaica sofria imposições, como por exemplo, o pagamento de tributos especiais a senhores e nobres em troca da permissão dos judeus viverem em determinados territórios (um resquício da época feudal), de serem proibidos de exercer determinadas profissões, as quais eram exclusividade das corporações ou guildas, como de ocupar cargos públicos ou serem professores universitários. Muitos judeus tinham a sua atividade restrita a ocupações profissionais no comércio ou na atividade financeira. Uma possibilidade para os judeus terem uma certa mobilidade profissional dentro da sociedade do Antigo Regime era a conversão ao cristianismo, como fez o pai de Marx, Heinrich (nascido Hirschel na tradição judaica). Já o avô paterno de Marx foi rabino. 
Karl Marx nasceu em 5 de maio de 1818. Os ecos da Revolução Francesa eram fortes na pequena cidade de Tréveris localizada às margens do rio Mosela e influenciaram o advogado Heinrich Marx. O início do século XIX era a época da reação conservadora do Antigo Regime (monarquias absolutistas) na Europa, advinda da derrota de Napoleão Bonaparte e do Congresso de Viena, que reorganizou o mapa político europeu de acordo com os desejos das potências contrarrevolucionárias: Áustria, Prússia e Rússia. A Revolução Industrial já estava em andamento, embora tendo ainda uma unica nação plenamente inserida nessa etapa: a Inglaterra. 
O pai de Karl Marx seguiu a trajetória comum da classe média da época para se estabelecer socialmente e ter uma família, casando-se com Henriette Presburg, também de origem judaica e com parentes estabelecidos na Holanda. Junto  com o casamente veio um bom dote do pai da noiva, que ajudou muito a Heinrich. Uma curiosidade das mais intrigantes! A irmã mais nova de Henriette, Sophie, casou-se com o empresário Lion Philips, cujos netos foram os fundadores da conhecida multinacional de eletrônicos: a Philips. Marx sempre teve um carinho muito grande por esse tio, que inclusive, o ajudou em momentos de dificuldades. Para que pudessem ter aceitação social, todos os integrantes da família Marx converteram-se ao luteranismo, inclusive Henriette, que relutou muito para tomar tal decisão.



A família de Karl Marx foi numerosa, sendo ele o terceiro de um total de nove filhos (acima, a casa onde a família viveu em Tréveris). Muitos atribuem a isso o pouco contato que Marx teve com a mãe na infância, uma vez que Henriette estava sempre às voltas com a gestação de um novo filho. Sua formação elementar (primário) se realizou em casa e com professores particulares. 



A partir de 1830, Marx ingressou no Gymnasium de Tréveris (foto acima), escola secundária e preparatória para a universidade onde teve uma excelente formação clássica, inclusive no latim e no grego, algo que ele soube utilizar muito bem em sua obra. O jovem foi bom aluno, não brilhante, tendo notas altas em alemão e latim, mas não em matemática. Ao optar pela terceira língua, Marx preferiu o francês e não o hebraico. Por que o francês? O desejo de Heinrich Marx era que o filho optasse pela carreira jurídica ao invés de se tornar sacerdote ou padre, algo comum na provinciana Tréveris. Para alguém que ia se dedicar ao estudo do direito era fundamental, naquele momento, conhecer o Código Napoleônico na língua original. As grandes conquistas da Revolução Francesa como os princípios da igualdade jurídica e o direito de propriedade estavam estabelecidos nessas leis. O mesmo código removeu muitos privilégios dos nobres e aristocratas, abrindo caminho para a nova ordem burguesa.



Para que a carreira jurídica de Marx (na gravura acima, a unica imagem que temos do quase adolescente Karl Marx) se concretizasse, o seu pai o enviou em 1836 para a Universidade de Bonn, na cidade do mesmo nome, junto ao rio Reno. Durante o período de estudos e mesmo depois, até que se alcançasse uma sólida posição profissional, os poucos jovens que seguiam a carreira universitária teriam de ser bancados pela família por um bom tempo. Com Marx não foi diferente. 
Apesar de estar atento às aulas, Marx tinha como principal atividade a vida boêmia nas tabernas de Bonn, bebendo e brigando com colegas rivais oriundos do leste da Prússia. Tal rivalidade era uma forma de contestação ao governo monárquico e absolutista do Estado Prussiano. O fato de ser um jovem briguento e de "pavio curto" rendeu a Marx um apelido que levaria por toda a vida: Mouro (alguns biógrafos atribuem o termo ao fato do mesmo ter a pele morena). Esse comportamento do filho levou à desaprovação do pai e da família. Em função disso, Heinrich resolveu transferir Marx para a Universidade de Berlim, na capital da Prússia, em 1837. A instituição era respeitada por sua qualidade intelectual, seu ambiente sóbrio e ao mesmo tempo rigoroso, atraindo estudantes como o futuro filósofo Kierkegaard e o historiador Jacob Burckhardt. Talvez agora o jovem Marx pudesse ser mais disciplinado e encarar com maior seriedade a sua carreira jurídica. Nessa mesma época, a família de Marx mantinha amizade com os Westphalen, cujo patriarca, o barão Johann von Westphalen era um funcionário público respeitado e conselheiro do governo municipal. Ele e o pai de Marx compartilhavam das mesmas ideias liberais, do Iluminismo e frequentavam os mesmos círculos sociais. 



Difícil de precisar, mas em algum momento da sua adolescência, Karl Marx encantou-se com a filha de Johann: Jenny von Westphalen (imagem acima, sem data). A jovem era quatro anos mais velha do que Karl e tida como a mais bela garota de Tréveris. Ich habe dich lieb ou "eu gosto de você" era a resposta que Jenny dava às declarações de amor de Karl Marx nas cartas. Diante da atração recíproca e da insistência do rapaz, os dois acabaram ficando noivos, no exato momento em que Marx mudava de universidade e ainda tendo como incerta a sua carreira profissional. 


Foram sete longos anos de noivado, que Jenny von Westphalen (na foto acima, em 1844, pouco depois do casamento) suportou ao lado de um noivo extremamente ciumento, que chegava a propor duelos contra desafetos para defender o nome de sua amada, tendo quase ido às vias de fato quando um primo desta fez insinuações a respeito da fidelidade de Jenny, pelo fato da moça já ter tido um noivado anterior. As afirmações de que a família de Jenny era muito rica devem ser relativizadas, uma vez que seu pai não possuía muitas propriedades e bens, dependendo, na verdade, de seu salário como funcionário do governo prussiano. O dote que o pai de Jenny poderia conceder não era algo de muito substancial. 


Sem dúvida, o período que Marx passou na Universidade de Berlim representou o grande ponto de partida de sua formação intelectual. Foi nesse momento que ocorreu o contato com um pensador que muito o influenciou: Hegel (na imagem acima). Muito embora as ideias deste filósofo adquirissem uma enorme complexidade e entrassem em certo desacordo com o empirismo de origem iluminista (que concebia o conhecimento do mundo como sendo produto da percepção sensorial), Hegel tinha muitos seguidores entre os jovens intelectuais. Para este filósofo, a percepção do mundo não poderia ser tão rigorosa e estática, existindo uma interação com o objeto real que levaria a uma contradição interna nas referências individuais, gerando um novo arcabouço perceptivo, algo que se repetiria de forma constante e conhecido no campo filosófico como dialética. Essas repetidas interações entre o sujeito pensante e o seu objeto fazem com que o indivíduo acabe por reconhecer esse mesmo objeto como sendo parte (ou produto) dele mesmo e não mais como algo estranho. Tal autoconsciência passaria a ser vista também como sendo parte de um "Espírito Absoluto", que se desenvolveu ao longo da história da humanidade. Era como se o espírito percebesse o objeto como sendo o seu outro ou ainda como parte desse mesmo Espírito Absoluto. Hegel incorporava à sua filosofia a teologia do cristianismo. Muito abstrato não é? O próprio Marx, mais tarde, reelaborou tal concepção, retendo o aspecto dialético e aplicando tal princípio dentro de uma plano mais concreto e real.


Como podemos perceber, o direito não era a preocupação principal de Karl Marx, mas não porque estivesse retornando à vida boêmia. Agora, ele se dedicava cada vez mais à filosofia. Por outro lado, no curso de direito em Berlim, um professor despertou o interesse de Marx em função das suas palestras de história jurídica: Eduard Gans (imagem acima). O conhecimento do processo histórico e das várias formações sociais que se sucederam ao longo do tempo foi fundamental para o pensamento do jovem estudante. Ao mesmo tempo, Marx se aproximou do grupo de intelectuais conhecidos como os "Jovens Hegelianos", que se tornou para ele uma referência política e ideológica. Naquele momento, emergiu um aspecto que não era previsto entre os seguidores de Hegel, o estudo do Velho e do Novo Testamento enquanto documentos históricos. 



Um desses jovens hegelianos foi Ludwig Feuerbach (foto acima, sem data), que em sua obra "A Essência do Cristianismo" (1841) recorreu ao pensamento hegeliano para afirmar que as religiões eram expressões elaboradas pela humanidade a partir de sua própria consciência alienada. Tais analises levariam esses jovens filósofos a um distanciamento da fé em direção ao ateísmo. 
Em 1840, com a subida ao trono da Prússia do rei Frederico Guilherme IV, foi adotada uma política conservadora em relação ao governo anterior, o que vitimou os Jovens Hegelianos, que foram impedidos de ocuparem cargos nas instituições e universidades. Uma das vítimas foi Bruno Bauer, amigo e protetor de Marx. Este ambicionava uma carreira de professor de filosofia na Universidade de Bonn onde Bauer lecionava e contava com a ajuda deste para conseguir a vaga. Mas Bauer foi expulso acusado de ateísmo. Pouco antes disso, em 1838, o pai de Marx faleceu, vítima de tuberculose. Sem a tutela paterna, Marx envereda em definitivo para o campo filosófico e elabora a sua tese de doutorado nessa área. 



Em 1841 obtém, aos 23 anos, o título de doutor, com um trabalho sobre os filósofos gregos Demócrito e Epicuro (acima, o diploma de Marx). Sem a possibilidade de se tornar professor universitário (com a demissão de Bauer) Marx retorna a Tréveris para se reencontrar com a noiva Jenny e para finalmente se casarem. Nessa mesma época, Marx escrevia para um jornal da cidade alemã de Colônia, "A Gazeta Renana", mantido por integrantes da burguesia liberal local, vindo a se tornar redator desse periódico. 


Em 1842, Marx veio a conhecer Friedrich Engels, quando este visitou a redação do jornal (na foto acima, uma montagem celebrando o encontro dos dois pensadores e ativistas). 



Nascido em 1820 (dois anos depois de Marx) em Barman, no vale do Wupper, próxima ao rio Reno, região pioneira na industrialização alemã, Engels era filho de um rico fabricante de tecidos, conservador e protestante fervoroso (na foto acima, o jovem Engels no início da década de 1840). O pai o enviou para o norte da Alemanha para estudar praticas comerciais, mas Engels interessava-se por filosofia, história e assuntos militares. Pelo interesse no ultimo tema ganhou do amigo Marx o apelido de "General". Influenciado também pelos Jovens Hegelianos, Friedrich Engels abandona a fé religiosa, algo que foi o início de seus problemas familiares. Em Berlim, tomou contato com as ideias do comunismo (anterior ao de Marx) por intermédio de um ativista chamado Moses Hess. 


Para afastar o filho dessa influência tida como "perniciosa" o pai de Engels o enviou para a cidade de Manchester, na Inglaterra, a fim de tomar contato com os negócios familiares na fabrica de fiação Ermen & Engels. Mas, "o tiro saiu pela culatra", pois em Manchester havia a riqueza gerada pelas fábricas, mas também a sua contrapartida: a miséria do proletariado (na foto acima, da década de 1870, aspecto de um bairro operário de Manchester e a fumaça ou smog das fábricas). Era enorme o contraste social entre o luxo dos ricos industriais e os cortiços situados nos bairros pobres. Ainda em Manchester, Engels se sensibilizou mais com os problemas sociais e tomou contato com o Movimento Cartista (nome derivado da Carta do Povo) onde, entre outras coisas, os trabalhadores exigiam direito de voto para terem representantes no parlamento inglês. Além disso, Friedrich Engels conhece uma operária que veio a ser a sua companheira: Mary Burns. O contato com o movimento dos trabalhadores e o fato de Engels escrever artigos para jornais o aproximou de Marx. 
A década de 1840 foi de um intenso aprendizado intelectual para Karl Marx, sobretudo nos campos da filosofia e da economia política, termo pelo qual a ciência econômica, basicamente de linha liberal (que pregava a livre iniciativa e a livre concorrência) era designada na época. O interesse por esta última disciplina teria surgido quando Karl Marx editou, junto com refugiados políticos alemães residentes em Paris, uma revista chamada "Anais Franco-Alemães", que teve apenas um único número publicado em 1844. Entre os trabalhos estava um estudo de Friedrich Engels intitulado "Esboço para uma crítica da economia política", que influenciou profundamente Marx.


A amizade entre os dois pensadores e ativistas consolidou-se em Paris em 1844, no mesmo ano em que nasceu Jenny, a primeira filha de Marx (na foto acima, Jenny em 1850). No campo filosófico, os dois começaram a estabelecer os seus próprios pontos de vista em relação aos Jovens Hegelianos e à filosofia alemã. No ensaio intitulado "A ideologia alemã", Marx e Engels criticam o chamado idealismo alemão ao afirmarem que as atividades dos homens na natureza e na produção dos seus meios de vida tiveram um papel decisivo na formação das várias organizações sociais, ou seja, no próprio processo histórico da humanidade. É a partir desse processo de produção material da existência humana que se estabelece toda a estrutura institucional e cultural da sociedade. A moral, a religião e as ideologias não têm autonomia em relação ao mundo real: "não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência". Contudo, a partir de um dado momento, o aprimoramento das forças produtivas (todo o aparato humano e técnico aplicado à produção) acaba entrando em choque (contradição) com as relações sociais existentes, promovendo processos de ruptura (ou revoluções) condicionando a passagem de uma forma de sociedade para outra. Por ter como ponto de partida desse pensamento filosófico as condições materiais da existência humana e as suas contradições (dentro de uma relação dialética) chamamos tal concepção de materialismo dialético. Na crítica a Feuerbach, Marx acrescenta a tese de que o pensamento deve possuir um papel transformador, não se limitando apenas a interpretar o mundo, mas também em mudá-lo. Bem, claro que esse raciocínio será aplicado ao capitalismo da era industrial e às suas contradições, ao gerar a riqueza para poucos (burguesia) e a pobreza para muitos (proletariado). 



Em 1848, Marx e Engels escreveram aquele que é considerado o trabalho mais conhecido do pensamento revolucionário contemporâneo: o "Manifesto Comunista" (na foto acima). Nesse trabalho (na verdade, um panfleto) os dois estabeleceram de forma mais clara aquilo que veio a se constituir no socialismo científico ou simplesmente comunismo (palavra que já era utilizada anteriormente como forma de definir uma sociedade economicamente igualitária). A tese de que a história é movida pelo processo das lutas de classes e de que nas mesmas um segmento social subalterno se levanta contra aqueles que o dominam fundamentava-se na própria evolução das várias organizações sociais: escravista, feudal e capitalista. Na era contemporânea, o papel de promovedor da nova transformação social caberia aos trabalhadores industriais (proletariado), os quais assumiriam o controle do poder e implantariam o regime socialista, o qual evoluiria para uma sociedade completamente igualitária ou comunista.



Marx e Engels diferenciavam a sua concepção de socialismo das correntes socialistas anteriores, que passaram a ser chamadas de "utópicas" ou reformistas, uma vez que não atacavam o ponto mais importante e gerador da desigualdade social: o capitalismo (na imagem acima, três socialistas utópicos: Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen). 



O panfleto foi publicado quando Marx vivia com sua família na Bélgica, depois de ter sido expulso da Prússia e da França em função de suas atuações políticas (acima, a casa em que Marx viveu com sua família em Paris, entre 1843 e 1845). O momento era propício às atividades revolucionárias em função de uma série de crises na agricultura, que prejudicaram a produção de alimentos. Rebeliões sociais se alastraram pela Europa: da Irlanda, passando pela França, pelos estados alemães e italianos e nos territórios do Império Austríaco. Em algumas regiões esse movimento assumiu um caráter de luta nacionalista, daí a designação de "primavera dos povos".
A Revolução de Paris no final de fevereiro de 1848 e que levou à proclamação da república gerou inquietação na Bélgica, onde Marx vivia. As autoridades locais temiam uma sublevação local e Marx acabara de receber um adiantamento da herança familiar enviado por sua mãe. A polícia belga suspeitava que se tratasse de dinheiro destinado à compra de armas para um levante popular. Em razão disso, Marx recebeu uma intimação para deixar o país em 24 horas, a contar do dia 3 de março de 1848. Sem aguardar o prazo, a polícia invadiu o seu apartamento e o levou preso. Sua esposa Jenny foi à delegacia para saber a respeito do marido e acabou também sendo detida. O casal foi libertado, mas com o compromisso de deixar imediatamente a Bélgica. Marx e Jenny tiveram tempo apenas para reunir os filhos e partir, deixando para trás todo o mobiliário e os bens, que só foram enviados oito meses mais tarde. Contudo, Marx teve a oportunidade de retornar a Paris e juntar-se aos integrantes da Liga Comunista da qual tomava parte. Nesse momento a onda revolucionária já atingia Berlim e Viena, obrigando as autoridades locais a realizarem concessões e convocarem assembleias. 
Marx, junto com Engels e outros refugiados alemães, viajou para Colonia, cidade alemã que reunia grupos revolucionários que pretendiam promover nos estados alemães uma revolução semelhante à que ocorrera na França. Em Colonia, Marx conseguiu recursos para editar um jornal: "A Nova Gazeta Renana". Os trabalhadores locais tiveram forte atuação, conseguindo tomar a prefeitura e formar uma associação com 8.000 membros. 


Os revolucionários alemães esperavam que o movimento submetesse as monarquias dos pequenos estados ao controle da Assembleia Constituinte Prussiana (de Berlim) e da Assembleia Nacional da Alemanha (em Frankfurt). Por outro lado, o jornal de Marx criticava essas assembleias por atuarem de forma conciliadora com os monarcas ao invés de lutarem por uma Alemanha republicana e unificada (na gravura acima de 1848, o movimento popular em Berlim tendo ao centro a bandeira da união alemã mantendo a monarquia e à direita a bandeira com as cores na vertical simbolizando a república, as duas tendências do nacionalismo alemão). 
Em setembro de 1848 o levante na cidade de Colônia assumiu grandes proporções com barricadas sendo erguidas na cidade, levando o governo prussiano a decretar a lei marcial. Friedrich Engels foi obrigado a fugir. A mãe de Engels, Elise, escreveu uma série de cartas ao filho onde acusava o seu amigo Marx de te-lo abandonado no pior momento, em mais uma tentativa de convencer o jovem a deixar de lado o seu radicalismo político. No início de outubro a lei marcial foi revogada e os trabalhadores puderam voltar a seu reunir em suas associações. O jornal "A Nova Gazeta Renana" voltou a circular. Mas, em novembro, o rei da Prússia Frederico Guilherme IV enviou um exército para dissolver a Assembléia Constituinte em Berlim, atitude essa que levou os deputados a recorrerem ao apoio popular e proporem boicote ao pagamento dos impostos. Marx e seu jornal apoiaram a atitude, o que levou ao temor de que ele pudesse ser preso ou até mesmo que sofresse uma condenação à morte. Isso não ocorreu, mas Marx foi indiciado e se defendeu utilizando o Código Napoleônico, sendo absolvido, da mesma forma que Engels, que havia retornado. Contudo, no ano seguinte Marx foi expulso novamente da Prússia e colocado na condição de "forasteiro indesejável". Isso significou o fim da Nova Gazeta Renana no momento em que alcançava uma tiragem de 20.000 cópias, um número respeitável para aquela época. Marx e seu amigo Engels ainda percorreram outros territórios alemães na expectativa de estimular os levantes populares, mas o exílio passou a ser o destino de Marx pelo resto de sua vida.
Na verdade, o futuro das revoluções na Europa dependia do desfecho do movimento francês e do exito da luta do proletariado local. Em junho de 1848 os trabalhadores de Paris se levantaram contra a jovem republica francesa sendo duramente reprimidos. A eleição de Luís Napoleão Bonaparte (sobrinho do imperador Napoleão) significou que a direita conservadora e burguesa assumia o controle da situação. Marx tinha esperança de poder voltar a morar em Paris e se encontrava em uma situação financeira complicada, pois já havia penhorado os móveis para obter recursos financeiros e sua esposa Jenny empenhado as jóias para poder sustentar a família. Teve de recorrer à ajuda do socialista Ferdinand Lassalle, que tornou pública a situação financeira de Marx, deixando este profundamente irritado. Mas, as autoridades francesas proibiram a sua permanência em Paris, restringindo a sua residência em território francês somente na região litorânea da Bretanha, longe dos contatos políticos. Sem outra alternativa, Marx e vários outros revolucionários alemães decidem pelo refúgio na Inglaterra, em Londres. Em 26 de agosto de 1849, Marx chegou na capital inglesa tendo a esposa Jenny grávida de mais um filho.


Na Inglaterra, Marx (na foto acima em 1861) e Jenny viveram os seus piores momentos em termos econômicos e familiares. Dos sete filhos que o casal teve, apenas quatro chegaram à idade adulta. O alívio para o infortúnio vivido por Marx foi a presença próxima do seu fiel amigo Friedrich Engels, que também se estabeleceu na Inglaterra, mas em Manchester, a fim de cuidar dos negócios familiares. A ajuda financeira deste foi fundamental para que os Marx não passassem fome literalmente. A crença nas ideias em comum e na esperança da grande transformação social uniu os dois amigos até a morte de Marx. Trata-se de um caso ímpar na história em termos de amizade pessoal e intelectual. Coube a Engels ajudá-lo também num momento extremamente complicado, quando Karl Marx teve um filho fora do casamento. Mas isso veremos na segunda parte desta postagem, a qual prometo, virá logo...
Crédito das Imagens:
Quadro Nineteenth Century, Iron and Coal. Foto de capa do livro "A força da iniciativa: 1800-1850". Time-Life, Abril Livros, 1992.
Foto de Jenny von Westphalen em 1844:
http://www.smithsonianmag.com/history/how-friedrich-engels-radical-lover-helped-him-father-socialism-21415560/
Foto com montagem celebrando o encontro de Marx e Engels: The Life Millennium. Life Books, 1998, p. 104.
Manchester na década de 1870: 
http://www.marplelocalhistorysociety.org.uk/society-meetings/meetings-2015-2016/235-15th-february-mike-nevell-housing-in-19c-manchester-3.html
Casa onde Marx viveu em Tréveris e gravura da rebelião de 1848 em Berlim: Wikipédia.
Foto de Marx que abre a postagem e de seu professor Eduard Gans: Karl Marx: Uma vida no século XIX de Jonathan Spenber. Editora Amarilys, 2014.
Todas as demais fotos e imagens: Karl Marx: Biografia. Edições Progresso de Moscou, 1983.


















quarta-feira, 17 de maio de 2017

Programa Conexão Futura: Castanha do Pará



Caros leitores e amigos, ontem foi ao ar o Conexão Futura (exibido no Canal Futura da Fundação Roberto Marinho) que teve como tema a castanha-do-pará (ou castanha do Brasil) e a apresentação do meu livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação" publicado pela Paco Editorial. O programa apresentado por Eli Benício (na foto acima, à direita), teve este que vos escreve como convidado, a especialista da Embrapa Lucia Wadt (na foto, à esquerda) e a nutricionista Bruna Lyrio (em um link especial). 


Na entrevista foram abordados aspectos relacionados à história do produto (na foto acima, a castanha sem casca e com casca); o início da sua comercialização; a difícil e arriscada coleta da castanha na floresta amazônica; o êxito do produto no exterior (com o nome de Brazil nut); as qualidades nutrientes da amêndoa; o processo de domesticação da castanheira (um trabalho de décadas dos engenheiros agrônomos da Embrapa) e, infelizmente, a informação trazida por Lucia Wadt de que hoje o Brasil caiu para o 3º lugar como produtor da castanha amazônica, atrás da Bolívia e do Peru. Trata-se de algo lamentável, tendo em vista principalmente o fato do Brasil ter a maior porção territorial da Amazônia sul-americana. O país demorou para ampliar o processo de beneficiamento da amêndoa, mantendo a exportação com casca, o que aumenta a chance de contaminação por aflatoxina (uma toxina cancerígena quando absorvida em grande quantidade e que pode estar presente também no amendoim). O mercado europeu impôs nas ultimas décadas várias restrições ao consumo da castanha com casca, situação que foi bem aproveitada pelos competidores bolivianos que ampliaram as usinas de beneficiamento. 


No Conexão Futura tivemos também a oportunidade de mostrar imagens inéditas sobre a castanha, a exploração do produto e material de propaganda divulgado no exterior (livros de receitas, anúncios em jornais e revistas) que ajudaram o telespectador a conhecer um pouco mais a respeito desse produto. Por exemplo, a foto acima, do cineasta Silvino Santos (que filmou o documentário "No País das Amazonas" de 1922) castanheiros abraçam o tronco da castanheira. 


Nesta outra foto (acima) a castanha-do-pará com casca armazenada no porto de Nova Iorque em 1951. Destacamos que o produto garante o sustento de inúmeras populações tradicionais da Amazônia e contribui muito para a geração de renda na região. O futuro da floresta amazônica depende do bom uso de seus recursos naturais por meio da biotecnologia e também do setor de fármacos (pesquisa de plantas e animais para a produção de remédios). 


Ao final da gravação, tivemos a oportunidade de experimentar algumas amêndoas enviadas pela produção do programa para ilustrar a entrevista (na foto acima, a apresentadora Eli Benício saboreia a castanha-do-pará).
O link para que quiser assistir ao programa no Canal Futura  (Futura Play) é:

http://www.futuraplay.org/video/conexao-castanha-do-para-saiba-mais-sobre-essa-semente-brasileira/360443/


segunda-feira, 15 de maio de 2017

A Castanha do Pará no Canal Futura




Nesta terça-feira, dia 16.5, às 19:30 horas vai ao ar a entrevista que gravamos para o programa Conexão Futura, exibido no Canal Futura da Fundação Roberto Marinho. O tema será a castanha-do-pará com destaque para o lançamento do meu livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação" da Paco Editorial. Este que vos escreve estará acompanhado de uma técnica da Embrapa de Rondônia e de uma nutricionista (em um link externo) para esclarecer vários questões relativas à castanha da Amazônia, conhecida no exterior como Brazil nut. No programa iremos expor aspectos relativos à história do produto, como é feita a sua coleta na floresta amazônica, as suas qualidades nutrientes e a aplicação industrial da amêndoa. No meu caso específico, também enfatizo a importância da castanha para as populações tradicionais da Amazônia e para a manutenção da floresta em pé. 
O Canal Futura pode ser acessado por meio da Net no número 87. Posteriormente o programa será reapresentado em vários outros horários (consulte a grade de programação) e ficará disponível no Futura Play no site da emissora. Não deixem de ver...

domingo, 14 de maio de 2017

Biblioteca Digital Hispânica



Desde que foi criado no final de 2011, o blog História Mundi se propõe a ser um facilitador do conhecimento, da leitura e da pesquisa. Nesse sentido estamos entregando ao leitor mais uma ferramenta para que o mesmo possa mergulhar nos livros, revistas, jornais, imagens, mapas e obras artísticas, disponíveis a partir de um simples teclado de computador ou do próprio celular. O indivíduo pode ter acesso a informações relativas a praticamente todo o campo do conhecimento, em especial às ciências humanas e explorar imagens (como a fantástica gravura de Rembrandt feita em 1637 e intitulada "Busto de homem com barba e toca com broche"). 
No caso em questão estamos nos referindo à Biblioteca Digital Hispânica (BDH). A mesma contempla obras digitalizadas que compõem a Biblioteca Nacional de España com sede em Madrid, proporcionando acesso gratuito e livre a milhares de documentos, entre os quais livros que foram impressos entre os séculos XV e XIX, manuscritos, gravuras, desenhos, cartazes, folhetos, fotografias, mapas, partituras musicais e até mesmo gravações sonoras. 


A BDH foi criada em 2008 com o objetivo de difundir o patrimônio cultural espanhol e também de cumprir um compromisso estabelecido com a União Européia de contribuir com a Biblioteca Digital Européia, também conhecida como "Europeana", a qual já se encontra disponível em nossos "links interessantes" como Europeana Collections. A proposta é que esta ultima forneça um acesso único por meio da internet para as várias instituições culturais europeias (na imagem acima, mais uma obra de Rembrandt disponível no acervo de gravuras do artista holandês, "Ancião com gorro de pele e capa de veludo" de 1632).  
O caro leitor poderá imaginar que a BDH dispõe de um acervo restrito ao seu país de origem, a Espanha. Não! Claro que se a mesma tivesse a Espanha como referência exclusiva já justificaria plenamente a sua inclusão na nossa lista de links. Mas, como é importante lembrar, grande parte da América do Sul e Central foram colonizadas pelos espanhóis e todo aquele pesquisador interessado em conhecer a cultura latino-americana poderá recorrer a esse precioso acervo. 


Da mesma forma, engana-se aquele que imagina não existir na BDH nenhuma obra ou documento sobre o Brasil. Uma pesquisa simples será o suficiente para termos ideia do enorme material de pesquisa disponível sobre a história brasileira, como por exemplo, documentos do período colonial, livros de viajantes e também a coleção cartográfica (na imagem acima, uma planta do Rio de Janeiro feita por William Stevens em 1763, na mesma época em que a cidade se tornava sede do Governo Geral brasileiro). 


Para que o leitor tenha ideia da importância do acervo disponível são mais de 70 mil monografias, 13 mil manuscritos, 35 mil desenhos, gravuras e fotos, 30 mil partituras e quase 7 mil mapas disponíveis para consultas. Nem todo esse material está disponível online, cabendo ao pesquisador verificar se na catalogação se encontra ou não o ícone com o "cadeado". De qualquer forma, é mais um recurso disponível para todos os interessados em ampliar as suas informações e conhecimentos (no mapa acima, impresso na França em 1719, temos uma ideia da dimensão das capitanias brasileiras no início do século XVIII). 


E claro, a Espanha está presente no acervo da BDH, como por exemplo, através da fabulosa coleção de gravuras do artista espanhol Goya (na imagem acima, São Francisco de Paula, sem data).
A Biblioteca Digital Hispânica passa a fazer parte dos nossos Links Interessantes...

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Entrevista sobre a Castanha do Pará no Programa Santa Receita da TV Aparecida




Nesta semana tivemos a honra de participar do programa "Santa Receita" comandado pela simpática apresentadora Claudete Troiano e de poder falar ao seu grande público sobre a história da castanha-do-pará e do lançamento do livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação". Como é de conhecimento geral, Claudete Troiano (imagem acima) tem uma trajetória de sucesso na televisão brasileira inciando a sua carreira como apresentadora de programas infantis, foi atriz de telenovela, pioneira na participação das mulheres no jornalismo esportivo ao cobrir partidas de futebol na extinta Rádio Mulher (isso na década de 1970!!!!) e atuou durante praticamente duas décadas no conhecido programa "Mulheres" da TV Gazeta ao lado da também apresentadora Ione Borges. Desde 2014 comanda o programa diário "Santa Receita" na TV Aparecida que atinge com grande sucesso todo o território nacional. 


A experiência e o conhecimento da apresentadora contribuíram em muito para o bom andamento da entrevista. Na mesma pudemos expor algumas curiosidades sobre a castanha-do-pará, também conhecida como castanha do Brasil, o início da sua exploração econômica ainda no período colonial, o sucesso do produto no mercado externo, as várias possibilidades de aproveitamento da amêndoa e os problemas referentes ao desmatamento, que contribuíram para que o Brasil perdesse a condição de maior produtor para a Bolívia. Na entrevista estive acompanhado pela nutricionista Patrícia Palandi que informou a respeito das qualidades nutritivas da castanha-do-pará e das propriedades da mesma no combate ao envelhecimento. 
Um dos aspectos que despertou a curiosidade da apresentadora e da própria nutricionista foi o azeite obtido a partir da amêndoa da castanha. Felizmente pude levar uma garrafa do mesmo que ganhei ao visitar uma cooperativa de produtores de castanha na cidade de Laranjal do Jari, no sul do estado do Amapá. A dificuldade em encontrar esse azeite deve-se ao fato de sua pequena produção, uma vez que o mesmo é obtido a partir das castanhas que são rejeitadas no processo de beneficiamento por estarem quebradas. 


Além do destaque que a apresentadora deu ao lançamento do livro (imagem acima) também pudemos convidar os telespectadores para uma visita ao blog História Mundi. Ou seja, fui ao programa para divulgar o livro e acabei divulgando o blog também!
Aos que não tiveram a oportunidade de assistir a entrevista, não se preocupem! Abaixo deixo os links do próprio programa na TV Aparecida e também no Youtube onde o mesmo ficará disponível. 
No próprio site da TV Aparecida:
http://www.a12.com/tv-aparecida/multimidia/detalhes/santa-receita-livro-revela-como-a-castanha-do-brasil-ganhou-o-mundo
No Youtube: 
https://www.youtube.com/watch?v=K6zx7A9OypE&feature=share

Crédito das imagens: equipe de produção do programa Santa Receita da TV Aparecida.


Santa Receita | Livro revela como a Castanha-do-Brasil ganhou o mundo!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

A Castanha do Pará na TV Aparecida



No próxima semana estaremos na TV Aparecida no programa "Santa Receita" apresentado por Claudete Troiano, para gravar uma entrevista a respeito do lançamento do meu livro "A Castanha do Pará na Amazônia: Entre o extrativismo e a domesticação". A mesma também contará com a participação da nutricionista Patrícia Palandi que irá falar sobre a castanha-do-pará na alimentação. 
Atenção, a entrevista irá ao ar no dia 4 de maio próximo (quinta-feira) às 15 horas. A TV Aparecida é sintonizada em todo o Brasil por antena parabólica e também através dos seguintes canais por assinatura: Net 195, Sky 178 e 374, entre outros. Em São Paulo e na Grande São Paulo pelo canal digital 41.1. 
Convido a todos a verem a entrevista e a prestigiarem o programa, que traz dicas e informações sobre saúde, culinária, artesanato e assuntos do cotidiano, com a apresentadora Claudete Troiano, conhecida por gerações de telespectadores e que dispensa apresentações.
Aguardo todos vocês...